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Ufba realiza Festival de Arte e Empreendedorismo neste fim de semana

Festival de Artes Empreendedoras - FAE
Do Correio24Horas

Evento reunirá artistas na Escola de Administração, no Vale do Canela, para discutirem cenário da economia criativa em Salvador.

Neste final de semana, dias 29 e 30 de julho, a Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (Ufba) sediará a segunda edição do Festival de Artes Empreendedoras (FAE). O evento é realizado pelos alunos da disciplina Gestão Cultural, do curso de Administração da Ufba, e visa disseminar a cultura do empreendedorismo no cenário artístico baiano.

O festival é aberto ao público, gratuito e as inscrições podem ser feitas no site www.inscricaosiatex.ufba.br (relatório: 5213 e senha: fae). Ao todo, serão realizadas 10 mesas de debates com artistas e empreendedores de diferentes áreas. Serão emitidos certificados de participação.


A gerenciadora organizacional da Empresa Jr. da Faculdade de Administração da Ufba, Larissa Rodrigues, conta que o FAE tem como objetivo incentivar artistas a empreenderem e também servir de ponte entre o público e esses profissionais do campo artístico que se lançarem no mundo do empreendedorismo.

Larissa ressalta que o festival é ainda uma oportunidade de dar “voz e vez” aos artistas ainda pouco reconhecidos no cenário baiano. Será realizada uma exposição com os trabalhos desses profissionais ao longo dos dois dias de festival. “Nossa intenção não é fazer um evento com pessoas famosas. Pelo contrário, queremos justamente mostrar quem é desconhecido”.

O gestor do Teatro Jorge Amado Nell Araújo, que participará do evento, acredita que levar o debate artístico para o ambiente acadêmico é fundamental para se formar jovens mais conscientes. “Eu defendo que a cultura seja trabalhada no espaço universitário, pois a arte e a educação têm que andar juntas”, disse Araújo.

Arte de empreender
Para o professor da Escola de Administração da Ufba, Eduardo Davel, uma das principais funções do FAE é ampliar a percepção das pessoas para o que é empreender. “Não é comum ouvirmos que artistas e pessoas ligadas à cultura são empreendedores. Geralmente essa definição fica restrita para aqueles que abrem lojas, quitandas e outros negócios”, disse.

Davel destaca que empreender no ramo da cultura é um trabalho diário. “Os artistas empreendem o tempo todo, a cada espetáculo eles precisam fazer uma mobilização. Diferente de alguém que abre uma empresa, por exemplo”, disse.

A professora Fernada Paquelet, que leciona a disciplina Gestão Cultural, conta que mais do que um fim, a arte foi o meio para a realização do evento. Os alunos trabalharam com técnicas de improvisação organizacional baseadas no improviso teatral para desenvolver o projeto do FAE. “É uma forma de tirá-los do lugar comum e fazê-los enxergar a adversidade como forma de seguir para um lugar melhor”, disse.

De acordo com a professora, no início os alunos se espantaram com a dinâmica, porém, com o passar do tempo, se integraram com a metodologia.

Fomento
O produtor e apresentador do programa Evolução HipHop, da Rádio Educadora FM 107.5, Dj Branco, é um dos convidados do festival. Ele irá participar, a partir das 9h30 do sábado (29), da mesa Empreendedorismo Social e Cultural: Desafios para artistas na Bahia. A mesa será composta ainda por Busta Mavi, Ubiratan Sales e Nell Araújo.

Segundo o Dj Branco, um evento como este é de fundamental importância para o fomento da cadeia produtiva cultural na Bahia. “Momentos como este proporcionam um intercâmbio entre artistas empreendedores e permitem que eles construam uma rede para trabalhar de forma coletiva”, disse.

Ainda de acordo com Branco, a necessidade de fazer o trabalho circular tem impulsionado o empreendedorismo no meio artístico. “Os artistas estão investindo no próprio negócio porque precisam fomentar o que fazem”, afirma.

Apesar do crescimento, ainda falta apoio para os artistas independentes. “Existem alguns editais do governo e da prefeitura que garantem o mínimo para o artista, mas muitos estão por sua própria conta”, cita DJ Branco.

Segundo ele, há também uma dificuldade por parte da iniciativa privada de investir no artista independente, de modo que resta à economia da cultura, ou economia criativa, fomentar os artistas com baixo apelo comercial. “São amigos que se juntam para dar força um ao outro e tocar o projeto”, explica.

Foco na juventude
No ano em que completa duas décadas, o Teatro Jorge Amado vê na formação de jovens a porta de saída da crise. Desde agosto de 2016, o espaço implantou o projeto Teatro Escola Jorge Amado, primeiro do tipo no Norte/Nordeste, e já capacitou cerca de 100 jovens. “Trabalhamos com as vertentes social, profissionalizante, além de contribuir para o conhecimento dessa nova geração”, conta Nell Araújo, gestor do espaço.

Além de oferecer as oficinas artísticas de teatro, maquiagem, fotografia, artes visuais, iluminação e produção cultural, o Teatro Escola Jorge Amado promove palestras com profissionais do meio e visitações técnicas onde os jovens podem ter um contato mais íntimo com o mundo do espetáculo.

Araújo conta que a motivação para a implantação do projeto foi o esvaziamento dos espaços culturais. “Principalmente o público jovem ficou muito ausente das salas de espetáculo e isso despertou em mim a necessidade de aproximar o teatro do público”, disse. Os cursos têm duração de quatro meses e custam R$ 200. Jovens afrodescendentes ou estudantes de escola pública são isentos de taxa de inscrição.

De acordo com o gestor, muitos desses jovens que passaram pelo Teatro Escola deram continuidade aos estudos e outros já atuam na área. “Têm aqueles que entraram no curso de Produção Cultural e também quem está atuando como fotógrafo cobrindo eventos culturais”, disse.

Em um futuro próximo, os gestores do projeto esperam estabelecer parcerias com o governo do estado e até mesmo instituições de fora da Bahia para facilitar a inserção desses jovens no mercado. “A ideia é que o governo leve esses jovens daqui para fazer estágios em museus e outros espaços culturais”, disse Araújo.

Falta de patrocínio
Apesar dos bons resultados já alcançados, Araújo acredita que com mais tempo de formação os jovens sairiam ainda mais preparados do projeto. “Meu desejo é que eles entrem aqui em fevereiro e só saiam em dezembro”, projeta.

A questão financeira, por sua vez, pesa no planejamento. “Nós não temos nenhum tipo de patrocinador e estamos matando um leão por dia para manter o teatro aberto. Aliás, o Jorge Amado continua aberto pelo amor que a equipe tem pela cultura”, conta Araújo.

Hoje, o teatro sobrevive da venda de pautas para eventos particulares e o que arrecada é suficiente tão somente para quitar as despesas. “O dinheiro é para pagar a folha de funcionários e fazer uma manutenção básica do espaço”.

Programação

Sábado, 29/07
9h30 às 12h – Empreendedorismo social e cultural: desafios para Artistas na Bahia. Convidados: Busta Mavi, Ubiratan Sales, Dj Branco e Nell Araújo.

14h às 16h – Artes Experienciais. Artistas: Forró Big, Igor Reis, Luiza Rodrigues, Atelier Lull, Luis Carlos Carneiro, S4L4DD4YS Tatoo

15h às 17h – Espetáculo Revelado. Telma Amorim com Labalaba

17h às 19h – Som Empreendedor: Malê de Balê e Bagunçaço

12h às 18h30 – Sabor Inovador: Doce Lili, Maestria Eventos, Pastelaria do Tio, Tropical Fire Food Truck, Há Doce, Sementes da Terra

Domingo, 30/ 07
9h30 às 12h – Marketing e Redes Sociais: desafios e possibilidades para empreender nas artes. Convidados: Gabriel Carybé, Maria Brasil, Mariana Buente, Marcelo Calazaes

14h às 16h – Artes Experienciais. Artistas: Forró Big, Porcaflor, Igor Reis, Alana Ribeiro, Tiago Almeida Oliveira, Rafael Neves

15h – Espetáculo Revelado. Pétalas ao Vento

17h às 19h – Som Empreendedor: Banda Tallowah, Oliberato

12h às 18h30 – Sabor Inovador: Doce Lili, Maestria Eventos, Pastelaria do Tio, Tropical Fire Food Truck, Há Doce, Sementes da Terra, Oxe, é de Minas

 

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