Soterópolis – Novos Fotógrafos: Filipe Cartaxo e Ivã Coelho.
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Descrição
Quando Barthes escreveu a Câmera Clara os estudos sobre a fotografia enquanto obra de arte ainda estavam se iniciando.
Estigmatizada pela relação com o referente e vista como cópia pura do real, a fotografia servia à documentação. Roland Barthes forneceu com este título clássico um novo status – o do afeto, por ele designado como puctum, aquilo que toca a sua subjetividade. Iniciava-se um novo capítulo.
Hoje, é impossível descartar a fotografia quando o assunto é arte. Rosalind Krauss, no prefácio do livro “O Fotográfico” declarou que “a fotografia invadiu os salões de exposição de museus e galerias”.
Antenado com as novas pesquisas, o Soterópolis foi à busca da atual produção baiana. Nesta pesquisa nos deparamos com o trabalho inventivo e ficcional de Ivã Coelho e o artístico, embora mais documental, de Filipe Cartaxo.
Influenciado pelo imaginário de Robert Mappletorpe, Ivã brinca intervindo na imagem. A sua fotografia é universal. Não tem relação com o local de origem. Manipulada pelo fotógrafo, ela cria uma narrativa em diálogo com outras imagens produzidas durante o processo criativo.
Filipe Cartaxo prefere a linha documental, embora suas imagens também flertem com o sonho. No ensaio “O Ser encontra a Costa”, realizado na Ilha de Itaparica, imagens em preto e branco revelam as nuances do lugar ao mesmo tempo em que criam uma atmosfera onírica.
Carlos Moreira e German Lorca aparecem como grandes referências. A preocupação com o urbano, as pessoas, as linhas e os grafismos, apontam para a sua outra formação o design.