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Posts marcados com ‘Movimento negro de Campina Grande’

dez
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Jair Silva

Por Jair Nguni

No Dia Nacional da Consciência Negra brancos empresários são os grandes homenageados pelos Vereadores de Campina Grande

Semana da Consciência Negra é momento para se homenagear quem luta seriamente contra o racismo e de reconhecer o quanto os negros e negras dessa cidade tem feito para descolonizar mentes e corações de uma elite perversa e racista, a qual tenta de todas as formas barrar nossas conquistas em prol do empoderamento da raça negra em Campina Grande. Solicitei ao Vereador Napoleão Maracajá o título de cidadania campinense para o Tata Vicente Mariano, mas nunca fui atendido por ele. Depois dessa recusa fui solicitar esse título de cidadania para o Vereador Anderson Maia do PSB, mas também não fui atendido por esse parlamentar. O interessante é que o gabinete do Vereador Anderson Maia me pediu uma justificativa para conceder essa homenagem para o Tata Vicente Mariano. Aceitei o desafio do seu gabinete, o que me levou a escrever um texto de cunho histórico sobre o racismo enfrentado pelo povo de santo. No entanto, nada disso adiantou. Nem mesmo o documento feito pela Juventude de Terreiro de nossa cidade reforçando a minha luta para que este ano fizéssemos uma bonita homenagem para o candomblecista mais antigo da Paraíba, no dia 20 de novembro.

Esses dois parlamentares, na verdade, trataram com total descaso meu pedido para homenagear esse histórico e respeitado sacerdote do candomblé. Os dois Vereadores deveriam saber que na história de Vicente Mariano de Oxum esse respeitado candomblecista já ganhou diploma de honra ao mérito durante o Centenário de José Américo de Almeida (1887\ 1987), por sua atuação em prol do desenvolvimento cultural brasileiro. Esse diploma foi concedido pelo NELL- Núcleo de Estudos linguísticos e literários da UFPB como podemos encontrar num quadro pendurado no Terreiro desse Tata, localizado na rua Prudente de Morais na Estação Velha. Vicente Mariano foi iniciado aos 16 anos no candomblé de Tradição Nagô e teria nascido no dia 19 de novembro de 1929 no município de Macaparana, Estado de Pernambuco. Só este ano quatro sacerdotes da igreja católica ganharam o título de cidadania campinense numa única sessão, incluindo aí o Bispo de Campina Grande Dom Frei Manoel Delson Pedreira da Cruz. Por que não se faz  com essa mesma dimensão política, reconhecimento  social, religioso e valor simbólico uma  homenagem  para os  representantes do candomblé, umbanda e jurema de Campina Grande?

Enquanto no dia 19 de novembro Napoleão Maracajá criticava os líderes do Movimento Negro de Campina Grande na ausência desses mesmos líderes, dizendo que: “a responsabilidade da mobilização para esta sessão ficou a cargo de alguns representantes do movimento negro”. Infelizmente, parece-me que já virou regra a “Casa de Félix Araújo” fazer homenagens para brancos de classe média, sem que os Vereadores Anderson Maia e Napoleão Maracajá quebrem essa regra injusta, excludente e que reforça claramente o racismo no campo da política.  O parlamento mirim campinense já tinha feito essa injustiça contra a nossa população negra no ano de 2013 quando humilhou de forma pública o Movimento Negro de Campina Grande, cancelando uma sessão especial previamente marcada para debater o Dia Nacional da Consciência Negra. É só olharmos o site da Câmara de Vereadores para  todo mundo perceber que a homenageada foi  a senhora Maria da Penha no ano de 2013. É só olharmos agora para saber quem foi no último dia 20 de novembro o perfil eurodescendente dos homenageados, para percebermos que mais uma vez a elite branca dessa cidade representada por dois empresários brancos foram os grandes homenageados com o título de cidadão campinense.

Com relação a essa sessão especial feita pelos Vereadores para refletir o Dia Nacional da Consciência Negra, no dia 19 de novembro. O Vereador Napoleão Maracajá era para ter aproveitado o momento para dizer a  Secretária de Educação Iolanda Barbosa que o bairro da Liberdade não é um bairro de maioria negra e com altos índices de violência contra jovens negros. Portanto, levar o Parque da Liberdade e o Centro de Iniciação Esportiva para o quintal da classe média branca do bairro da Liberdade é cometer um crime contra a vida dessa mesma juventude negra que vive socialmente abandonada nas periferias de Campina Grande, visto que é nas periferias onde se mata todos os dias jovens negros justamente por falta de equipamentos culturais e esportivos como esses que serão construídos, diga-se de passagem, sem nenhum debate com o movimento negro em toda sua diversidade afro-brasileira e participação do próprio Conselho Municipal de Juventude.

O genocídio da juventude negra vai aumentar na nossa cidade com esse tipo de política pública concentrada em um território longe das periferias. Assim sendo, a Prefeitura com esse tipo de comportamento passa por cima das determinações  sociais do Plano Juventude Viva e isso precisa ser denunciado junto ao Ministério Público, Vereadores e para os movimentos sociais que representam os direitos da juventude de Campina Grande. É por isso que não se montou de forma democrática o Comitê Gestor do Plano Juventude Viva na nossa cidade,  tendo em vista que a Prefeitura no governo do PSDB quer implantar suas políticas sociais sem ouvir o movimento negro e toda sua diversidade afro-brasileira. Infelizmente, diante desse quadro, existe uma certa militância que vive das regalias e esmolas do grupo Cunha Lima e por ter sido aparelhada não pode bater de frente com essa oligarquia, visto que com seus cargos na Prefeitura não pode desagradar ao seu patrão que gasta milhões para fazer festa de São João, mas sem gastar nenhum real se quer para salvar as vidas de nossos jovens negros nas periferias. Essa mesma militância que se diz “séria e honesta” ainda se apropriou vergonhosamente do Plano Juventude Viva como se fosse sua galinha dos ovos de ouro e os debates sobre a juventude negra ficam concentrados entre quatro paredes na Secretaria de Esportes, Juventude e Lazer da Prefeitura Municipal de Campina Grande, negando claramente a participação de diversos outros atores e personagens sociais que lutam diariamente contra o genocídio da juventude negra de Campina Grande e que poderiam contribuir para democratizar esse debate. Entendemos, assim, que qualquer política pública direcionada para combater o genocídio da juventude negra empobrecida e geralmente moradora das periferias e centros urbanos, teriam que passar necessariamente pela aprovação de um Comitê Gestor do Plano Juventude Viva, com a participação plena e ampla da sociedade civil, fato esse que não está acontecendo pelas razões aqui já explicitadas. Cadê o Comitê Gestor do Plano Juventude Viva dessa cidade?

Essa sessão especial voltada para o debate sobre as profundas desigualdades raciais era o momento  ideal para o Vereador Napoleão  também cobrar da Secretária de Educação Iolanda Barbosa o motivo do Prefeito Romero Rodrigues não ter até o presente momento sancionado o projeto de cotas para negros no serviço público municipal. Ademais, ele poderia ter perguntado para a representante da oligarquia Cunha Lima quando é que o Prefeito Romero Rodrigues vai botar em prática as 14 propostas de combate ao racismo da II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro. Também poderia ter perguntado para a senhora Iolanda Barbosa quando é que a Prefeitura vai colocar em pratica as propostas que foram aprovadas na I Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Conferência essa, que virou um grande estelionato político e histórico, servindo apenas para gerar emprego para uma certa militância cooptada por esse mesmo grupo político.  Gostaria, portanto, de deixar bem claro que nunca me coloquei como líder do movimento negro de nossa cidade, pois faço militância de forma independente e não coordeno nenhum movimento negro organizado. Por outro lado, gostaria de dizer para esse parlamentar que ele precisa dizer agora quem ficou responsável pela organização dessa sessão especial completamente esvaziada, uma sessão que entra para a história do ativismo negro campinense, uma vez que até onde eu sei esse fato triste nunca tinha acontecido nos 29 anos de luta contra o racismo do Movimento Negro de Campina Grande.

Essa sessão especial foi marcada ainda por uma fala da representante do Prefeito Romero Rodrigues como se as portas do poder executivo municipal  estivessem abertas para todos que fazem o movimento negro e sua diversidade afro-brasileira. Ora, o Seminário Agosto Para a Igualdade Racial não recebe nenhum apoio da Secretaria de Educação que tem na pessoa da Senhora Iolanda Barbosa sua atual gestora. Já tentamos esse apoio em outras pastas do governo do PSDB como na Secretaria de Cultura, mas não conseguimos nada de patrocínio do poder público municipal na gestão do Prefeito Romero Rodrigues.  A fala da Secretária Iolanda Barbosa contrasta com a realidade dos fatos no cotidiano de quem luta contra o racismo em Campina Grande. A biblioteca Comunitária do Tambor, por exemplo, sobrevive na garagem do pai do professor e ativista cultural Williams Lima Cabral, já que não tem apoio do poder público municipal para combater esse mesmo genocídio da juventude negra que  a  Prefeitura diz ter políticas públicas de enfretamento. Aqui só tem apoio mesmo o militante que vive de joelhos para o grupo Cunha Lima. Para esse tipo de militância, a Prefeitura tem emprego e ainda convida para fazer parte de todas as atividades pensadas pela Secretaria da Educação para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra.

O Vereador Napoleão Maracajá ainda esqueceu de lembrar que no ano passado fizemos uma sessão com  um público considerável e com ampla participação de grupos de capoeira e, ao mesmo tempo, com a presença de uma mulher negra da ONG CENTRAC representando  a luta da mulher afrodescendente  por igualdade racial.  Na sessão especial organizada este ano pelo seu gabinete percebemos que os diversos grupos e associações de capoeiras não estavam no plenário, muito menos como debatedores na tribuna da Câmara de Vereadores no último dia 19 de novembro quando foi debatido mais uma vez a realidade social da nossa população afro-brasileira sem a participação de nenhuma mulher negra, o que revela exclusão e falta de pluralidade política e social no encaminhamento desse evento. Sinceramente, lamento profundamente pela falta de honestidade intelectual e política do Vereador Napoleão Maracajá quando disse que o movimento negro era o responsável pela mobilização dessa sessão esvaziada, sem que ele disesse para o público que ali estava quem ficou responsável de mobilizar a sociedade.

Posso dizer que pelo que conheço da história do Movimento Negro de Campina Grande é fato que essa sessão foi completamente esvaziada pela forma como seu gabinete deve ter encaminhado, pois era pra ter tido uma reunião com todos os integrantes do movimento negro e sua diversidade afro-brasileira.  Digo isto pelo fato de ter que me defender de seus ataques injustos, visto que jamais fui chamado para organizar esse evento, assim como não fui convidado para ser um dos oradores. Desafio, diante desse contexto, o Vereador do PC do B Napoleão Maracajá a dizer quem ficou responsável pela mobilização e peço ao mesmo parlamentar que dê os nomes das pessoas que ficaram encarregadas de fazer essa função de levar público para a Câmara de Vereadores de Campina Grande.

Finalmente, fica a lição para o Vereador Napoleão Maracajá e seu Gabinete excludente. Vocês não me convidaram para organizar e debater as desigualdades raciais em Campina Grande pelos seus interesses inconfessáveis. Também não convidaram Ana Lúcia Sales, integrante com Movimento Negro de Campina Grande com quase 15 anos de atuação em defesa da igualdade racial no nosso município. Portanto, repúdio essa tentativa de querer responsabilizar o esvaziamento aos líderes do Movimento Negro de Campina Grande como se o Jair Nguni tivesse algo a ver com toda essa história. O senhor deveria cobrar isso de quem foi chamado para fazer parte dessa sessão esvaziada, sobretudo de certos oradores que não pertenciam ao movimento negro. Pessoas que não tinham a menor tradição nesse debate por igualdade racial em Campina Grande. Talvez, resida aí a explicação do fracasso dessa sessão especial em matéria de público, já que botar pessoas estranhas as lutas diárias contra o racismo acaba dando nesse tipo de situação vexatória. No mais, saiba que jamais vou aceitar seu ataque injusto e quero ainda lhe dizer que no seu gabinete e no do Vereador Anderson Maia não coloco os meus pés enquanto tiver vida. Se a sua intenção, enfim, era encontrar um culpado pelo fracasso da sessão e, por tabela, ainda posar de democrata e agregador para seus pares e sociedade. Acredito que sua intenção fracassou com a verdade desses esclarecimentos aqui registrados para a posteridade.

 

 

Autor: Jair Nguni- historiador e militante do Movimento Negro de Campina Grande.

nov
28

Por Jair Nguni

Jair SilvaCâmara de Vereadores de Campina Grande humilha movimento negro no Dia Nacional da Consciência Negra

 No último dia 8 de novembro o Movimento  Negro de Campina Grande completou 27 anos de luta contra o racismo. Como presente de aniversário, sofremos a maior humilhação da nossa história, tendo em vista que a sessão especial que estava marcada para acontecer no dia 20 de novembro foi cancelada e depois marcada para o dia 27, sem nenhuma justificativa plausível. Agindo como verdadeiros senhores de engenho, os Vereadores da “Casa de Félix Araújo” poderiam ter feito essa sessão logo após a entrega do título de cidadania campinense para a senhora Maria da Penha. Todavia, não foi isso que aconteceu como estava previsto e sendo divulgado no próprio Site e Twitter da Câmara de Vereadores de Campina Grande.

Para ser sincero, não é de hoje, que esse poder legislativo nos trata com desprezo e descaso, visto que já fizemos uma Audiência Pública com apenas dois Vereadores em plenário. Nessa audiência  compareceram o Vereador Tovar Correia Lima e o Ex–vereador Antonio Pereira. Num país em que a raça negra chega a ser mais de 51% da população brasileira era pra ser obrigação política e dever ético para qualquer representante do povo ouvir as reivindicações do movimento negro, até porque, somos nós que estamos sofrendo mais com o desemprego, analfabetismo, falta de moradias, violência policial, etc.

Essa sessão especial tinha sido uma reivindicação minha e lutei  muito para organizar esse momento tão importante na vida de quem luta pela promoção da igualdade racial. Na Câmara de Vereadores estavam presentes o Mestre de capoeira Sabiá, atual Presidente do Conselho de Mestres de Capoeira da Paraíba, os militantes do Movimento Negro de Campina Grande Moisés Alves e Ariosvalber de Sousa Oliveira, além de outras pessoas engajadas na luta pela valorização da cultura afro-brasileira como o Presidente da União dos Capoeiras do Planalto da Borborema Bega Pequeno e do Vice- presidente da UCPB Aldo Batista. Todos à espera de uma sessão especial que não aconteceu por desorganização, incompetência e má fé dos Vereadores.

Não há como negar a verdade dos fatos. O real objetivo de quem organizou a entrega do título de cidadão para Maria da Penha no Dia Nacional da Consciência Negra era desprestigiar e esvaziar a sessão especial, voltada para a valorização dos legítimos representantes dos ideais de Zumbi dos Palmares. Ademais, quando percebi que a Prefeitura de Campina Grande não tinha feito qualquer programação para refletir o Dia Nacional da Consciência Negra junto à população como fez a Prefeitura de João Pessoa em 15 bairros da capital, através de palestras, debates, oficinas e apresentações musicais e culturais com artistas e grupos da cultura afro-brasileira. Logo,  vi que o circo da hipocrisia eurodescendente por aqui estava muito bem armado para humilhar o movimento negro e impedir que a sociedade tomasse consciência das profundas desigualdades raciais no Dia Nacional da Consciência Negra- 20 de novembro.

A Prefeitura Municipal de Campina Grande, por meio de sua Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres já tinha elaborado uma programação para homenagear na Câmara de Vereadores- a biofarmacêutica Maria da penha, o que considero politicamente correto e mais do que justo para uma cidadã como ela que vive num país onde a cada ano dois milhões de mulheres são vítimas da violência doméstica. O que é inaceitável, na minha visão, foi ter presenciado esse total descaso e desrespeito com uma sessão previamente aprovada pelos próprios Vereadores. Os convites foram feitos e distribuídos para várias escolas como o Colégio Estadual da Prata e Clementino Procópio. Foi assim que, várias entidades foram convocadas para a Câmara de Vereadores na expectativa de nos ouvir. A ASSORAC- Associação Raízes da Cultura foi uma delas.

Todo mundo sabe por aqui que sempre fizemos sessões especiais bastante prestigiadas pelo público. Mas, a politicalha carcomida, covarde e racista dessa cidade, capitaneada pelo grupo político que atualmente domina e chama Campina Grande de “cidade da inovação”, são conhecedores do nosso poder de mobilização popular. Portanto, não tenho a menor dúvida de que o movimento negro foi vítima de um grande golpe baixo e sujo. É que a intenção dos Vereadores em um verdadeiro conluio com a Prefeitura era usar o nosso público para homenagear Maria da Penha e depois cancelar a sessão alusiva ao Dia da Consciência Negra. De fato, foi realmente isso que aconteceu, já que muitas pessoas acabaram indo embora pelo fato de terem percebido que não tinha nenhum debate sobre  movimento negro, racismo e consciência negra no plenário da Câmara de Vereadores. As alunas da Escola Normal foram embora, por exemplo, já que elas perceberam que ali estava acontecendo outra coisa bem diferente do convite que haviam recebido. Essa escola gastou 100 reais para alugar um ônibus para 50 estudantes. Já outros estudantes como os da Escola Estadual Dom Luiz Gonzaga tiveram que prestigiar a entrega do título para a senhora Maria da Penha, embora estivessem ali para prestigiar a sessão especial alusiva ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Assim, diante desse quadro, o prejuízo educacional e ainda financeiro para os estudantes e professores dessas escolas aqui mencionadas merece um registro, visto que muitos não tiveram aulas nesse dia e tiveram que gastar dinheiro do próprio bolso para prestigiar uma sessão especial que não aconteceu. Será que algum dia os Vereadores vão pedir desculpas para essas escolas? Por que não botaram a sessão para acontecer antes da entrega do título de cidadão, para a senhora Maria da Penha?

Creio que nesses 27 anos de luta do movimento negro campinense fizemos aproximadamente cinco sessões especiais. Nunca tínhamos organizado uma sessão para ser cancelada e remarcada para outra data como os Vereadores fizeram sem nos consultar. Outro erro da Câmara de Vereadores  foi ter rejeitado o feriado municipal para o dia 20 de novembro, pois esse tipo de atitude reforça o racismo. Teve Vereador, inclusive, que alegou que o comércio não podia parar. Outros se posicionaram contra por entender que o Brasil já tem feriado demais. É, pelo que podemos notar, os Vereadores de Campina Grande são defensores de um centro comercial onde impera um violento racismo, visto que são pouquíssimos os negros e negras que conseguem emprego no comércio de nossa cidade.

Realmente, é muita hipocrisia e demagogia de um poder legislativo, tendo em vista que eles tinham  aprovado a criação da Semana da Consciência Negra e de Ação Antirracista este ano. Em síntese, os nobres Edis de Campina Grande desrespeitaram o que eles  aprovaram em debates no plenário da “Casa de Félix Araújo”, assim como fizeram de conta que não sabiam que já é feriado em mais 1047 cidades em todo Brasil. Assim sendo, caiu por completo a máscara da hipocrisia política dos Vereadores daqui, já que o comércio de grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba podem parar, mas o de Campina Grande não pode na visão tacanha dos “representantes do povo”.

Nós do movimento negro temos percebido que várias homenagens são feitas na Câmara de Vereadores, geralmente para personalidades da classe média branca. Posso citar alguns nomes que receberam este ano homenagens recentemente deste poder legislativo.São eles: o Reitor do Mackenzie Benedito Guimarães, o Diretor do IFPB  Cícero Nicássio e o historiador Josué Silvestre,  sendo que este último ganhou uma medalha de honra ao mérito dos Vereadores e os outros dois professores títulos de cidadãos campinenses. O Babalorixá e pernambucano Vicente Mariano que tem mais de 58 anos de iniciação no candomblé jamais foi homenageado pelos Vereadores campinenses. O mesmo posso dizer da umbandista Ivonete do Keto e do conhecido Babalorixá pai Walter da Lagoa, ambos residentes no Bairro de José Pinheiro.  Já pedi para o Vereador Napoleão Maracajá para apresentar essa proposta de homenagear Vicente Mariano no próximo ano, com o titulo de cidadão campinense. Será que essa proposta vai ser aprovada pelos Vereadores algum dia?

Este Vereador do PC do B que é Presidente da Comissão de Direitos Humanos, tem pela frente esse verdadeiro desafio político no encaminhamento dessa minha proposta, proposta esta, que deveria ser prioridade no  mandato dos Vereadores, pois esses representantes do povo não tem feito nada para combater à intolerância religiosa em Campina Grande. Portanto, nada melhor do que começar esse debate dando um título de cidadão a quem de fato tem história para contar, visto que Vicente é negro e cultua os orixás num país racista como o nosso, onde babalorixás e yalorixás já foram presos, torturados, mortos e até enviados para manicômios apenas pelo fato de cultuar seus deuses trazidos da África. Espero que o Vereador Napoleão Maracajá tenha coragem para fazer tal debate, lutando pela aprovação desse título, já que isso seria verdadeiramente um marco na história do povo de santo tão oprimido, perseguido e marginalizado historicamente em nosso município.

Com a palavra, os Vereadores de Campina Grande responsáveis pela maior humilhação que o movimento negro já passou nos seus quase 30 anos de luta pela igualdade racial.

set
11

Jair SilvaA TV Paraíba não tem respeito pela população negra paraibana, especialmente pela comunidade negra de Campina Grande, cidade onde nasceu o poeta, compositor, teatrólogo e escritor da literatura afro-brasileira- Arnaldo França Xavier. Estou fazendo essa afirmação pelo fato de ter percebido que o nosso Projeto Agosto da Igualdade, infelizmente, não recebeu a devida atenção por parte dessa emissora de televisão, embora eu tenha mandado vários E-mails pedindo  para que essa empresa fizesse matérias sobre o nosso projeto, além de ter ligado para a redação  duas vezes para obter uma cobertura jornalística. Entretanto, não  fui  feliz nas minhas insistentes solicitações, uma vez que em todos os pedidos acabei sendo ignorado. Eis aí a cara de uma mídia autoritária, antidemocrática e  excludente na sua forma de tratar as demandas do movimento social afro-brasileiro.

Esse repertório de desrespeito e tentativas de invisibilizar as lutas do movimento negro vem acontecendo há bastante tempo. Posso, inclusive, fazer uma lista de eventos, ações e projetos  realizados pela militância negra para mostrar que esse canal de tv, a rigor, sempre excluiu de suas pautas jornalísticas nossas ações de combate ao racismo. Podemos começar, por exemplo, pelos vários encontros estaduais do Movimento Negro Paraibano e que não mereceu  atenção dessa referida emissora de televisão, visto que nesses encontros participei de quatro deles e não vi nenhuma equipe dessa empresa da área de comunicação entrevistar os militantes negros e negras e grupos da cultura afro-paraibana nesses encontros que aconteceram em Campina Grande, Sousa, Catolé do Rocha e João Pessoa.

O  triste exemplo acima mencionado é só a ponta do iceberg da forma como essa tv trata as lutas do Movimento Negro de Campina Grande. Lembro-me que no já extinto Centro de Educação da UEPB fui o responsável pela realização de duas  semanas da consciência negra. Todavia,  a TV Paraíba nunca procurou o Centro Acadêmico de História do qual fui Diretor de Cultura para fazer alguma matéria sobre nossos eventos acadêmicos. Também,  fizemos por 8 anos a consciência negra no Bairro do Pedregal e nessa comunidade de maioria negra e mestiça, considerada pela mídia racista e preconceituosa como um favela perigosa, jamais presenciei essa emissora de tv  num debate  sobre racismo, direitos humanos, cidadania e inclusão social nesses oito anos de luta contra as desigualdades raciais, no Bairro do Pedregal. Felizmente, não aconteceu roubos e mortes nas 8 consciência negra do Bairro do Pedregal, pois a TV Paraíba adoraria que isso tivesse acontecido para mostrar o lado negativo da comunidade. O lado bom e positivo do ponto de vista social e  cultural, pelo visto, não interessa muitas vezes para quem se acostumou a reforçar estigmas e preconceitos sobre um Bairro que já fez dois tributos a Bob Marley nas oito consciência negra. O Pedregal, diga-se de passagem, até hoje é o único bairro de Campina Grande a fazer isso de forma ousada e organizada, mas a emissora aqui citada desprezou a história de luta contra o racismo de uma comunidade, fruto de uma invasão popular ocorrida nos anos 70. Por que a TV Paraíba nunca quis mostrar  esse lado quilombista do Bairro do Pedregal?

Temos  ainda mais outro exemplo para mostrar e reafirmar o quanto essa emissora adora ignorar as lutas do Movimento negro de Campina Grande, que este ano completa 27 anos de luta contra o racismo em nossa sociedade. Refiro-me ao  Projeto de Lei do Vereador  Napoleão Maracajá do PC do B,  projeto este, que institui a Semana de Ação Antirracista e feriado municipal para o dia 20 de novembro- Dia Nacional da Consciência Negra, na cidade de Campina Grande. Já pedi uma matéria jornalística sobre o projeto para que a sociedade possa tomar conhecimento de sua relevância política, pois defendo a ideia de que um projeto como esse tem de ser alvo de um grande debate público, tendo em vista  que se for aprovado em plenário pelos Vereadores vai mexer com a vida social de toda população campinense, formada na sua grande maioria por negros e pardos. Simplesmente, a TV Paraíba prefere até hoje esconder da sociedade que existe um projeto como esse que já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de Vereadores de Campina Grande. Pasmem!

O que mais me incomoda nesse debate todo. É saber que antes de fazer o Projeto Agosto da Igualdade-215 Anos da Revolta dos Búzios-Homenagem ao Poeta Arnaldo Xavier. Estive, pessoalmente, na TV Paraíba para  cobrar  a matéria em relação ao projeto do Vereador Napoleão Maracajá. Aproveitei aquele momento, para entregar o livro O Negro na TV Pública e um ótimo material da FENAJ- Federação Nacional dos Jornalistas, material este, que serve como guia para  que jornalistas atuem criticamente no combate a qualquer forma de discriminação que envolva nossas relações de gênero, raça e etnia. Nesse guia, vale ressaltar, há uma nítida preocupação em fazer do jornalista um agente público que tenha compromisso com a equidade de gênero nas suas falas e, por conseguinte, na elaboração de pautas nas quais o fazer jornalístico não crie ou reforce preconceitos, estigmas e estereótipos sobre negros, índios, mulheres, etc. Vejamos o que diz o próprio guia que entreguei para a redação da TV Paraíba: “a mídia brasileira tem sido palco privilegiado para a reprodução de estereótipos de gênero, raça e etnia e invisibilização das populações historicamente discriminadas. Como resultado, atua como um dos principais agentes para a manutenção de crenças, valores, hábitos, comportamentos e atitudes sexistas, racistas e etnocêntricas, promotores de sofrimento e de profundas desigualdades na sociedade.”

Infelizmente, percebo que  o guia não não foi levado à sério pela redação dessa emissora  paraibana,  assim como a bela e categórica  lição quilombista que dei na TV Paraíba há dois anos e que foi publicada através de texto em vários sites e blogs de entidades negras do Brasil, a exemplo dos Tambores da Liberdade, Correio Nagô de Salvador e da ABPN-Associação Brasileira de Pesquisadores Negros. Essa lição, lamentavelmente,  não foi aprendida e assimilada pelos que trabalham na redação dessa emissora de televisão, pelo fato dela ter ignorado  uma  importante  Audiência Pública do Ministério Público da Paraíba em que tivemos as presenças de representantes da UEPB, UFCG, UFPB, SINTAB, ADUEPB  e de vários pesquisadores(as) e estudiosos(as) da história e cultura afro-brasileira preocupados em tirar do papel as Leis 10.639\03 e 11.645\08. Aliás, é bom que se diga que não foi só a TV Paraíba que desprezou esse debate no MP, já que outras emissoras de tv como a Correio, TV Itararé e Borborema  também  não foram fazer a cobertura jornalística dessa Audiência Pública,  cujo objetivo era debater o alto grau de racismo enfrentado pelas crianças negras e adolescentes nas escolas públicas e particulares dos municípios de Lagoa Seca, Boa Vista, Massaranduba e Campina Grande.

Portanto, como sou um militante combativo, sério e compromissado em restaurar em Campina Grande os ideais da Revolta dos Búzios. Não posso aceitar e ficar calado diante desse tratamento desrespeitoso que a TV Paraíba deu ao Projeto Agosto da Igualdade-215 Anos da Revolta dos Búzios- Homenagem ao Poeta Arnaldo Xavier. A população de Campina Grande tinha o direito de saber que aqui existiu um poeta campinense que dedicou sua vida à luta contra o racismo no campo da literatura. Tinha o direito de saber que Arnaldo fez parte do movimento cultural rebelde, por meio do Cine Clube Glauber Rocha e  Movimento Levante nos anos 60, em Campina Grande. Por que a TV Paraíba  ignorou toda essa história?

Com a palavra, a tv que não é da minha Paraíba, pois sonho com uma tv democrática, plural e que valorize com dignidade e respeito personagens da nossa história como merece ser reconhecido pela sociedade o brilhante poeta- Arnaldo França Xavier.

 

Autor: Jair Nguni- Historiador e militante do Movimento Negro de Campina Grande.

jul
3

Por Jair Nguni

Jair SilvaDa Lei 10.639\03 ao Genocídio da Juventude Negra na Paraíba. Por que tanto descaso e indiferença?

Como historiador, tenho o hábito de guardar determinadas fontes documentais, por entender que elas poderiam me servir no futuro para que um dia pudesse mostrar o quanto o discurso do atual Governador da Paraíba vive muito longe de sua prática política. Assim sendo, fazendo uma pequena digressão histórica vou justificar para o leitor o título deste texto, uma vez que precisarei reconstituir aqui certos fatos que marcaram a minha trajetória de luta contra o racismo em solo paraibano.

Certa vez, fui convidado pela ONG CENTRAC para fazer parte de uma rodada de entrevistas com os candidatos para Governador da Paraíba, em 2010. Antes de começar a rodada de perguntas na Diocese da Igreja Católica de Campina Grande com integrantes de diversos movimentos sociais e o senhor Ricardo Coutinho, tive um encontro com um dos cabos eleitorais deste político que logo foi me entregando um material de campanha voltado para a juventude paraibana. Confesso que no momento da entrega desse material de campanha não me interessei em saber das propostas e preferi me concentrar na pergunta que teria de fazer ao candidato Ricardo Coutinho, atual Governador da Paraíba que não tem dado a mínima atenção para o enfrentamento do genocídio da juventude negra, o que não me surpreende, tendo em vista que quem conheceu sua atuação como Prefeito de João Pessoa sabe  que a nossa juventude afrodescendente nunca foi prioridade nos projetos e ações políticas desse agente público, diga-se a bem da verdade.

Pois bem! Perguntei ao Ricardo Coutinho quais as suas propostas para combater as desigualdades raciais no estado. Este senhor foi logo dizendo para o público presente que para ele o mais importante era a questão social e não racial. Ora, ao fazer esse tipo de afirmação ele deixou bem claro para os movimentos negros que não iria priorizar o debate sobre a vida de 63,3% da população paraibana, cuja origem como todos nós sabemos é africana de acordo com dados do IBGE. Sinceramente, gostaria de acreditar que o seu governo iria fazer o emponderamento da juventude negra empobrecida, garantindo-lhe o direito à vida, cidadania plena e inclusão social. Entretanto, quando vejo que o atual Governador gasta milhões para construir o Centro de Convenções  Ronaldo Cunha  Lima em João Pessoa e que ele deixou por quase um ano o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial sem estrutura para funcionar, evidentemente que as minhas esperanças param por aí. Não só por essas questões aqui levantadas, visto que as entidades negras do nosso estado têm feito vários eventos para debater o extermínio da juventude negra, mas o governo estadual não manda nenhum representante, apesar de ter uma Gerência Executiva de Equidade Racial totalmente inoperante, ineficaz e absolutamente desarticulada com os projetos e ações de combate ao racismo construídos pelos movimentos negros.

Como prova da omissão desse governo do PSB frente ao genocídio da juventude negra na Paraíba. Posso, inclusive, elencar uma série de eventos que o ativismo negro paraibano fez e que não contou com a presença de representantes do governo Ricardo Coutinho. A Malungos fez no IFPB, entre os dias 12 e 14 de abril de 2012, o 3º Fórum de Lideranças Negras para debater a realidade social da juventude negra. Nenhum representante do governo estadual apareceu para debater conosco o genocídio da juventude negra no estado. Já este ano o Movimento Negro de Campina Grande fez o Projeto Agosto Para Igualdade Racial e mais uma vez o governo estadual com sua Gerência Executiva de Equidade Racial, também não foi discutir a violência enfrentada por nossa juventude negra. Por fim, devo lembrar que este ano aconteceu na Universidade Federal da Paraíba, entre os dias 3 e 4 de maio,o Seminário Juventude Negra Cidadã organizado pelo Setor de Estudos e Assessoria a Movimentos Populares-SEAMPO, em parceria com o Núcleo de Estudantes Negros e Negras. E nada do CEPIR-PB e do governo estadual aparecerem para debater o genocídio da juventude negra paraibana.

Quando o Ministério da Justiça divulgou o Mapa da Violência, mostrando que no Brasil em 10 anos foram assassinados mais  de 225 mil negros vítimas da chamada violência urbana. Só na Paraíba para cada jovem branco que morre de forma violenta, entre 15 e 24 anos de idade, morrem 19 jovens negros no nosso estado. E que na capital de João Pessoa para cada jovem branco que morre de forma violenta, morrem 29 jovens negros. Portanto, houve um aumento gigantesco na taxa de homicídios de nossa juventude negra. O CEPIR- Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial não debateu essa realidade vergonhosa, visto que  no seu plano de ação de 2012 voltado para a promoção da igualdade racial, plano este, que  ficou sob a responsabilidade da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana não mencionava absolutamente nada sobre o genocídio da juventude negra , aliás, os movimentos negros e nossas demandas, lutas e projetos antirracistas não tem a menor visibilidade dentro desta secretaria criada pelo senhor Ricardo Coutinho. É só percebermos o tratamento diferenciado que ocorre todos os anos no mês de março em relação ao Dia Internacional da Mulher e Dia Internacional de Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial. O dia 8 de março recebe atenção do governo e sempre se faz peças publicitárias sobre a violência enfrentada pelas mulheres na Paraíba, mostrando para a sociedade políticas públicas de equidade de  gênero, o que considero justo diante da violência sofrida pelas mulheres no estado. Para o 21 de março, entretanto, não acontece nada nesse dia criado pela ONU para que a humanidade elimine o racismo do nosso convíveo social. Pasmem!

Portanto, diante desse quadro, moralmente insustentável, desafio o governo estadual a sair de sua inércia e aderir urgentemente ao Plano Juventude Viva do governo federal, uma vez que  essa iniciativa da SEPPIR prioriza o combate à violência contra a juventude afro-brasileira. O estado de Alagoas que ocupa  o primeiro  lugar nas estatísticas de mortes brutais contra a nossa juventude negra já aderiu a este plano, levando-o  para as cidades de Arapiraca, Marechal Deodoro, União dos Palmares e Maceió.Vale frisar que, essa omissão aqui denunciada não vem só de setores do governo estadual, visto que no ano passado enviei vários E-mails para o NEAB-Í da UEPB para que incluísse debates e palestrar sobre essa temática no seu Encontro Nacional de História e Cultura afro-brasileira, mas não fui atendido, o que demonstra que muitos acadêmicos no Brasil só querem saber do negro quando é para enriquecer o seu currículo lattes. Por que o NEAB-Í não apresenta um projeto de cotas raciais na UEPB, como forma de combater essa violência enfrentada pela juventude negra?

Deixando as omissões do NEAB-Í da UEPB de lado. O Governador Ricardo Coutinho ainda “esqueceu” e preferiu passar por cima das deliberações das Conferências Estaduais e Nacionais de Promoção da Igualdade Racial, já que sempre foi bandeira do Movimento Negro Brasileiro a criação de secretarias voltadas especificamente para combater o racismo. O CEPIR-PB também, estranhamente, desprezou e tratou com indiferença todos os eventos que aqui citei, já que não vimos a presença de representantes desse conselho que vem se mostrando bastante omisso e descompromissado com o genocídio enfrentado pela nossa juventude negra. Quando é que o CEPIR-PB vai debater o genocídio da juventude negra com a sociedade paraibana, como o Movimento Negro de Campina Grande fez e faz com muita competência e organização?

O CEPIR-PB, lamentavelmente, só entrou em funcionamento depois que fiz uma denúncia formal junto à ouvidoria da SEPPIR e depois que membros do FOPPIR protestaram na frente da Ministra Luiza Bairros quando ela esteve aqui no ano passado para proferir palestra no mês de março. Confesso aqui que ao renunciar o cargo de conselheiro titular deste órgão de controle social e combate ao racismo não me arrependo de nada, já que o tempo passou e a história acabou me dando total razão: o CEPIR-PB ainda não disse para o que veio.

Gostaria de justificar o motivo de não acreditar nessas propostas mentirosas e demagógicas para a juventude negra defendidas em campanha eleitoral pelo senhor Ricardo Coutinho. Ora, se não tiver pressão e  cobrança política permanente do CEPIR-PB, bem como das diversas entidades negras que não foram cooptadas pelo governo Ricardo Coutinho será muito difícil avançarmos na equidade racial. Não acredito, particularmente, por morar num bairro que já foi um lixão de Campina Grande e onde não se tem rede de esgotamento sanitário, muito menos políticas públicas na área de lazer, esporte, emprego, educação e cultura para nenhum  jovem negro morador do Bairro das Cidades. Nesse lugar periférico onde moro 70% de seus moradores são afrodescendentes. Cadê o Governador que não resolve a falta de saneamento básico do Bairro das Cidades?

Com relação ao encontro que tive com o cabo eleitoral do atual Governador Ricardo Coutinho. Percebi bem depois que o referido material de campanha continha várias propostas para a juventude  pobre e excluída  historicamente das políticas públicas, incluindo aí a juventude negra. Neste material intitulado juventude 40 em que Ricardo Coutinho apresenta os seus ”40 compromisso com a juventude” nós podemos encontrar aquele velho discurso que jamais saiu do papel e que revela o quanto seu governo vem tratando com descaso e indiferença o extermínio da juventude negra. Por exemplo, na proposta de número 12 há uma clara intenção de debater com a sociedade políticas afirmativas na área da educação. Se esse governo estadual, na verdade, quisesse propor políticas educacionais não racistas como Ricardo Coutinho prometeu nesse ponto voltado para juventude, em primeiro lugar, ele teria que convocar as entidades negras e NEABÍs que carregam uma larga experiência pedagógica para tirar do esquecimento as Leis 10.639\03 e 11.645\08, coisa que não fez. No ano de 2011 houve uma capacitação para 9 mil professores, capacitação esta, que foi realizada por professores e professoras da Universidade Estadual da Paraíba e fiquei sabendo que nessa formação não se tocou nas Leis 10.639\03 e 11.645\08, segundo um integrante do próprio Movimento Negro de Campina Grande  que leciona português numa escola da Rede Estadual.

Essa capacitação, a nosso ver, era o momento pedagógico ideal para a Secretaria de Educação do Estado inserir palestras e curso de formação com um dos maiores especialistas e guerreiros nessa luta pela introdução das africanidades no ensino básico- o professor Henrique Cunha Júnior. Poderia ter sido, também, um momento certo para que a Doutora em Filosofia da Educação Sueli Carneiro ensinar a filosofia dos povos africanos e o combate ao racismo no espaço escolar. Enfim, teria sido uma ocasião maravilhosa para que Nei Lopes, Vilma Reis, Jaime Sodré, João Jorge do Olodum, Severino Lepê, Nilma Lino Gomes, Éle Sémog, Carlos Moore, Kabengele Munanga, Joel Rufino dos Santos, Cuti, Eliane Cavalleiro, Narcimária Luz, Elisa Larkin Nascimento, Petronilha Beatriz, Maria de Lourdes Siqueira, MakotaValdina e Mãe Stella de Oxóssi   pudessem nos ajudar nessa luta para descolonizar esse currículo tão racista, sexista e eurocêntrico que se tornou hegemônico no dia a dia dos  professores e alunos da Paraíba.

Se o Governador quisesse cumprir com a Lei 10.639\03, ele poderia contratar as educadoras do Olodum como a Coordenadora Pedagógica Mara Felipe, pois como sabemos essa entidade do Movimento Negro Brasileiro criou a Escola Criativa Olodum, em 1984, uma escola que tem toda uma longa e bela tradição em ensinar com extrema organização e competência a História da África e Cultura Afro-brasileira para crianças e adolescentes do Maciel Pelourinho (vide a série da Coleção Olodum Griô publicada pela Editora Olodum). Poderia contratar educadoras do porte intelectual de uma Ana Célia da Silva e Arany Santana do Afro Ilê Aiyê de Salvador, uma vez que essas duas grandes educadoras negras são referências nacionais de luta contra o racismo no campo da educação, assim como na construção de uma pedagogia de valorização do nosso pertencimento étnico-racial na cidade de Salvador.

A Escola do Ilê Aiyê Mãe Hilda criada em 1988, nesse contexto, serviria como um excelente modelo a ser copiado e seguido por todos nós que estamos percebendo que a tarefa de implantar essa Lei 10.639\03 não vem sendo levado a sério pela equipe técnica da Secretaria de Educação do Estado. A maior prova desse descaso e falta de cuidado pedagógico com a Lei 10.639\03 na Paraíba foi o curso on-line na área de educação das relações étnico-raciais oferecido pela Secretaria  de Educação do Estado. Ouvi de muitos educadores (as) que o tal curso não era de boa qualidade e que diversos educadores desistiram.

Lamentavelmente, como todo mundo sabe ainda há muitos gestores escolares e educadores(as) que desconhecem as Leis 10.639\03 e 11.645\08 na Rede Estadual de Ensino, bem como os conteúdos das Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação das Relações Étnico-Raciais e Para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Além do mais, posso afirmar com conhecimento de causa que poucas escolas estaduais receberam livros de História da África e Cultura Afro-brasileira. E, digo isto com base na minha monografia de conclusão do Curso de Licenciatura Plena em História quando tive que passar um questionário  para vários educadores e por ter palestrado em diversas escolas do estado, o que me levou a descobrir o que empiricamente a militância negra já sabia há muito tempo, ou seja, acabei constatando o quanto a Lei 10.639\03 foi tratada com o mais puro descaso no primeiro governo do Cássio Cunha Lima e que essa realidade ainda continua no atual modelo de educação implantado pelo governo Ricardo Coutinho.

Para comprovar esse descaso histórico posso citar, por exemplo, o caso dos livros da Coleção A África está em nós que foram comprados no governo Cássio Cunha Lima e que caíram no esquecimento nas bibliotecas de várias escolas estaduais, tendo em vista que os educadores(as) não foram capacitados na gestão do seu ex- Secretário de Educação Neroaldo Pontes para compreenderem a importância desses conteúdos no combate ao racismo e, por conseguinte, no respeito às diferenças étnicas  e na desconstrução de estereótipos racistas que incidem com maior grau em cima da nossa juventude negra. O próprio relatório da II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial não foi levado em consideração na época, já que nesse documento havia a ideia de criação de um comitê gestor para fiscalizar e monitorar a aplicação da Lei 10.639\03 nas escolas da Paraíba. Lamentavelmente, a ideia nunca saiu do papel e isso só reforça o que venho defendendo nesse texto: o descaso ainda prevalece quando se trata de implantar políticas públicas para favorecer a raça negra.

Infelizmente, esse descaso supracitado se repete no governo do senhor Ricardo Coutinho para nós que lutamos arduamente pela igualdade racial no campo da educação. No site do governo estadual vi que estava previsto a distribuição de 300 kits do Projeto Cor da Cultura num universo de 806 escolas. Detalhe: como os kits do Projeto Cor da Cultura não chegaram em  todas as escolas estaduais vai ter escola que se precisar terá que pedir emprestado para outra escola, acredito eu. Também temos que lembrar que poucos foram os educadores que participaram das capacitações organizadas pela Gerência de Ensino em Campina Grande. Faço essa denúncia pelo fato de ter sido chamado de última hora pela Terceira Gerência de Ensino, o que me levou a não palestrar mesmo tendo ido ao local da palestra, pois entendi naquele momento que a minha história de luta contra o racismo e pela implantação da Lei 10.639\09 no estado da Paraíba estava sendo desrespeitada.

O governo do senhor Ricardo Coutinho “parece” não saber que já fiz palestras sobre a Lei 10.639\03  nos municípios de Cuité, Cabaceiras, Ingá, Esperança, Sumé, Puxinanã, Monteiro, Remígio, Juarez Távora, Conceição do Piancó e Alagoa Grande. Não sabe que  fiz palestras em Salvador e no estado de Alagoas e que  vários textos de minha autoria  tem sido publicados em sites de diversas entidades  de luta contra o racismo , tais como: Agência Afro Latina Euro Americana de Informação, CONEN-Ba, Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, Geledès, Ceafro da UFBa, Correio Nagô, Tambores da Liberdade, etc. Não sabe do meu pioneirismo e protagonismo nessa luta pela introdução de conteúdos afro-brasileiros em sala de aula, uma vez que em 1991 comecei a minha militância fazendo palestras sobre consciência negra, racismo e abolição para alunos e professores do Colégio Estadual Elpídio de Almeida- o conhecido gigantão da Prata. E que idealizei os primeiros cursos de História da África e Cultura afro-brasileira nas escolas Virgínius da Gama e Melo e Padre Emídio Viana, levando para essas escolas estaduais sérios estudiosos (as) e pesquisadores (as) da africanidades no mundo acadêmico paraibano, a exemplo das professoras da UEPB Cristiane Nepomuceno, Idalina Santiago e dos professores José Pereira de Sousa Júnior e Luciano Mendonça de Lima. Também idealizei e coordenei o I Seminário Municipal de Combate ao Racismo na Educação, um evento feito em 2006 com a Prefeitura de Campina Grande e que contou coma presença de  estudiosos das africanidades da Paraiba: Luciano Mendonça de Lima, Josemir Camilo, Solange Rocha e Antonio Novaes.

Nesse ano de 2006 Ainda tive tempo para fazer parte da organização da I Jornada Pelo Cumprimento da Lei 10.639\03 ao lado de Luciano Medonça de Lima, Sizenando Leal e Virgínia Passsos do Grupo de Capoeira Luanda. Também fui um dos responsáveis pela organização do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha  quando no ano de 2006 lançamos a coleção de livros A África está em nós, em parceria com a Pastoral Negra e Prefeitura de Campina Grande. E para refrescar a fraca memória do Governo estadual organizei os primeiros eventos e debates em torno da consciência negra no já extinto Centro de Educação da UEPB, onde o senhor Ricardo Coutinho foi um dos palestrantes numa mesa redonda sobre cotas nas universidades, no ano de 2002.

Talvez, o governo estadual por não “saber” e não respeitar também a minha luta incansável pelo cumprimento das Leis 10.639\03 e 11.645\08, preferiu ignorar a audiência feita pelo Ministério Público da Paraíba no tocante ao descumprimento dessas Leis. Não compareceu nenhum técnico da Terceira Gerência de Ensino para prestar contas do que o governo vem fazendo para cumprir com essas leis aqui mencionadas, apesar do relatório do MP ter revelado o alto grau de racismo praticado contra nossas crianças e adolescentes afrodescendentes nas escolas estaduais, municipais e particulares de cidades como Lagoa Seca, Boa vista e Massaranduba.

Com relação ao Projeto Cor da Cultura a responsável por fazer a capacitação em história e cultura afro-brasileira para os professores da Rede Estadual de Ensino  em Campina Grande é a pedagoga Francisca Bento. Essa “educadora” chegou nesse cargo por apadrinhamento político e não por competência e mérito através de concurso público. Posso dizer que ela não tem o menor compromisso e competência para atender aos desafios pedagógicos exigidos pela Lei 10.639\09, tendo em vista que na UEPB  convivi com  ela quando estava cursando Especialização em História e Cultura Afro-brasileira e essa “educadora” sempre tratou com descaso e indiferença todos os eventos organizados pelo MNCG para a implantação das Leis 10.639\03 e 11.645\08 e, por outro lado, jamais quis mobilizar os(as) professores para participar de atividades com renomados estudiosos da História da África e cultura afro-brasileira, como o professor Carlos Moore e o Presidente do Olodum João Jorge. Ela ignorou, também, a I Jornada de Educação Afro-brasileira e Indígena feita em parceria com o SINTAB, assim como fez com o Projeto Agosto Para Igualdade Racial quando tivemos a presença de palestrantes da Bahia, Brasília, Pernambuco e de João Pessoa.

Enquanto prevalecer esse criminoso descaso com a implantação das Leis 10.639\03 e 11.645\08 na educação paraibana, temos mais é que cobrar as promessas de campanha de quem disse que iria propor políticas educacionais não racistas para a educação do povo paraibano. Quantos livros de História e Cultura Afro-brasileira e Indígena foram comprados pelo atual governo estadual? Quantos professores já foram capacitados para trabalhar com as Leis 10.639\03 e 11.645\08 em sala de aula? Por que o Dia Nacional da Consciência Negra continua sendo esquecido na maioria das escolas estaduais? Por que o Dia Estadual da Cultura Afro-paraibana ficou restrito à cidade de João Pessoa, na programação elaborada pelo governo estadual no Bairro de Mangabeira no ano passado? Por que a o governo estadual exclui Campina Grande da programação voltada para o Dia Nacional da Consciência Negra?

Na verdade, apenas o Governador Ricardo Coutinho que ignora o extermínio de nossos jovens afrodescendentes pode responder a essas indagações, pois na sua campanha eleitoral ele dizia na proposta de número 20 para a juventude, que iria enfrentar essa questão do genocídio de jovens negros estabelecendo políticas afirmativas para a juventude negra. Quando é que essa promessa vai sair do papel?

 

 

JAIR NGUNI – HISTORIADOR E MILITANTE DO MOVIMENTO NEGRO DE CAMPINA GRANDE HÁ 22 ANOS.

jun
14

 Por Jair Silva

UMA LIÇÃO QUILOMBISTA PARA AS TVS PARAIBANAS

Essa denúncia que fiz abaixo contra a TV Paraíba e que faz parte do Blog do FOPPIR continua mais atual do que nunca, pois no mês de março tivemos o Dia Internacional de Luta Contra o Racismo e a TV Paraíba não trouxe nada sobre as lutas do movimento negro para promover a igualdade racial na Paraíba, apesar dos meus constantes pedidos pra que essa emissora cumpra com sua função social, cultural e educativa como recomenda a Constituição Federal. Lamento e deixo aqui o meu repúdio contra esse tipo de jornalismo sem democracia e que tenta a todo custo invisibilizar as lutas dos quilombolas e dos diversos movimentos negros do estado da Paraíba. A TV Paraíba, na verdade, foi mais uma vez omissa e desrespeitosa com o Movimento Negro de Campina Grande e com várias entidades sindicais e acadêmicas que foram para o MP debater o que esta TV e outras emissoras de televisão preferiram ignorar: o racismo que humilha nossas crianças negras nas escolas.

Felizmente, os NEABIS, SINTAB, ADUEPB, UFCG e UFPB que estavam no MP para nos apoiar, uma vez que entenderam que o Brasil tem uma grande dívida histórica com o povo negro e que a educação eurocêntrica precisa mudar, valorizando o africano e afro-brasileiro ao lado dos indígenas que construíram este país, embora a TV Paraíba tenha negado ao  povo paraibano o direito de conhecer essas verdades que foram debatidas com muita seriedade e dignidade por todas as entidades que foram convocadas pelo Ministério Público da Paraíba. Entidades que, a nosso ver, entenderam que temos que somar forças para promover a igualdade racial e eliminar o racismo dos espaços da educação paraibana. Essa TV que não é da Paraíba dos meus sonhos palmarinos deveria aprender essa lição quilombista e ser mais compromissada socialmente com a educação do povo paraibano, tendo em vista que essa empresa para existir precisa de uma concessão estatal e cobrir uma Audiência Pública como essa organizada pelo MNCG e MP deveria ser um dever ético de qualquer canal de televisão que se propõe a servir a população. No mais, também devo estender as minhas críticas neste texto as TVs Correio, Borborema e Itararé.

            Por fim, quero dizer ainda que a Audiência Pública feita pelo Ministério Público da Paraíba para mostrar ao povo paraibano a pesquisa que constatou o alto grau de racismo enfrentado pelas crianças e adolescentes negros e o descumprimento da Lei Federal 11.645\08 nas escolas municipais, estaduais e particulares de Campina Grande, Lagoa Seca, Massaranduba e Boa Vista vai ser divulgada e que vamos fazer desse documento do Ministério Público da Paraíba uma grande bandeira de luta pela promoção da igualdade racial, pois Zumbi dos Palmares nos ensinou que somos fortes e não será uma TV com cara e alma de Domingos Jorge Velho que irá apagar a raça negra e suas gloriosas lutas antirracistas da memória do povo paraibano. E como diz o Afro Ilê Aiyê de Salvador: “eles pensam que pode apagar nossa memória. Não desisto, pois eu sou um negro quilombola.”

 

Jair Silva- Historiador, Coordenador do Movimento Negro de Campina Grande e aluno do Curso de Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira da UEPB.

 

Quarta-feira, 1 de abril de 2009-BLOG DO FOPPIR.

Ativista do Movimento Negro de Campina Grande denuncia boicote midiático.

 

O ativista e estudante de História da UEPB Jair Silva divulgou recentemente um email enviado à redação da TV Paraíba (redacaocg@paraiba.tv.br), em Campina Grande, onde reclama do boicote que o movimento negro local sofre em relação às sugestões de pautas enfocando questões raciais. Todos sabemos do silenciamento que a mídia paraibana impõe às questões de raça e etnia. A carta de Jair é apenas mais uma comprovação deste fato. Vejam a íntegra do email de Jair Silva abaixo:

“O dia 21 de março foi uma data criada pela Organização das Nações Unidas, pois ela lembra o assassinato de 70 negros que lutavam contra as leis racistas do apartheid no ano de 1960. Por conta deste grande massacre racial, a ONU, em 1966, instituiu o Dia Internacional de Luta Contra o Racismo que não mereceu respeito e atenção de vocês, apesar do Movimento Negro ter feito diversas palestras nas escolas e de ter ligado várias vezes para pedir uma matéria sobre o racismo na sociedade campinense. Entretanto, o cachorro rabicó foi a grande manchete de vocês na semana internacional de luta contra o racismo. Além do mais, o povo paraibano aprendeu com o jornalismo “sério e compromissado com a verdade” da TV Paraíba a fazer um cuscuz paulista e como se fazer unhas bem feitas. Enquanto a TV Paraíba educava o povo para fazer unhas bem feitas, a raça negra e suas lutas contra o racismo na Paraíba não apareceu em nenhum telejornal desta competente empresa. Parece que a TV Paraíba não sabe dos dados que envergonham a “democracia racial” das elites racistas: de cada 10 brasileiros pobres, os negros são seis, sem esquecer que de cada 4 brasileiros que a polícia mata, três são afrodescendentes. Por outro lado, gostaria que o jornalismo da TV Paraíba mostrasse a vida do grande escritor negro Machado de Assis e que a Escola Politécnica da USP foi criada pelo etnólogo e geógrafo negro Teodoro Sampaio. Mas, acredito que esse tipo de assunto não interessa, pois o negro para as elites só podem aparecer se for nos noticiários policiais e sambando no carnaval. Portanto, coloco-me à disposição da TV Paraíba para debater o apartheid brasileiro e colaborar para que os meios de comunicação conheçam a história do dia 21 de março, pois a TV Paraíba vive num estado onde mais de 60% das pessoas são de origem africana e esta grande massa negra conta com militantes cultos e dignos que trabalham pra fazer do Brasil um país justo e igualitário como um dia Zumbi dos palmares queria para o nosso povo, apesar da TV Paraíba não ter nenhuma Wanda Chaise como apresentadora.Axé!”

 

Jair Silva- Historiador, Coordenador do Movimento Negro de Campina Grande e aluno do Curso de Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira da UEPB.

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