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Por Jamile sodré

“Moda é a tendência de consumo da atualidade. A moda é composta de
diversos estilos que podem ter sido influenciados sob vários aspectos. Acompanha o vestuário e o tempo, que se integra ao simples uso das roupas no dia-a-dia. É uma forma passageira e facilmente mutável de se comportar e sobretudo de se vestir ou pentear.”

A influência da cultura africana é estampada nas cores, formas e estilo da moda atual afro-brasileira. Isso pode ser observado na utilização de
tecidos coloridos, tecidos africanos, ou mesmo agregando nessa moda, artefatos regionais, como a renda e o bordado. Falar de uma moda afro é tentar sintetizar parte de uma cultura muito rica e vasta. Construímos então uma moda afro-brasileira, onde a cultura regional também nos influencia.

Um grupo é identificado pelas suas vestimentas, seus costumes, sua cultura. Criando assim um estilo próprio. A valorização desse estilo é resultado da nossa política de afirmação. Sim, moda também é uma ferramenta importante pra nossa identidade.

 

Exportamos para ruas, elementos da nossa religiosidade afro-brasileira, sem que pra isso perdessem seu valor sagrado, sendo preservados no seu espaço religioso. Isso é feito utilizando uma releitura dessas peças, como é caso por exemplo da utilização das batas. O nome é o mesmo, mas não é mesma bata que utilizamos nos momentos ritualísticos. Tem semelhanças de formas e cores. Podendo combinar essas batas não ritualísticas, com saias curtas ou mesmo com jeans do dia-dia.

Não se pode falar de moda afro ou afro-brasileira, sem citar umas das pioneiras desse segmento na Bahia, Saraí Reis, que vestia alguns integrantes do então Movimento Negro Unificado, recentemente, ela tem a loja Ifá Veste. Um dos trabalhos atuais dela como figurinista foi o figurino da peça Bença, do Bando de Teatro Olodum, por sinal lindíssimo.

Contemporânea de Saraí é Goya Lopes, que criou a grife Didara. Goya utiliza nas suas coleções estampas com grafismos inspirados pela moda afro-brasileira. Sua exclusividade vem da técnica de aplicação dessas estampas no tecido de malha.

Atualmente, temos Mônica Anjos, Madá Preta, com a Negrif, Najara com a N´Black , Eu mesma em parceria com Edson Santos, com a Bettume e tantas outras, inovando e preservando nossas raízes. Pode até parecer paradoxal, mas é na verdade uma força que a moda afro-brasileira possui, saber respeitar suas referências, modernizando seus conceitos. Outra marca desse estilo é compartilhar um com outro, como se diz na gíria “tamu junto”.

 

Lembro que pra mim essas referências foram latentes e definiu meu caminho profissional, um fato curioso foi que eu fazia designer gráfico e iria me confirmar Makota* na religião do Candomblé. Uma amiga me apresentou Mônica Anjos, que fez minha roupa da confirmação, sim uma
estilista fez minha roupa desse importante momento. E meu primeiro vestido pós-confirmação foi um branco de Goya Lopes. Mônica tinha acabado de ser formar em moda e conversando com ela pude ver que eu me identificava muito com a moda e que a moda estava mais perto do que eu podia imaginar.

A gente faz moda desde pequenininha(o).
fonte: Wikipédia-Enciclopédia Livre

*espécie de irmã mais velha que cuida da ritualistica e de elementos da Religião do Candomblé de origem Bantu.
Jamille Sodré, Designer de Moda & Produtora de Moda.Sócia – Designer da Bettume, Moda de Estilo.

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49 Comentários para “Moda Afro-brasileira – Designers, Estilistas e Modistas.”

  1. Vilma Neres disse:

    Gostei do texto, rende uma série com enfoque no perfil e trajetória das(os) estilistas e designer de moda, de quem faz e pensa a moda afro aqui na Bahia. Tem também o Renato, da grife Katuka (não sei se é com . Forte abraço, Jamile.

    • Jamille disse:

      Vilma, iremos dar continuidade sim, valeu a dica!Pois é infelizmente não dá pra comportar no artigo todo mundo, teve gente que ficou de fora, mas iremos pesquisar mais e contemplar esses.Obrigada.

  2. Pat Lins disse:

    Adorei! Parabéns!!!

  3. Parabens pelo artigo Jamille ele é de fato bastante esclarecedor e nos leva a pensar na importância de afirmar em nossa aparência o orgulho de sermos preto e ricos em nossa cultura.
    AXÉ

  4. Carla Akotirene disse:

    Preciosa Jamile, Parabéns pelo trabalho!

    Esse seu dom enaltece muito a nossa ancestralidade. E tão boa essa sua atitude política de referendar outras mulheres da moda afrocentrada. É, seus passos vem de longe.
    Muito sucesso e continue sendo esta mulher talentosa, de alma e tecidos iluminados.
    Gostei demais do artigo.
    Axé!

    • Jamille disse:

      oh flor, que lindo isso, sabes que faço com dedicação e carinho e em homenagem a nossa ancestralidade…gostei disso :” alma e tecidos iluminados”.
      Axé Carlinha

  5. Celiane disse:

    FANTÁSTICO!
    PUT’Z ADOREI ISSO…ADORO O TEMA “ÁFRICA”…
    Sou apaixonada por esse continente…pena que não conheço
    PARABÉNS JAMILLE SODRÉ! Belas crianções…bj

    • Jamille disse:

      Celiane, as boas energias são bem -vindas sempree!
      Sentir o continente é bom tbm.Esse espaço do Tambores tá muito bom.
      obrigada.bj

  6. Maria Fernanda disse:

    Viva Mile!! Parabéns pelo artigo e por difundir tão bem uma parte tão importante da nossa cultura!
    beijão

  7. Jamile, minha preta, parabéns pelo lindo trabalho. O artigo é maravilhoso.

    Á medida que nos vestimos e nos identificamos enquanto descendentes de africanos, tentamos amenizar a dor que sentimos pela pouca identificação com essa terra que vivemos. Os africanos quando chegaram aqui sofriam com a depressão (banzo) por não se identificarem com os hábitos e ambiente, pela falta da família (que havia ficado na África ou morrido no navio negreiro durante a viagem) e por ter sido rebatizados com os sobrenomes de seus donos o que tirava suas identidades originárias, o que se chamou mais tarde, na antropologia, de desafricanização.
    Então é importante também frisar ideiais panafricanistas nessa nossa forma de vestir. A moda afro, como você mesma destacou, é uma forma de afirmar nossa religiosidade e eu acrescentaria que é uma forma de retornarmos á África, uma forma de remediar o banzo, um instrumento facilitador de identificação dos nossos e uma forma deliciosa de demonstrar auto-estima.

  8. Patrícia Sodré disse:

    Prima, que primor.
    Além da produção é importante gritar aos quatro ventos que a gente ta se movimentando, que tá fazendo arte, que é de negro, que é bonito e que tem referência.
    Fiquei feliz em te ler. Parabéns!!

  9. josi paim disse:

    Massa Jamile,
    também acho que moda é afirmação. O jeito como curtimos e transamos nosso cabelo, isso é moda e política, pra mim..tem que ser.
    Parabéns pelo artigo!

  10. Jamille Sodré disse:

    Pessoal adorei as mensagens, estou muito feliz com a repercussão desse artigo, e principalmente do tema Moda Afro. Sintam-se todos abraçados e agradecidos, infelizmente não estou podendo responder cada um, então deixo aqui meus votos de mais e mais luz, saúde e alegria no nosso caminho…e esperem o próximo…e espero que gostem. :)

  11. Luanda disse:

    Faltou eu aqui, Mas acabei de chegar.
    Primeiro quero registrar o meu orgulho em usar BETTUME roupa de ORGULHO PRETA(O)
    É de extrema importância essa demostração das qualidades de vestes que temos e como essa roupa e seus diversos estampados nos eleva a auto estima e estimula a busca do conhecimento sobre a positividade da nossa historia, das nossas ancestralidades, Chega de pensar em buscar conhecimento com conotação prejorativas, depresiativas. Samos pretos lindos alegres de do candomblé. AXÉ Orixá Wúrà!

  12. Rosana Chagas disse:

    Belo trabalho Jamile,
    Seu texto é um verdadeiro exemplo da filosofia Adinkra, Gana, inscrita no símbolo do Sankofa. Raízes! Gosto do seu texto porque você sabe de onde vem, sabe o que movimenta o seu criar, seu inventar o seu fazer moda. Parabéns por construir esta história sem esquecer da contribuição daquelas mulheres que vieram antes e que acreditaram na força e no valor de seus trabalhos. Aqui no Rio, ali e acolá, também vemos a força da moda baseada na cultura africana, na cultura afrobrasileira marcando o seu espaço.
    Valeu!!!!!!!!

  13. Bih Buente disse:

    Adorei o artigo! Parabéns, Bjo!

  14. Totti disse:

    Jamille,

    Parabens…o texto esta’ muito bem escrito! Eu sou um admirador do seu trabalho.

    O assunto me interessa bastante em outros sentidos. No meu texto “A Africa nao e’ uma laranja” chamo atencao e cito a necessidade da Diaspora (descendentes de africanos) em mostrar um interesse mais profundo sobre o continente africano, seus rituais e costumes. Aprender a historia da africa tradicional e contemporaria e’ muito mais importante do que motivos economicos.

    Vamos sim entrar na moda e fazer da moda a nossa consciencia negra!

    Estou confidente que nao sao as suas intencoes e que e’ uma estudante da cultura Africana em todos os aspectos.

    Aguardo ansiosamente pelo seu proximo artigo.

    Kandandu (abraco)
    Totti

  15. Michel Chagas disse:

    Que bom que este mercado esta se expandindo tanto do lado da oferta quanto da demanda também. Assim vamos ter disponíveis diversos adereços para completar nossa beleza ou expressar nosso style ;-)
    Parabéns e vamos prosseguir na missão.

  16. Zezé Olukemi disse:

    Inicialmente te parabenizo pela belíssima matéria. Esta que possibilita fazer uma analise do quanto a influência dos vários elementos que compõem as religiosidades afro-brasileiras, são um viés quase que indispensável para se pensar o jeito particular de nos vestirmos. Também analiso a partir do seu texto que a transposição e releitura destes elementos sagrados, e fundamentais podem ser transferidos para o meio social comum de uma forma que, apesar de cheios de significados, não compromete o que temos de mais profundo dentro da nossa liturgia, assim saindo do terreiro e levando para as ruas e popularizando estas linguagens sem abrir as portas do segredo que nos manteve e nos mantêm vivos e orgulhosos da nossa matriz, fortificando um elo que nunca foi perdido através da mais plena manifestação panafricanista.

    “fazemos moda antes de nascer” (rsrs)

    A dupé omo Ewa!

  17. Luciane Reis disse:

    Kede,sucesso…Estou agora produzindo uma matéria sobre o tema e pensando o quanto os estilistas tradicionais não leva em conta a realidade do corpo negro.beijos

  18. Anna Paula disse:

    Tem muita gente boa trabalhando o tema, e a valorização de nossa cultura. No Rio de Janeiro tivemos em Janeiro um desfile no Fashion Business da grife África Universal, depois deem uma olhada http://www.africauniversal.com.br e no youtube o desfile, espero que gostem. Abraços a todos.

  19. Rosana Aparecida Treml disse:

    Olá, parabéns aos organizadores da página. Estive pesquisando na net, materiais que me dessem um norte para escrever minha monografia em História, Arte e Cultura. Tenho verdadeira paixão pela África. Encontrei a página de vocês com uma pitada apenas de gostosura e quero me aprofundar. Se puderem me ajudar, indicando site, estilista que gostariam de ter seus trabalhos com ênfase africana, descritos, analiosados, historicizados. Modelos negras(os). Percebi que há pouca coisa escrita. Assim pode ser que num futuro próximo eu possa colbaorar, escrevendo e disponibilizando na internet algo mais sobre a moda mulher negra/homem negro brasileira(o)/africana(o).

    • tamboresdaliberdade disse:

      Rosana,

      entre em contato com a nossa colunista Jamile Sodré, tenho certeza que ela ficará feliz em compartilhar conhecimentos com você. Axé!

  20. Maria Izabel Nascimento Muller disse:

    Estou me realizando vendo aquilo que sonhei se tornando realidae.Parabens
    Abcs. Izabel

  21. naty disse:

    nossa parBENS QUE COISA MARAVILHOS TECIDOS INCRIVEIS
    PRABENS A TODOS

  22. débora de medeiros disse:

    oi minha linda . deixa eu te perguntar sua moda vc vende em algum lugar ? ou os tecidos ?
    Logico com um preço razoável pois sou brasileira e vivo de salario minimo . bjs

  23. Ndjha disse:

    Cada pano, uma viagem!

  24. Monteiro disse:

    POr favor me envie o endereço de voces no Rio , vou passar uma semana e pretendo comprar algo em sau loja

  25. Fernanda Costa disse:

    AHAHAHAHAHHA BARATA CORREDORA PERSEGUIDA AHAHAHA

  26. vanessa souza hh disse:

    e lindo o vestido
    acima

  27. viviana alves da silva disse:

    adorooooooooooooooooooo essa tendensia do veraoooooooooooooooooooooooooooooooooooo

  28. suzi disse:

    Muito bom esse site ,me ajudou muitoooo,valeuu!

  29. Bruna Soares disse:

    PARABENS JAMILE!!! AMEI!

  30. sarah disse:

    tenho 11 anos tenho um desfili para ir nu meu colegio mas nao tenho roupaz dese tipo querro aprende como cria com as roupas do dia a dia em moda afro urbana? bjs muinto obrigado<3!

  31. andresa vitoria disse:

    Ola ! Gostaria de saber se vcs produzem modelos sob encomenda!

  32. Eunice disse:

    Vcs vendem tecidodos?

  33. maria jose de araujo disse:

    Ola Meu mone e Maria sou aluna do curso tecnico de estilismo e coordenação de Moda do Senac , Ribeirão preto São Paulo
    E estou criando o meu Tcc gostaria de falar um pouco sobre a cultua afro e poder criar looks ,se vc pode me ajudar dando ideias sobre o assunto.
    Desde já meu muito obrigado

  34. Maria Aparecida dos Santos disse:

    Oi Jamile sou da cicace de Botucatu e temos uma Associação voltada á cultura negra e procuro tecidos com temas africanos para montar nosso figurinos se vc poder nos ajudar . Gostaria de saber mais com quanto custa, formas de pagamento e toda a informação que vc tive
    Obridado e fico no aguarde

  35. andressa danna disse:

    eu sou de uma cidade pequena e aqui moda nao e o forte como se vestir

  36. Nazly disse:

    OI, eu estou precisando uma desenhista de roupas para assistir num evento em Colombia. Por favor enviar contacto, obrigada.

  37. Éder Júnior disse:

    Muito bom, graças a voces consegui fazer meu trabalho !!!

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