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Por Jaime Sodré

Jaime SodréO QUE É ABLAR?

Sob a sonora ritmia da competente bateria da escola de samba, cantava o intérprete: “Sonhar não custa nada…”. Motivado, exercerei esta possibilidade. O ambiente de convivência em um terreiro de candomblé é um polo gerador de um amplo conhecimento, sobre várias temáticas. Além dos ensinamentos teológicos iniciáticos, testemunha-se uma importante produção literária realizada por fiéis do candomblé, contribuindo para a qualificação e o enriquecimento da produção nacional intelectual, com um material por vezes de caráter científico, romances, contos etc.

Lembro-me do que dizia uma sábia, respeitada e querida Ebomi, quando indignada e atingida por expressões grosseiras, estas emitidas por intolerantes que no auge da sua ira diziam: “esses negros do candomblé são macumbeiros, feiticeiros, analfabetos e ignorantes”. Em defesa do povo de santo ela dizia: “somos negros com orgulho e dignos religiosos, mas não somos analfabetos, dominamos a língua aqui falada, pois sabemos nos comunicar, e mais, para o nosso maior orgulho somos ‘trilíngues’, pois para o exercício religioso devemos dominar as línguas africanas: o yorubá, o quimbundo e o ewe, aplicadas nas rezas, cânticos e invocações. Quanto à ignorância, esta, está em quem fala”.

Sem mencionar o repertório estético, nas danças, nos ritmos, na mitologia, na culinária, na fitoterapia dentre outros, podemos concluir ser o espaço sagrado das expressões de matriz africana uma espécie de Academia. O emérito professor Edivaldo Boaventura define a Academia como “um corpo de pesquisadores que convive para estimular a geração e disseminar o conhecimento”, socializando os resultados. Neste contexto encontramos “conceitos, práticas, instrumentos, saberes, métodos e processos que habilitam a contribuir para a gestão do conhecimento”.

No âmbito da “Academia Candomblé”, localizamos exemplos de intelectuais, iniciados, com importantes contribuições no campo do conhecimento, principalmente sobre esta matriz. Incentivado por esta realidade alvissareira, com o tom de homenagem e bom humor, apresentamos a ABLAR – ACADEMIA BAIANA DE LETRAS AFRO RELIGIOSA. O intuito é listar nomes que primam por este fazer, colocando à disposição dos interessados.

Perdoem, lembro-me de alguns, e deixo espaços para outros que você, leitor, poderá enviar ao blog “Tambores da Liberdade”. Na minha modesta lista temos: Cecília Soares (Iyalorixá do terreiro Maroketu) – Mulher negra na Bahia no século XIX,  Valnízia Pereira Bianch (Iyalorixá do terreiro do Cobre) – Resistência e fé, Aprendo ensinando, Júlio Braga (Babalorixá do Ilê Oyá Tundé) – Jogo de Búzios, Na gamela do feitiço, O antropólogo na encruzilhada, e outros, Vilson Caetano Júnior (Babalorixá do Ilê Obá L´Okê) – Nagô, a nação dos ancestrais itinerantes, Valdina Pinto (Makota do Tanuri Junçara) – Meu Caminhar, meu viver, e a distinta acadêmica Mãe Stella.

Esperamos ampliar esta lista, acrescentando autores e autoras dos mais diversos estágios escolares, que têm como caráter particular, igualmente da sua produção literária dentro dos mais diversos estilos, também a sua filiação na condição de iniciado junto às expressões religiosas de matriz africana.

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