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Moda no Mundo Afro

jul
1

Por Jamile Sodré

texto jamile 01Quando se fala em estilo pode ser referente a vestuário, a estilo de vida, de arte, e ainda pode ser conjunto de dispositivos visuais ou linguagem estética de certos grupos. Qual o seu estilo? Já pensou como sua indumentária é formada? Com essas e outras perguntas fui entrevistar a determinada, brilhante e doce Dandara Pinho. Ela é advogada e tem um estilo bem pessoal e exclusivo de se vestir, que difere dos demais colegas de profissão. Por questões religiosas utiliza o branco como cor predominante no seu look. Tem em seu nome o nome de uma Deusa guerreira, Dandara; não por consciência que nos faz lembrar do Nkisse Dandalunda, da religião de matriz africana, o Candomblé de Angola. É Dandalunda que a protege. Confira aqui o estilo DANDARA PINHO!

Jamille Sodré​– Qual sua origem e formação?

Dandara Pinho​- Sou nascida no Candeal, no berço da cultura e influências do Candomblé Angola. E de uma família diferente, no que se refere o relacionamento inter racial dos meus pais, ele negro e ela proveniente de uma mistura de um português com uma índia. Trago referências da ancestralidade ao qual o largo onde morei durante logos anos tem, o Nkossi do Candeal.

 JS – Quais suas referências de estilo?

DP​- Eu tenho uma referência de estilo inusitada e completamente misturada por conta da ​minha profissão e de minha religião. A cor preta não está em meu guarda roupa, divergindo assim do comum aos advogados. Resolvi filtrar e fazer minhas próprias roupas, através de costureiras. Sempre deixando bem claro o meu gosto por cassa e linho de cor branca. Vestidos soltinhos e rodados acompanhados por blazer para acompanhar a seriedade que a profissão traz. Respeitando assim a minha ancestralidade algumas vezes precisa usar o branco e tons não tão escuros. Então assim vou montando as minhas peças de roupas de trabalho, sem deixar distantes as minhas vontades pessoais e mais a vontade da energia a qual me sustenta. Sou apaixonada por cassa bordada e tecidos bem leves e assim faço o uso destes no cotidiano.

JS​-O que está lendo no momento?

DP​- Estou lendo “A verdade seduzida” de Muniz Sodré.

 JS​- Quais são os profissionais na sua área, que são suas influencias?

DP​- Minhas influências no direito o defensor publico Dr. Gilmar Bittencourt ao qual fui estagiaria na DPE/BA e tem um trabalho extremamente bonito, também, na área de direitos aos quilombolas e direitos humanos, o criminólogo Belga Dr. Riccardo Cappi, foi meu professor no período de graduação e tem atuação no âmbito dos direitos humanos e que sempre dedicou diversas reflexões e criticas a respeito dos conceitos no âmbito jurídico.

JS​- Você faz parte do Afoxé Filhas de Gandhy. Como é ser integrante de um Afoxé?

DP​- Fazer parte do Afoxé me fez perceber o quanto se é necessário o fortalecimento da mulher. E o auxílio que a teia do Afoxé tem texto jamile 02realizado com as mulheres participantes. A atividade lúdica e de fortalecimento de laços, de empoderamento, de conhecimento da cultura Yorubá, dos toques aos quais são ecoados, das cantigas cantadas e da dedicação da Egbome Glicelia na direção das Filhas de Gandhy junto com Nágila e Fran, me fazem cada dia mais querer enriquecer de fortalecimento e multiplicar o que foi apreendido naquele espaço.

JS ​– Deixe uma mensagem para os leitores da Coluna Moda no Mundo Afro.

DP​– Nós mulheres negras, precisamos cada dia mais no munir de informações, de empoderamento e multiplicar isso em nosso cotidiano, seja no ambiente de trabalho, na rua ao qual moramos, ou seja, nos ambientes aos quais estamos inseridas, para que cada dia mais mulheres se empoderem e por conseguinte menos direitos destas e dos seus sejam violados.

 

 

 

 

*Jamille Sodré é designer com especialização em pesquisa e projeto de moda pelo Senai Cetiqt do RJ. Pesquisadora de moda afro.

Na trilha sonora, aperte o play : Ilê Aiyê ​Canto Sideral

http://letras.mus.br/ile-aiye/1512503/

Afoxé Filhas de Gandhy

nov
7

Por Jamille Sodré

Jamile SodréA sustentabilidade está na moda, com as técnicas de reciclagem, pode-se dar outro destino a alguns materiais, que antes iriam para o lixo. Você consegue visualizar nessa imagem os chinelos usados que iriam pra o lixo? Pois bem, a Oceano Sole é uma organização queniana que usa chinelos, nos quais passam pelo processo de reciclagem.

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Primeira etapa é a lavagem utilizando as águas do mar, do país do continente Africano, Quênia (África Oriental). O curioso é que é realizada nas praias mesmo, esse produto é matéria prima, por exemplo, na confecção de  brinquedos e artesanato para os consumidores.

Um dos organizadores explica o processo: “Nós coletamos chinelos descartados que foram usados anteriormente, lavando–os utilizando as águas marítimas e as zonas costeiras do Quênia. A magia acontece através do artesanato, para artesãos talentosos das comunidades locais ganharem uma renda. Transformando os resíduos recolhidos em criações maravilhosas. O resultado é uma mistura de cores, esculturas, bem desenhados, utensílios domésticos, acessórios de moda, presentes, artigos de papelaria e peças sob medida.”

Confira esse grande projeto de reciclagem arte.

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Fonte: Oceano Sole

*Jamille Sodré é designer de moda e produtora, com especialização em  moda pelo Senai Cetiqt.

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jan
15

Jamile Sodré

Noite da Beleza Negra: Com que roupa eu vou?

Por Jamille Sodré

A moda afro está na moda, pode até parecer redundante, mas é fato, pois durante um tempo a moda inspirada na cultura africana não tinha status de moda, isso partia do preconceito de achar que qualquer element

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o que viesse desta cultura negra era tido como inferior.

Nos tempos atuais, há uma valorização por parte de entidades do movimento negro, religiões de
matrizes africanas e movimentos culturais, tais como os Blocos Afros, Afoxés, etc. A moda é um mecanismo de mostrar o quão belo é esse universo.

Pode se observar a utilização da estética nos cabelos das negras e negros, os magestosos turbantes, as elaboradas tranças “que barato o cabelo da negra, trançado em nagô**”, cabelos com dread looks, cabelo Black Power, assim como canta o ilê Aiyê , “somos criolos doidos (…) temos cabelo duro, somos Black Power”. O estilo do cabelo define uma resistência e uma estética que eram excluídas pelos padrões europeus, de nariz afilado e cabelo liso. Temos cabelo bom, se é duro é por causa do Power.

Roupas com estampas alegres, cores vibrantes, brilhos, palhas e búzios etc. As referências africanas estampadas nos looks de quem segue essa moda, bem eclética e colorida.

Como forma de enaltecer essa beleza negra o Ilê Aiye, criou o concurso de beleza “Noite da Beleza Negra”, no qual elege dentre diversas mulheres negras belas e graciosas dançarinas, a sua Deusa do Ébano, a “Rainha do Ilê Aiyê”.

“Minha crioula

Eu vou contar para você

Que estas tão linda

 No meu bloco Ilê-Aiyê

Com suas tranças muitas originalidade…”

 

Este evento faz parte do calendário de festas soteropolitano***, uma espécie de vitrine para o mundo, mostrando assim que o negro e a negra são lindos sim, “Tu me achas bonito, lindo! Ilê Aiyê”.

A expectativa é grande e antes do evento da 34º Noite da Beleza Negra, fica um “borburinho” na cidade …

 

“Com que roupa você vai pra a Beleza Negra?”

Confira aqui algumas sugestões de “looks”:

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*Jamille Sodré é Designer, Produtora de Moda,  Sócia & Designer da Bettume, Moda de Estilo.

+contato: www.jamillesodre.blogspot.com

 ** Nagô, Nome pelo qual se tornaram conhecidos no Brasil os africanos de origem Iorubá.

*** Soteropolitano, originário da Cidade do Salvador.

set
25

Por Jamille Sodré

As grandes “semanas de moda”, as chamadas Fashions Weeks, são de grande importância para os designers de moda, pois é uma forma de mostrar seu trabalho e trocar experiência, com visibilidade para o mundo todo.

Na moda africana, diversos países como, África do Sul, Zimbabwe, Nigéria e Gana, promovem “semana de moda” regional, valorizando seus designers e principalmente sua cultura.

O destaque desse mês é o Zimbabwe Fashion Week, que foi criado pela designer Priscilla Chigariro, em 2011.

Nesta segunda edição, primavera/verão 2012, o Zimbabwe Fashion Week, traz a moda de renomados designers do continente africano e que têm seus trabalhos espalhados pelo mundo, por isso o nome dessa edição é “Rompendo Barreiras”. Muito interessante é ver a moda de Zuvva (que significa Sol em Shona*) criação da designer do Zimbabwe, Joyce Nyasha Chimanye, em 1994. Ela estudou na Academia Sul Africana de Tecnologia e Roupas na Cidade do Cabo, África do Sul, trabalhou para três principais fabricantes de vestuário em Harare antes de seguir por conta própria.

 

 

Podem observar que, uma característica marcante na moda dos designers africanos, é a utilização dos tradicionais tecidos africanos, figurados por diversas cores e formas.

Alguns designers romperam barreiras antes intransponíveis e chegaram num dos mais altos eventos de moda do planeta, o New York Fashion Week, como é o caso de Korto Momolu, que estréiou no evento em 2010. E esse ano também participa da versão primavera/verão 2012. Korto é designer de moda e estilista e nasceu em Monrovia, capital da Libéria, África Ocidental.

A moda africana está crescendo no mundo, e fortíssima na Europa, tanto que foi criado o African Fashion Week London, ou seja a semana da moda africana em Londres.

São tantos eventos que precisamos mais de “uma semana”.

Sugestão de Trilha sonora:

Música Africana – Oxam:

http://www.youtube.com/watch?v=aSzYjwMDF5Y&feature=relmfu

Fontes:

http://www.zimfashionweek.com/index.php/designers/2012

http://www.kortomomolu.com/biography/ 

*Jamille Sodré, Designer de Moda & Produtora de Moda. Sócia – Designer da Bettume, Moda de Estilo.

+contato: http://www.jamillesodre.blogspot.com

** língua de origem Bantu, falada no Zimbabwe + info.: http://en.wikipedia.org/wiki/Shona_language

set
25

Por Jamille Sodré

A moda do Arco Iris

Quem nunca olhou pra céu depois de uma tarde de chuva e sol, e procurou um arco-íris?

Criação divina, Símbolo religioso { divindade da religião afro brasileira, Angorô ( origem banto), Bessen( origem Gege), Oxumaré ( origem yorubá)}, colore o nossas vidas.Um lindo arco-íris no céu e nos looks…

Pois bem, as sete cores do arco Iris provocam o fascínio nas pessoas; essa moda colorida que fazia parte da década de 80, está de volta, ainda mais colorida. Agora chamada de Rainbow (arco-íris em Inglês).

A tendência para a temporada outuno – inverno 2012, traz uma utilização diferenciada, em vez de cores em tons pasteis, gélidas, as vezes insossas. São peças lisas em sua maioria,   o que não descarta utilizar algumas estampas.Feita com todo glamour da combinação inusitada de cores, azul com vermelho e verde, um verdadeiro arco-íris…

As cores transmitem vibração e temperatura para os looks. E não somente nas roupas, tem  na maquiagem, nos acessórios etc…

Uma deliciosa pesquisa por esse tema traz criações maravilhosas.

 

Como sugestão de música temos :

Rainbow Coutry – Bob Marley http://www.youtube.com/watch?v=UPeIGxPrD3A

 

 

mar
2

Por Jamile Sodré

Os novos designers africanos estão mantendo a tradição e buscando a modernidade na modelagem e a reutilização de uma indumentária tradicional. Com estampas alegres no seu colorido e forma. A valorização da cultura africana é resguardada por jovens que sabem a importância disso, tanto nas roupas quanto no estilo como um todo.

 

Podemos destacar alguns estilistas / designers.

O Chichia, por exemplo é feito por parcerias em África é uma mistura de desenhos do Leste Africano e  Chichia Londres, material Khanga, e o algodão do Leste Africano da Made by África.

Dono de Chichia Christine Mhando, um tanzaniano, trabalha em conjunto com uma fábrica na Tanzânia criando algumas de suas peças utilizando o algodão orgânico Africano. Mhando estudou Design Fashion na Universidade de Kent, no Reino Unido e tem sido elogiado por seus esforços na promoção de talentos locais e tecidos através da criação de suas peças de alta  qualidade eclética. Chichia foi destaque em uma série de eventos de moda, incluindo ARISE Fashion Week e Fashion Week Suaíli e é definitivamente ilustrando o seu potencial para dominar a ética da moda.

 

 

 

 

Fonte : http://www.hautefashionafrica.com

 Sugestão de Trilha sonora:

 Miriam Makeba – The Retreat Song (Jikele Maweni)

*Jamille Sodré, Designer de Moda & Produtora de Moda. Sócia – Designer da Bettume, Moda de Estilo.

 

+contato: http://www.jamillesodre.blogspot.com

 

jan
31

Por Jamile Sodré

Continuando nossa série, Personalidades da Moda, falaremos de novos estilistas e outros já veteranos. Um dos destaques da nova geração da Moda Afro baiana, Najara Black, cria estampas exclusivas e faz figurino para famosos. Confira a entrevista que fiz com ela.
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out
25

Por Jamile Sodré

Leiam aqui, mais um post de Jamile Sodré, aqui na coluna Moda no Mundo Afro.
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ago
17

Por Jamile Sodré

Depois de um tempo sem postar aqui no blog, para me desculpar por esses dias de silêncio, trago para vocês esse artigo que mistura duas coisas que gosto muito; Moda é Samba…
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jul
4

Por Jamile Sodré

Dando continuidade a nossa série de profissionais da moda. Hoje vamos falas sobre A maquiagem, fator importante na moda, e para isso  trazemos como entrevistada Fabiana Corrêa, Carioca, mas que fica na ponte aérea Rio -São Paulo. Ela mesma vai contar como se tornou Maquiadora.

 

 

 


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