Contra os bôeres da Bahia
Por Jair Nguni
Amandla Ngawethu!
Matlha Ke A Rona!
Quero ver negro cantar
Contra os bôeres da Bahia
Que o coral negro é seu canto de redenção
Pra Salvador se encantar com a nossa mais pura resistência
E avante é muntuala, avante avatar
Ashanti da raça negra
Ijexá é pra dançar
Ilê, filho da África sudanesa
Seu canto é um negro encanto sem fim
Canto que me faz chorar e sorrir
Todas as vezes quando te vejo sair do Curuzu
Subindo a ladeira de cabeça erguida.
Para o nosso povo altivo e guerreiro
Ilê és a nossa nova resistência Zulu
Bravo brado, nossa kilombola Curuzu
Mãe Preta, Mãe Hilda, fonte de luz rara
A senhora me ensinou a beber das águas claras
Águas lindas e douradas dessa bela Oxum
É que seu sorriso negro fez esse céu ficar inteiramente azul
Como fez o riso daquela Deusa do Ébano
Céu da antiga resistência bantu
Que o Ilê trouxe lá das Acotirenes de Palmares
Ilê, navegar pelos teus mares
É cantar essa nova resistência zulu
Pra nossa negra gente dos becos
Favelas, vielas e mocambos da América do Sul
E pra essa alegre e triste Soweto
Que hoje chamamos de Salvador
Cantamos e choramos pra te ver feliz
Nessa cidade de tanta dor e grandes pedras brancas
Ainda vejo tranças de crianças e jovens que orgulhosamente e fortemente balançam
Ao som de um baticum dengoso
Vejo o nosso orgulho negro baiano, altivo, soberano e poderoso
Nesse oceano de negritude vamos sempre lutar e persistir
Contra o racismo rude de Salvador
Orgulhosamente negro vou te seduzir
Pois o Ilê existe há tantas primaveras
Para semear escudos de ogum
Apesar de você doutor me oprimir nas favelas, becos e mocambos dessa cidade
E pra quem assiste a Banda Erê batucar
Pra quem não resiste quando vê o Ilê passar
Vou com o povo negro abrindo alas
Vou de mãos dadas e para onde reina tantas Candaces
Vou com você Ilê cantar na linda Senzala
Com tambores em cores de flores
Suor, alegria, lágrimas e dores
Tudo vai virar poder negro se Deus quiser
Vai pra quem também só assiste e nada faz
Venha conosco mudar a face dessa terra
Pois meu canto é de paz, é de guerra
Ilê Aiyê são negros e negras de baobás
Realeza negra, mundo negro de tanta beleza
São filhos da África sudanesa
Esse Ilê Shaka que luta contra os novos bôeres da Bahia
Somos guerreiro de baobás da alegria
Para florir a liberdade de mais liberdade e igualdade
É que o Ilê é nova resistência Zulu
São Ngunis da liberdade
Canta aí meu Curuzu quilombista
Que Dingane canta lá do céu azul
E Bambaata vem no meu peito dizer
Que o Ilê é shosa no meu terreiro kilombola
É nova resistência Zulu
É um orgulho que canta a história da Azânia
Pra não dizer África do sul
Diz o saber do Ilê Aiyê
Canta aí meu Curuzu
Mas levante daí
Que eu vou me levantar daqui
Que Bambaata não foi o último levante
A Liberdade é nosso grande império Zulu!












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