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Caminhos de Salvador em tempos de 465 anos

por Edinaldo Junior

Fazer aniversário é sempre motivo para reflexão. Quando se trata de uma cidade, berço de uma nação, os caminhos se traçam para pensar o lugar a partir das transformações. Primeira capital do Brasil, Salvador chega aos 465 anos ainda adolescente, diante de cidades pelo mundo que chegam aos 800 anos, como é o caso de Paris. E pela fase de rebeldia que alcança, as mudanças não são poucas.

O Soterópolis aproveitou o aniversário da cidade que dá nome ao programa para convocar a reflexão dos nossos telespectadores: olhar para os caminhos já traçados, como eles mudaram, entender a sua história para, assim, poder olhar adiante. Carregados deste movimento de perceber o nosso entorno, ficou a questão: os soteropolitanos conhecem mesmo como se construiu a cidade e como foi se transformando ao que hoje conhecemos? Percebemos o que é próprio da nossa história nas construções que nos circundam? O que o concreto ali assentado nos diz sobre nós, baianos historicamente construídos?

A reflexão da nossa equipe preferiu mostrar a história pelo que é produzido pela cultura: nossa reportagem partiu do Museu Tempostal, que possui acervo riquíssimo de imagens de colecionadores em postal, fincado no Pelourinho, para mostrar o valor do registro documental deste formato para a construção da cidade e sua arquitetura. No Museu, a exposição ‘Pelos Caminhos de Salvador’ é a nossa carruagem: ela nos leva direto para a época de modernização da cidade, ainda no século XIX, onde o Comércio era porta de entrada da capital. As fotografias revelam a ocupação, seu funcionamento econômico, os bairros que se formaram ao redor dos centros comerciais, os prédios políticos que se modernizaram.

 

Rua Carlos Gomes - Foto: Acervo Museu Tempostal

 

Nos caminhos da cidade, que na exposição são expostos em 45 mil fotografias e postais fazem parte dos 40 anos de coleção do sergipano Antonio Marcelino de Nascimento (1929-2006), é possível ver que o centro da cidade ainda se mantinha próximo ao mar. A navegação é o meio de transporte, como suporte da logística e distribuição de materiais, concentrados na Baía de Todos os Santos. Ali mesmo, onde ainda se concentra o poder político da cidade, a Casa dos Governantes, hoje Palácio Rio Branco, e a Câmara dos Vereadores, expõem o lugar da política ao lado de onde se faz o dinheiro. O ordenamento da cidade se mantinha ali e dali partiu também a comunicação entre o centro e os bairros do entorno: o Elevador Lacerda surge para ligar a Cidade Alta e a Cidade Baixa, antes desenhadas por ladeiras, becos e vielas que ainda configuram o cenário nostálgico do Centro Histórico de Salvador. A Praça Castro Alves, construída somente em 1922, era o espaço social do Soteropolitano desde a época em que era o Largo do Teatro – pela localização do Teatro São João no local. O bonde inaugurou ali e, futuramente, o lugar tornar-se-ia palco de manifestações culturais e artísticas da terra, mas também lugar de socialização.

Aproveite o aniversário de cidade para dar uma volta por Salvador, apreciar o que já foi construído e contrastar com a ocupação da pós-modernidade. Ver como a economia e a política de antes ditavam sua construção e como as mudanças econômicas de hoje deslocaram o funcionamento de Salvador para centros urbanos edificados em grandes construções. Um exercício de reflexão que damos de presente para você comemorar junto com o lugar onde você vive.

 

EXPOSIÇÃO PELOS CAMINHOS DE SALVADOR

Onde: Museu Tempostal

Rua Gregório de Matos, 33, Pelourinho, Salvador

Quando: terça a sexta, das 12h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h

Quanto: Entrada franca

 

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