


Fernando Botero (1932) ficou conhecido pelo traçado volumoso e arredondado, quase sempre em tons berrantes, dos personagens colombianos.
A exposição Dores da Colômbia, em cartaz na Caixa Cultural, é uma oportunidade para ver uma outra vertente de sua obra. Neste recorte, embora o volume ainda defina o seu estilo, o que ele mostra é muito mais pesado e conflitante.
As quase sessenta imagens distribuídas pela galeria revelam um Botero com menos senso de humor. O grotesco pontua cada retrato pintado por ele. São imagens de um país massacrado pela ditadura, pelo narcotráfico e pelas guerrilhas.
Armas, choros, cadáveres, urubus e mortes marcam o imaginário do artista, que nasceu em Medelín, na Colômbia, onde se instalou um dos mais cruéis cartéis de drogas da América latina.
Neste trabalho, Botero aproxima sua arte da política. Revisita a sua memória e fala do seu lugar de origem.
Num momento em que a arte contemporânea volta-se para o próprio umbigo, se tornando de difícil acesso ao público leigo, ver a produção modernista de Fernando Botero é perceber a importante relação entre arte e sociedade. É entender, através do seu processo criativo, a dura e sincera realidade do seu país.



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