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Entre o público e o privado nas artes visuais

Galerias e museus se colocam entre o mercado e os apreciadores

 

Dentro do campo das artes visuais na Bahia, os museus possuem lugar de importância para artistas, pesquisadores e para o público em geral. As mudanças ocorridas no cenário das artes, os questionamentos em torno do lugar institucional do museu, tem gerado reflexões sobre o circuito das artes visuais no estado. Como os museus dão conta da produção artística local? E qual o lugar dos novos artistas dentro deste mercado?

 

Para o diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), Zivé Giudice, o museu é um espaço que adquiriu importância para a manutenção das tradições culturais do Estado, ao fomentar e divulgar a produção artística local. Ao mesmo tempo, ele precisa dialogar com a cidade e suas transformações, dando conta do seu tempo atual. O MAM, ao longo dos anos, tem desenvolvido um papel de destaque na relação com a produção artística local. Desde a época das bienais, na década de 60, o MAM tem optado por linguagens mais contemporâneas, dando conta das mudanças que vivemos no mundo. Outra ferramenta criada pela instituição para manter os laços com os artistas são os Salões Regionais de Artes Visuais, projeto que tenta dar conta do que feito no interior do Estado. As obras premiadas em cada edição, escolhidas por uma comissão julgadora, passam a compor o acervo permanente do museu.

 

Apesar do fomento as artes através dos acervos públicos dos museus, o mercado das artes visuais encontra nas galerias um grande elo entre artistas e apreciadores. Mas será que as galerias conseguem dar conta da produção mais atual? Paulo Darzé, galerista e proprietário da Paulo Darzé Galeria de Arte há 33 anos, acredita que a galeria tem uma importância para a comercialização das obras – e manutenção do mercado das artes – e garante o ciclo produtivo dos artistas. As galerias ainda representam os artistas em outros estados e países, difundindo a produção local em diversos fluxos. O mesmo acontece na Galeria Roberto Alban, representa artistas nacionais e promove exposições. “Na Bahia, é um desafio o mercado de arte, as pessoas precisam ter mais conhecimento sobre arte, frequentar mais os museus e, principalmente, se dedicar a arte contemporânea”, afirma Roberto Alban.

 

A Galeria Luis Fernando Landeiro, com pouco menos de cinco anos aberta em Salvador, tem buscado suprir um espaço de fomento as artes com linguagens mais contemporâneas. A proposta do local preserva os trabalhos conceituais dos artistas. Entretanto, ainda esbarra no problema das vendas: às vezes, o potencial artístico de uma obra se perde diante do padrão de gosto dos compradores. Diante deste cenário, a ampliação das artes dos locais fechados para as ruas tem sido o principal desafio do mercado. As performances, os grafites e outras linguagens urbanas nos provocam a pensar sobre o consumo das artes. Será que nós, enquanto público, estamos consumindo todas estas linguagens?

 

Edinaldo Júnior

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