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As andanças de Alzira e a segunda diáspora

Em 2010, a antropóloga Goli Guerreiro lançou dois livros, resultados de suas pesquisas sobre a África e as consequências da interação da cultura deste continente com o mundo. “Terceira diáspora – o Porto da Bahia”, e “Terceira diáspora, culturas negras no mundo atlântico”, revelam as trocas contemporâneas que a cultura negra realiza pelo mundo, estimulada sobretudo pela internet e pelos dispositivos de comunicação. Não à tôa, Goli também registrou muitas das informações que compõem os livros e descobertas sobre esse vasto universo no Blog Terceira Diáspora.

Uma vez registrado o terceiro movimento da cultura africana pelo mundo, Goli sentiu a necessidade de voltar à primeira e mais impactante, quando se deu tráfico de escravos para colônias europeias. O resultado está no livro “Terror e aventura – Tráfico de africanos e cotidiano na Bahia”, lançado em 2012 pela editora Corrupio, a mesma dos volumes da Terceira Diáspora.

Se houve uma primeira, e a terceira é da ordem do contemporâneo, era necessário contar o miolo dessa história. E assim nasceu o romance biográfico “Alzira está morta – ficção histórica no mundo negro do Atlântico”, que será lançado no dia 18/03 às 18h na Katuka Africanidades (Praça da Sé, nº 1). Alzira, uma baiana fictícia nascida em 1911, sai da sua casa na Península de Itapagipe e descobre as marcas da cultura negra pelo mundo, em suas viagens pelos continentes americano, europeu e africano. No século XX em que vive Alzira, se dá o que Goli chama de Segunda Diáspora. “Alzira parte de Salvador para Lagos (Nigéria), pra viver uma experiencia completamente nova. Ela vai conhecer a tecelagem africana, as escritas africanas e a fotografia africana. Esses são os três temas do livro que conectam Salvador a diversas outras cidades. Todos os lugares onde ela mora, e visita, ha um olhar para esses elementos”, explica a autora.

No romance, Alzira interage com personagens reais e históricos, o que cria uma viagem interativa entre a ficção e a realidade. O historiador Jaime Sodré, um dos “amigos” de Alzira, acredita que esse é o grande “macete” do livro. “Com essa estratégia Goli traz fatos que nós baianos, que vivemos nessa época, podemos nos lembrar. A ampliação da negritude em Salvador, da africanidade, e aí faz com a que a gente compreenda melhor essa história”.

Alzira está morta” é também um dos volumes que compõem a coleção do Selo João Ubaldo Ribeiro, lançado este ano pela Fundação Gregório de Matos e que tem como um dos objetivos estimular a leitura de autores baianos. Além deste lançamento individual que acontece na Katuka, o volume deve ser lançado também para os portugueses, no dia 14 de abril, em Lisboa.

 

Carolina Garcia

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