IRDEB - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia
TV Rádio Notícias Interatividade

A pintura mergulha na condição humana?

Em ‘Além do que se vê, Aquém do inatingível’, artista visual funde linguagens para decifrar o ser humano em traços hiper-realistas

 

1907399_1020539641308269_4695251892478948543_n

 

A superfície da tela abre espaço para um universo quase onírico, onde grandes figuras ganham vida em pinturas de tinta à óleo. A técnica clássica na História da Arte nos convoca ao mergulho sobre a condição humana. O extremo realismo dos corpos representados sob a tela criam metáforas visuais, uma espécie de confusão entre aquilo que vemos e aquilo que nos questionamos sobre o processo de criação da obra.

 

É no Museu de Arte da Bahia que o espectador tem contato com o trabalho do artista visual Fábio Magalhães, na sua mais nova exposição ‘Além do que se vê, Aquém do inatingível’. Com curadoria de Alejandra Muñoz, a exposição é composta por 18 trabalhos em grandes formatos. Reunindo materiais já expostos anteriormente e outros inéditos, Fábio Magalhães aguça as subjetividades do público a partir de questões que envolvem vivências e memórias. “Meu trabalho fala do irreal, das coisas que não se vê, do que tá fora do pensamento lógico”.

 

Esse exercício de transcender o real ganha contornos experimentais e uma espécie de método próprio, dividido em etapas que precedem a construção final da tela. No ateliê, Fábio cria um simulacro da cena e usa o próprio corpo como matriz para a composição da imagem. O corpo lida com objetos e materiais que nos remetem a vida – esse corpo é fotografado e, a partir desta imagem, como num traçado que compõe novas realidades, a pintura de Fábio se compõe.

 

Há uma espécie de questionamento sobre formas clássicas das artes visuais ao fundir estas linguagens: o autorretrato ou a pintura de retrato, na história da arte, seu valor de realidade e os elementos de entrega do sujeito pintado parecem perder sentido. A performance da cena fotografada, transposta para a imagem, cria a atmosfera metafórica, a composição quase surreal e onírica nos causam a confusão: estamos adentrando a condição humana.

 

Fábio faz parte de uma geração de pintores que, para chegar a suas obras, perpassa outras linguagens artísticas, como a performance e a fotografia. Mas o artista não deixa rastros destas ferramentas no trabalho final. Ele provoca o espectador a refletir sobre como essas imagens foram criadas. “Por mais que eu use minha própria imagem, eu não pinto eu. Uso meu corpo para entender o outro”.

 

Edinaldo Jr.

 

 

EXPOSIÇÃO ALÉM DO QUE SE VÊ, AQUÉM DO INATINGÍVEL

Fábio Magalhães

Curadoria – Alejandra Muñoz

Museu de Arte da Bahia – Corredor da Vitória

Até o dia 30/04

Deixe um comentário

 
Governo da Bahia  ©2017 | IRDEB - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. Secretaria da Educação do Estado da Bahia.