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UM PASSEIO PELAS GARAGENS DO CINEMA BRASILEIRO

Por Edinaldo Júnior

Nos mais de cem anos de existência, o cinema brasileiro sofreu diversas transformações. Desde a formação de um campo de produção cinematográfico até a consolidação de sistema exibidor, as obras produzidas no país têm quebrado diversas fronteiras, entre elas as dificuldades de circulação destes produtos.

Qual seria a identidade dos filmes brasileiros contemporâneos? Será que podemos encontrar elementos comuns nas produções atuais que configurem um modo específico de fazer cinema no Brasil? A resposta para estas perguntas pode estar no termo cinema de garagem.

Os limites impostos ao longo dos anos pela indústria cultural dificultaram a produção e a circulação de obras nas diversas regiões do país. Por isso, uma geração jovem de realizadores preocupa-se mais exatamente com a expressão artística possibilitada pelo cinema para mostrar visões de mundo. São filmes de diversas regiões do país, feitos de maneira colaborativa e com baixos orçamentos, que se legitimam através de inúmeros festivais espalhados pelos quatro cantos do mundo. Caracterizam por outras formas narrativas, que tensionam o real e a ficção num jogo de disputa entre os gêneros cinematográficos e exploram o próprio processo do fazer cinematográfico dentro da narrativa.

O professor de cinema Marcelo Ikeda, ao lado de Dellani Lima, cunharam o termo para designar certo fluxo extremamente heterogêneo de produções cinematográficas que se apropriam de uma ou várias dos atributos que caracterizam o cinema de garagem. O resultado deste estudo está no livro ‘Cinema de garagem: Um inventário afetivo sobre o jovem cinema brasileiro do século XXI’, que você pode ler um trecho abaixo.

“É possível afirmar que 2010 foi um ano paradigmático na renovação de um cinema brasileiro. Podemos escolher dois acontecimentos-chave que simbolizaram esse momento: o primeiro, logo no início do ano, e o segundo, já em seu final: a premiação de Estrada Para Ythaca e de O Céu Sobre os Ombros nos Festivais de Tiradentes e de Brasília, respectivamente. Essas premiações – mais do que meramente legitimar o valor ou a importância dos filmes – funcionaram para dar visibilidade a uma produção que agora recebe destaque mas que na verdade possui uma trajetória muito anterior aos prêmios, que ainda permanece subterrânea, desconhecida. Se os festivais e a crítica brasileiros começam a reconhecer o amadurecimento dessa cena, é importante destacar que esse movimento de renovação do cinema brasileiro não está começando agora, mas que na verdade esses são os frutos de um processo que dura pelo menos dez anos. Esta publicação, carinhosamente intitulada de CINEMA DE GARAGEM, pretende apresentar um primeiro inventário do perfil dessa nova cena. Evidentemente, não temos a pretensão de “dar conta” da miríade de realizadores, tendências, características e filmes que surgiram nesse período, mas apenas apresentar exemplos da vitalidade dessa produção.”

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Alguns filmes:


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