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Beleza Convulsiva Tropical

Documentação e ficção no Arquivo Público do Estado da Bahia.

 Por Caroline Vieira

O Arquivo Púbico do Estado da Bahia apresenta a exposição Arquivo e Ficção, com curadoria de Ana Pato, dentro da programação da terceira Bienal da Bahia. A mostra envolveu um longo trabalho de pesquisa e recuperação do acervo do Museu Estácio de Lima, que se encontrava fechado para visitação.

Paulo Nazareth, Eustáquio Neves, José Rufino, Paulo Brusky, Giselle Beiguelman, nomes importantes do cenário artístico contemporâneo, podem ser apreciados nesta grande exposição.  Residentes no Instituto Sacatar, Ilha de Itaparica, os artistas passaram meses debruçados sob papéis, objetos da cultura popular e armas usadas pelo bando de Lampião. O resultado é uma reflexão vigorosa onde documentação e criações caminham juntas.

O próprio Arquivo público foi aqui pensando como obra de arte. Lá é possível encontrar documentos raros que datam do período colonial. O prédio embora em situação precária, ainda guarda a beleza do passado, quando foi residência dos padres jesuítas. Da casa dos Jesuítas, o espaço recebeu portadores de hanseníase, e hoje, é considerado o segundo maior arquivo público nacional.

Beleza Convulsiva tropical

Professora da Faculdade de Arquitetura da Cidade de São Paulo e Mídia Artista, Giselle Beiguelman conversou com Vânia Dias sobre oprocesso de construção da obra intitulada Beleza Convulsiva Tropical. O trabalho questiona a memória, o desgaste, o ruído, o abandono. A história do Arquivo é recuperada numa instalação em que o próprio espaço vira a obra. O público entra, literalmente, na instalação. Lá, submerso em palavras, mofos e ruínas, ele é capaz de compreender o conceito de beleza convulsiva tropical e a sua complexa relação com a memória.IMG-20140723-WA0010

Por todo canto, também se pode ler as frases pichadas pelo artista Paulo Brusky, criador da arte postal, na década de 70. Perguntas como “ver o invisível” nos coloca diretamente no embate proposto por esta que talvez seja uma das mais importantes exposições dentro do amplo panorama da Terceira Bienal da Bahia. Arquivos, papéis e história ganham novas interpretações pelos artistas, que tornam público aquilo que estava esquecido, provocando novos significados, leituras, visões e perplexidades. Coisa que só é possível através da arte.

 

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