
Atenção, esta postagem contém spoilers.
Chegou ao fim, no último dia 18, a segunda temporada da série americana The Walking Dead. Tenho acompanhado a saga de Rick e os outros sobreviventes do mundo pós-apocalíptico apinhado de zumbis desde o lançamento dos primeiros episódios. Para quem não conhece os quadrinhos que deram origem à obra audiovisual, a premissa da série parece boba: mais uma história de mortos-vivos que, quando mordem, vão passando adiante um “vírus” até que, pronto, 99,9% da humanidade está infectada e o restante faz o que pode para se salvar.
Assisti ao primeiro episódio tendo essa ideia da série, mas de lá para cá muita coisa mudou. Primeiramente porque o enredo de The Walking Dead tem um viés um pouco diferente das histórias tradicionais de zumbis. O relacionamento problemático entre os personagens, por exemplo, é um dos focos da trama e permite uma série de discussões e reflexões interessantes sobre o modo como vivemos – e como ele deve ou não ser adaptado diante da necessidade de sobrevivência.

Humanidade é uma palavra-chave aqui, bastante explorada pela segunda temporada. Grande parte das discussões entre Rick, protagonista, e Shane, seu “melhor amigo”, recaíam sobre questões de impor a violência para se manter em segurança ou procurar outras formas de solucionar problemas a fim de manter um ambiente democrático e humano. O interessante é perceber como os personagens lidam de modos distintos com o estresse extremo causado pelo ambiente hostil e praticamente inabitável. Enquanto alguns se “escondem” atrás da liderança de Rick, a exemplo de sua esposa Lori, outros se destacam cada vez mais no seriado.
Carl, filho dos protagonistas, é um deles. Apesar de ser uma criança, a cada episódio enfrenta questionamentos que o tornam mais e mais um adulto precoce. Ao fim desta temporada, já porta um revólver, considera-se responsável pela morte de Dale e deu um tiro na cabeça de Shane, a quem considerava como um pai, após este se tornar um zumbi. Nesse sentido, Andrea também passou por um desenvolvimento rápido: de suicida em potencia, transformou-se em uma pistoleira habilidosa a ponto de ser deixada para trás e sobreviver ao ataque de zumbis no último episódio sem a ajuda do grupo ao qual pertencia.
Pelo apelo emocional e social do enredo, The Walking Dead se diferencia de produções para o vídeo-game e o cinema, cujo foco, no geral, recai sobre a ação. No seriado, contudo, a trama quase “não anda”: a segunda temporada se passa toda em uma fazenda, não há uma evolução ou grandes descobertas a respeito do que aconteceu com o mundo e se é possível corrigir o seu estado atual.

A maquiagem dos zumbis: um dos pontos fortes da produção de The Walking Dead
Apesar disso, o saldo da segunda temporada é bastante positivo. Resultado disso foi a audiência do season finale, “puxado” por uma reviravolta no penúltimo episódio: The Walking Dead bateu o seu próprio recorde com 9 milhões de espectadores. Trata-se da maior audiência de todos os tempos na televisão paga americana. E a próxima temporada, que estreia em outubro deste ano, promete seguir com a fórmula de abordar tanto a ação quanto o relacionamento dos personagens em sociedade: Rick dá sinais de ter sido transformado pelas situações vividas na fazenda e já decretou o fim da democracia no grupo. Um bom gancho para novas discussões, problemas e questões com as quais qualquer pessoas pode se relacionar, mesmo sem ter passado por um apocalipse zumbi.