Nos anos 70, o Movimento Foto Bahia marcou a produção fotográfica local, dando uma dinâmica especial à atividade de fotógrafos que tão logo, se tornariam referências no Brasil e no mundo. Mas isso foi há trinta anos. E hoje, o que a fotografia baiana tem? Apesar de muitos dos fotógrafos apontarem um distanciamento dos profissionais, e até uma “ofuscada” no brilho desta arte visual aqui no Estado, tem gente que não para de produzir, fomentar e agitar este cenário. Uma delas é Marcelo Reis, idealizados do Festival A Gosto da Fotografia e criador da única escola dedicada à arte no Estado, a Casa da Photografia.
O gosto pela foto surgiu por acaso. Marcelo se formou em contabilidade, já sabendo que não passaria a vida em um escritório. Quando foi trabalhar no Polo Petroquímico, decidiu fazer umas fotos do local para mostrar à família e não parou mais. A loja Fotografe (hoje Objetiva) onde levava os filmes para revelar, acabou se tornando seu local de emprego que o colocou de vez na fotografia. “A gente quando começa a fotografar, escolhe o que fotografar, ou isso escolhe a gente. A minha relação com a fotografia foi mais ou menos assim, inconsciente, não foi algo que eu decidi”, contou Marcelo ao Soterópolis.
De lá pra cá, as coisas foram crescendo e tomando forma, como o próprio assinala. Do trabalho na loja, começou a se especializar cada vez mais, fotografar mais e a dar cursos. Quando seus alunos começaram a se multiplicar, deixou a loja, e concretizou a Casa da Photografia. Nesse meio tempo, criava-se o A Gosto da Fotografia, hoje na sexta edição e uma das maiores vitrines para fotógrafos locais e nacionais. “O A Gosto nasceu em 2004, com o intuito de suprir uma carência que existia por aqui e homenagear o mês dedicado à fotografia. A idéia era simplesmente reunir pensadores e exposições para celebrar isso”, explica.
Fotografando, Marcelo gosta de explorar o humano em cena, e explora os contrastes do preto e branco. Suas referências estão em fotógrafos que antes eram distantes imortais, e agora amigos, como Walter Firmo e Isabel Gouveia. O Soterópolis ouviu os depoimentos de Isabel e de Andréa Fiamenghi (fotógrafa, livreira e ex-aluna de Marcelo) sobre a trajetória deste empreendedor da foto na Bahia. Andrea destacou a simplicidade e a sensibilidade Marcelo como pontos fortes de seu talento. Isabel Gouveia chama atenção para que iniciativas de Marcelo inspirem e proporcionem uma atuação mais unida entre os profissionais. “Acho que os fotógrafos baianos deveriam aproveitar para se unir em torno do que está acontecendo agora, se aproximar mais de Marcelo, da Casa da Photografia e do A Gosto, para contribuir com idéias e mostrar novas formas de se focar a fotografia baiana dentro do Festival”.
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