
ensaio
Considerados duas virtuoses da música instrumental brasileira, o bandolinista carioca Hamilton de Holanda, de 33 anos, e o violonista gaúcho Yamandu Costa, de 29, apresentaram, no dia 20 de maio, no Teatro Castro Alves, em Salvador o CD Luz da Aurora, gravado, ao vivo, no Auditório Ibirapuera, de São Paulo. A turnê nacional de lançamento do CD começou em janeiro, pelo Canecão, do Rio. Os músicos conversaram com a equipe do Soterópolis sobre a longa amizade dos dois e sobre, é claro, música, especialmente o choro.
Os músicos se conheceram no festival Chorando Alto, de 1998, em São Paulo, e desde então cultivavam o desejo de encontro no palco, adiado por causa dos compromissos da carreira solo de cada um. No Clube do Choro de Brasília, a idéia era amadurecida. Antes do lançamento do CD, Yamandu e Hamilton fizeram uma temporada de shows para aprimorar o repertório. Tanto Yamandu quanto Hamilton têm larga experiência em gravações ao vivo, além da formação em duo, que já experimentaram com outros músicos.

show
Yamandu Costa - Um dos maiores fenômenos da música brasileira, o instrumentista é conhecido por suas interpretações performáticas. Empunhando seu violão de 7 cordas, ele remodela cada música, revelando profunda intimidade com o instrumento. Choro, bossa nova, milongas, tangos, além de zambas e chamamés (ritmos do folclore argentino), fazem parte do seu repertório. Yamandu é um violonista e compositor que não se enquadra em correntes musicais, reinterpretando todas em fusão com o seu próprio estilo.
Hamilton de Holanda - O artista reinventou o bandolim mundial ao adicionar duas cordas ao instrumento e criar novas possibilidades sonoras. Apesar da inventividade, a busca do músico não é pelo novo, e sim pela beleza e espontaneidade. Nesse caminho para o belo, Hamilton sintetiza influências de choro, bossa nova, jazz, rock, e até dos sons da rua. O resultado é um conjunto de canções que contagiam as platéias sem abrir mão do apuro técnico, característica que levou o instrumentista a vencer uma mesma edição do prêmio Icatu Hartford de Artes nas categorias erudito e popular.