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Histórico para categoria ‘Cinema e Audiovisual’

mai
1

O Pioneirismo de Chico Liberato

Postado por soteropolis

Por Érica Fernandes

A chegada da 3ª Bienal da Bahia – É Tudo Nordeste? motivou o Soterópolis a fazer um panorama sobre as outras duas bienais que aconteceram na Bahia.

O artista plástico e cineasta Chico Liberato esteve presente nas duas primeiras bienais, ocorridas em 1966 e 1968, e vai participar também da deste ano, que começa em 29 de maio e vai até 7 de setembro. Conversamos com ele sobre esses períodos e sobre sua relação com a arte, numa matéria que vai ao ar no programa desta semana.

O pioneirismo de Chico nas artes se estende também para o cinema baiano, mais especificamente o cinema de animação, com temas voltados para a cultura popular brasileira, em dez curta metragens de desenho animado. ​

Na década de 60, Liberato e Juarez Paraíso encabeçaram a movimentação cultural em Salvador para realização da I Bienal (1966) no Convento do Carmo. Artistas de diversas cidades brasileiras participaram, como Lygia Clark, Rubem Valentim, Rubens, Gerchman e Hélio Oiticica, no que foi considerado um marco na história da arte brasileira.

Em 68, a II Bienal não teve tanta sorte. Dois dias após sua abertura no Convento da Lapa, atual campus da Universidade Católica de Salvador, o evento é fechado pela ditadura militar, e algumas obras são confiscadas por serem consideradas “subversivas”.

Na época, o jornal A Tarde publicou uma matéria a respeito dessa intervenção que levou a bienal a ser reaberta um mês depois, com 10 obras a menos.

​Mesmo com tantas dificuldades e após um grande hiato desde a última bienal, Chico Liberato não para de produzir e vai participar desta bienal com uma grande instalação. Além disso, ele já tem planos de rodar um novo filme sobre a verdadeira história do Brasil – “a história de 12 mil anos de civilização tupi-guarani e as influências culturais africanas e portuguesas”.

Chico Liberato durante projeto MAM Discute Bienal - Foto: divulgação

Chico Liberato durante projeto MAM Discute Bienal – Foto: divulgação

abr
28

Quadro JANELA

Postado por soteropolis

Por Renato Fernandes

O documentário MÚSICA.BR, dirigido por Fabiano Passos, mostra a relação da música com a internet no Brasil. Através da visão das pessoas que produzem, negociam ou simplesmente consomem música no país. O Doc ainda conta com a participação da banda Vivendo Do Ócio, do cantor e compositor Carlinhos Brown, do produtor Alexandre Lins, o compositor Tenisson Del Rey, o jornalista Bruno Nogueira, entre outros. O filme é ganhador do prêmio especial Portas Curtas no festival 5 Minutos 2009, e ainda foi o único filme do nordeste, selecionado no festival universitário REC em Vitória-ES.

abr
25

Gratidão e celebração

Postado por soteropolis

Por Ticiana Schindler

“Por que de amor para entender
É preciso amar”

E como ele, só louco!

O poeta das águas, do vento e dos coqueirais de Itapuã, Dorival Caymmi, completa 100 anos de história na vida de muitos e principalmente, na música brasileira, alcançando seu lugar, também, internacionalmente. Para celebrar e homenagear o músico, a cidade de Salvador borbulha eventos de diversas vertentes artísticas.
Não fique de fora dessa comemoração, veja a programação que se estende até o final de 2014.

O centro da programação comemorativa que integra o projeto “Caymmi! De Itapuã para o Mundo…”, não poderia ser outro além de Itapuã, o bairro mais cantado por Caymmi. Lá, acontecerá a realização de ações na Casa da Música, na sede do Malê de Balê, na Praça Dorival Caymmi, no Abaeté e pelas ruas do bairro. Porém, a programação alcança outros espaços da capital e do interior do estado.

Entre os destaques da programação, que abrange shows, cortejos, exposições, palestras e bate-papo musicado, estão: a abertura da exposição Aquarela Caymmi, do artista Mauritano, na Casa da Música, no próximo dia 28, às 18h. A exposição circulará também pelos espaços da SecultBA na capital (Alagados e Plataforma) e no interior (Feira de Santana e Alagoinhas), entre agosto e dezembro. O Viva o Abaeté Especial Caymmi, com Morenas de Itapuã e Velha Guarda de Itapuã, será realizado, também, na Casa da Música, dia 29, às 18h, além de circular em outras instituições entre os meses de maio e julho.

No dia 30, data do centenário, a programação do bairro começa pala manhã com uma série de atividades. Às 14h30, haverá o Lançamento do Selo comemorativo do centenário, dos Correios, na Casa da Música e, às 15h, ocorrerá a abertura da exposição Hoje e Sempre Dorival Caymmi, no Abaeté. O Cortejo Caymmi! De Itapuã para o Mundo…, terá como ponto de partida o Abaeté, às 16h e fará uma trajeto até a Praça Dorival Caymmi, onde acontecerá o espetáculo homônimo, com os artistas Aloísio Meneses, Cláudia Cunha, Firmino de Itapuã, Jussara Silveira, Orquestra de Pandeiros de Itapuã, Roberto Mendes e Saraiva. A festa continua com o show Malê Canta Caymmi, às 21h e Dia 1º de maio, às 16h, com os artistas locais Bambeia, Cultura Popular, Samba e Sede e Saraiva.

Ainda no dia 30, o Pelourinho recebe três shows do projeto Versando Caymmi – 100 Anos, nos largos do Centro Histórico. Silvinha Torres, Ângela Lopo e Robson Moraes apresentam sucessos de Caymmi e de seu filho Dori, no Largo Pedro Archanjo. A banda Soul Tambor, liderada por Lucas Di Fiori, comanda o show no Largo Tereza Batista e no Quincas Berro D´Água, a festa ganha sonoridade de MPB com a cantora Clau Andries, com participação de Mazo Guimarães. Os três shows começam às 21h e têm entrada gratuita.

Já o projeto Trocando Palavras acontece no Palacete das Artes, dia 26, às 16h, promovendo a troca e doações de obras literárias. O evento conta com participações de Alexandre Leão e do violonista Kito Matos, apresentando músicas de Dorival Caymmi.

No Teatro Castro Alves (TCA), neste domingo (27), às 11h, alunos da Escola de Dança da Fundação Cultural da Bahia farão uma homenagem a Caymmi com o espetáculo “A gente não quer só comida…”, cuja abertura contará com um cortejo que traz, no repertório, músicas de Caymmi interpretadas por Clécia Queiroz. No dia 11 de maio, às 10h, o Domingo no TCA traz o espetáculo de Claudia Cunha com participações especiais, cantando Caymmi.

A programação inclui também a exibição do filme “Mestre Caymmi da Bahia” (2006), de Delza Schaun, em dez espaços culturais da SecultBA na capital e no interior. O documentário traz entrevista feita com Caymmi no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em que ele fala, entre outros assuntos, da carreira, dos momentos marcantes da vida e da saudade da Bahia.
O filme integra o projeto Terças na Tela do Circuito Popular de Cinema e Vídeo dos Espaços Culturais da SecultBA. As exibições, gratuitas, serão no dia 29 de abril. Os horários das sessões podem ser conferidos no blog dos Espaços Culturais da SecultBA.

Acontece na segunda-feira (29) o retorno da programação do Sarau da Câmara Municipal de Salvador. Nesse dia especial o Sarau abre a semana de comemorações ao centenário de Dorival Caymmi e lança o edital do Festival de Poesia Recitada da Câmara Municipal de Salvador. Sob a coordenação dos poetas Edgar Velame e Pareta Calderasch, o sarau conta com ampla programação e recital aberto no final. O evento acontece às 18h, no centro cultural da câmara de vereadores.
Em setembro, a Orquestra Rumpilezz fará um show com repertório composto por obras do homenageado que contará com participação dos alunos de música do Centro de Formação em Artes (CFA) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB).

Oportunidades não faltam para homenagear um dos maiores protagonistas da música brasileira!

Há seis anos Dorival nos deixava com a sensação de que É doce morrer no mar, onde as ondas levam e as ondas trazem. Criou canções inspiradas pelos hábitos, costumes e tradições do povo baiano, como “Saudade de Bahia”, “Samba da minha Terra”, “Saudade de Itapuã”, “Marina” e “Maracangalha”.

Muito de si, deixou. Agora, desejamos que as águas levem toda a gratidão de um povo em que conquistou.

Abaixo, uma gravação feita pela TV Cultura, em 1972, quando Dorival Caymmi estava com 58 anos. Nela, ele canta algumas de suas canções e relembra momentos marcantes de sua vida desde a infância na Bahia.

abr
25

É pra Pirá-Já

Postado por soteropolis

Por Ynaiã Rupert

“É pra Pirá-Já”, é um curta baiano de ficção produzido pela 3Baías Filmes, dirigido por Jorge Baía e roteiro de Dudah Oliveira. A obra é filmada inteiramente num coletivo em Salvador e retrata um dia normal que muda bruscamente quando dois jovens palhaços rendem os passageiros e anunciam um assalto, mas apenas para os “branquelos”.

O nome é um trocadilho com o nome do bairro soteropolitano, apelando para regionalidade que aproxima o público e remete a irreverência da produção ao tratar de temas como violência, miscigenação, preconceito e mobilidade urbana. “É pra Pirá-Já” foi premiado em 2009 no Festival 5 Minutos, na categoria juri popular – Premio Luiz Orlando – e 3° lugar no juri técnico – Premio Roberto Pires.

abr
22

Agenda Cultural

Postado por soteropolis

Veja as dicas de eventos e projetos culturais que o Soterópolis separou para a sua semana!

abr
2

As angústias contemporâneas de Ingmar Bergman

Postado por soteropolis

Casado com o teatro, diretor sueco tinha o cinema como amante

Por Edinaldo Jr

Em uma das cenas mais clássicas da história do cinema, um homem joga xadrez frente a frente com a morte. Os movimentos das peças no tabuleiro, o ar sombrio da fotografia em preto e branco, os dramas existenciais que exibem as características de um diretor de expressão no cinema mundial. Sueco, humanista e existencialista, Ingmar Bergman (1918-2007) era um homem europeu do Pós II Guerra Mundial que incorporou as angústias da época, trás o devastador holocausto, que tanto aflingiu os europeus do norte. Cidades caminhadas rumo à reconstrução e ao desenvolvimento, Bermang vivia o drama da Suécia e encontrou nas artes os caminhos para estes questionamentos.

Ao longo da carreira de mais de 60 anos, criou 54 filmes, 126 produções teatrais e 39 peças de rádio, além de programas para a televisão. Diante da vasta bagagem, tornou-se conhecido pelo jeito próprio com que tratava as questões humanas. E claro, a maneira de tocar o público com seus pensamentos. “Bergman reverbera em nosso corpo questionamentos. Seus filmes nos trazem o silêncio e deixam o silêncio… É importante ver como as aproximações do teatro e do cinema ocasionam a reflexão e reverberam em mim”.

Relato sincero de Cristina Leifer, atriz e pesquisadora da Escola de Teatro da UFBA, responsável pelo curso ‘Bergman no Teatro’, uma parceria com o Insituto Bergman (Suécia). O curso trouxe para Salvador as discussões dos principais textos do cineasta sueco – tanto do teatro quanto roteiros dos filmes adaptados para espetáculos. Uma mesa redonda com verdadeiras feras (Aimar Labaki, diretor e dramaturgo; Cleise Mendes, dramaturga e escritora, e Sérgio Rizzo, jornalista e pesquisador) que debateram o cinema bergmaniano

O resultado das discussões, claro, vão se transformar em artes cênicas:  estreia no Teatro Martim Gonçalves, em maio, a montagem ‘Sonata de Outono’, dirigida pelo diretor e dramaturgo paulista Aimar Labaki.

“Bergman é um dos maiores cineastas do século XX, que conseguiu expressar as angústias do homem europeu. Ele tem uma marca muito forte, a de construir situações dramáticas que são, na verdade, filosóficas”, conta o diretor.  É ele quem assinou a adaptação do roteiro do filme Sonata de Outono (1978) para português, e que ganhou uma montagem dirigida por Aderbal Freire Filho em 2005, encenada por Andrea Beltrão e Marieta Severo, que inaugurou o Teatro Poeira, no Rio de Janeiro.

O CASAMENTO COM O TEATRO – Envolto pelo contexto dos anos 40, Ingmar Bergman chega ao cinema depois de fazer escola pelo teatro. Dizia muitas vezes que a sétima arte era sua amante, e as artes cênicas a eterna companheira com quem tinha se casado. E isso se reflete na quantidade de produtos produzidos: estima-se que ele tenha dirigido três vezes mais para o teatro do que para o cinema.

Foi como diretor de teatro em Malmö, cidade sueca, que foi convidado a assumir o cargo de assistente de direção na Svenks Filmindustri, indústria cinematográfica do país nórdico que consagrou o cinema da região nórdica sem a concorrência dos outros países europeus. Apesar do sentido de indústria – além do poder econômico de rodagem e distribuição – Bergman conseguiu, desde Crise (1945), seu primeiro filme, expressar o valor estético através da linguagem cinematográfica.

A adaptação ao cinema criou sua marca: enquandramentos, fotografia, montagem… Audácias  técnicas e escolhas estéticas que o consagraram no final da década de 50 em todo o mundo como diretor. E o filme ‘O Sétimo Selo’ (1956) veio ao mundo com o carimbo de Bergman. A opção pelo melodrama o faz seguir pelo caminho peculiar que faz da câmera ponte para nos levar diretamente para os sentimentos mais aflitos dos seus personagens, vividos por atores suecos com quem Bergman já trabalhava desde os tempos do teatro.

A parceria na fotografia com Victor Sjöström caminhou no apuro da luz desde a fase em preto e branco, transpondo a mesma importância estética na transição para o cinema colorido. Em Gritos e Sussuros (1972), as cores podem traduzir as angústias – a cor acentuadamente avermelhada invoca os sentimentos dos personagens. A montagem também recebeu uma marca própria em seus filmes: uma edição não linear no sentido dos cortes. Em Persona (1966), por exemplo, Bergman nos convida a uma reflexão ao juntar planos que não dizem exatamente da mesma sequência. Planos detalhes que, unidos na montagem, levam o espectador a questionar imagens, e mais, entender o que isso tem a ver com os personagens.

Assim como o italiano Federico Fellini e o japonês Akira Kurosawa, contemporâneos de Bergman, o sueco firmou seu nome na categoria de cinema de autor, termo que surge no mundo da sétima arte para falar de diretores que expressam seus pensamentos de maneira autônoma e bem particular. Grande marca das suas produções, a narração de recordações inventadas direciona o espectador a questionar e a reconstruir a alma do homem contemporâneo.

Ingmar Bergman viveu 89 anos e, no fim da vida, assumiu seu grande amor pelas artes cênicas. Como mesmo disse que o teatro é a amada companheira de casamento, o cinema sua grande amante, a idade avançada o fez resignar o valor da união estável para o fim da vida. Assinou a última peça ‘Ghosts’, adaptação do dramaturgo noruegês Henrik Ibsen em 2003. Morreu no dia 30 de julho de 2007, mesmo dia que partiu outro gênio do cinema, o diretor italiano Michelangelo Antonioni.

 

mar
20

Documentário Entre Nós, em processo de montagem, mergulha no universo da saúde mental

Postado por soteropolis

por Caroline Vieira

O que é a loucura? Foi esta questão que impulsionou a cineasta Fernanda Vairelle a produzir e dirigir o documentário “Entre nós”, gravado no Juliano Moreira em Salvador.

Visto como depósito humano, onde sujeitos com manifestações variadas de inadequação social eram isolados e excluídos da sociedade, a Colônia ficou marcada como um símbolo da rejeição, separando pessoas ditas “normais” daquelas “anormais” e, portanto, deslocadas da vida em sociedade.

 

Uma obra importante, referência para esta pesquisa, foi o livro “A loucura entre nós”, escrita pelo psicanalista e ex-diretor da colônia Juliano Moreira em Salvador, Marcelo Veras.

A leitura do livro e as conversas com Veras provocaram inquietações em Fernanda e a vontade de produzir algo com aquilo.

Mais do que travar uma luta política ou uma discussão social sobre a loucura, o documentário que está em processo de montagem deseja resgatar o indivíduo e suas histórias pessoais.

A realidade encontrada por Fernanda é muito diferente da vivida nas décadas de 1970 e 1980, quando os “doentes” eram abandonados nestas instituições.

É com a luta antimanicomial, em 1987, que dá início a um longo processo de mudança.

Apesar da loucura ainda ser vista como um estigma na sociedade é impossível negar as conquistas obtidas a partir de estudos de Michel Foucault, A História da Loucura (1961), e os avanços na forma de ver o paciente proposto pela médica Nise da Silveira (1905 a 1999).

 

mar
6

O SUPER HERÓI

Postado por soteropolis

Por Denise Rabelo

Você já imaginou se a Bahia tivesse um super-herói capaz de resolver os problemas de violência e limpeza urbana, por exemplo? Essa figura já existe e se chama Ninguém. Pois é, o super-herói baiano foi criado, em 1991, pelo desenhista e animador Augusto Mattos e já está em atuação através de desenho animado, cartoon e tira em quadrinhos. Agora, Augusto Mattos quer que Ninguém vire série.

Mas Ninguém não é super-herói em tempo integral. Quem aguenta? Ele trabalha como gari da Limpurb e estimula a reflexão em torno de problemas sociais e de identidade. Ao longo da trajetória de Ninguém, o pai do personagem conquistou diversos prêmios e também acumulou experiência trabalhando em projetos como a série de animação Fala Menino, de Luís Augusto, e o longa Ritos de Passagem, de Chico Liberato. Veja no endereço abaixo o desenho animado de Ninguém:

O Soterópolis vai ao ar quinta-feira às 21h e tem horário alternativo no domingo, às 16h Você também pode assistir pelo portal: www.irdeb.ba.gov.br

nov
27

A cinematografia de Roberto Pires

Postado por soteropolis


Por Maria Rita Werneck

O pioneiro cineasta baiano Roberto Pires foi um dos homenageados no IX Panorama Internacional Coisa de Cinema, ao lado de Carlos Reichenbach e Alfred Hitchcock, outros grandes nomes da sétima arte. Projeções de cópias restauradas desses diretores foram exibidas, a exemplo de Redenção, primeiro longa-metragem da Bahia, que foi dirigido por Pires na década de 50.

Em 1959, o Cine Guarany exibia, pela primeira vez, Redenção. Essa trama policial é considerada o marco do cinema baiano não apenas pelo seu pioneirismo, mas por toda a influência que ela causou nas pessoas daquela época, as fazendo acreditar que produzir cinema na Bahia era possível.  E como não seria, se a prova estava nas telas daquele mês de março do último ano da década de 50?

Nesse longa, Roberto mostrou seu lado inventivo, criando uma lente anamórfica, batizada de Igluscope em homenagem a produtora Iglu Filmes, a qual ele foi um dos fundadores. Essa objetiva produzia o mesmo efeito da Cinemacospe, que permitia uma tela mais larga. Então, para não perder o efeito de expansão das imagens, Roberto Pires desenvolveu essa lente para o filme Redenção, que demorou três anos para ficar pronto.

Depois do sucesso e impacto dessa obra para o público baiano, Roberto Pires, em 1961, lançou A Grande Feira, outro longa que coloca, mais uma vez, a Bahia nas telas de cinema. Um ano depois, Tocaia no Asfalto (foto à direita) é lançado trazendo um roteiro policial, uma grande paixão de Pires. Mais um sucesso de crítica que fortalecia a produção cinematográfica realizada dentro do  Ciclo do Cinema Baiano, movimento pré Cinema Novo.

E por falar em Cinema Novo, Glauber Rocha foi um dos cineastas entusiasmados pelo pioneiro diretor baiano. É dele a frase: ” Se o cinema da Bahia não existisse, Roberto Pires o teria inventado”, escrita no livro Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Ambos se tornaram amigos e acabaram trabalhando juntos, como em Redenção, no qual Glauber foi produtor executivo, e em Barravento (1962), primeiro filme glauberiano, no qual Pires fez a produção.

Roberto Pires morreu em 2001, aos 67 anos, deixando um legado de treze filmes dirigidos e quatro longas produzidos por ele (fora os curtas). Sua importância para o cinema baiano vai muito além do fato dele ter dirigido o primeiro longa-metragem do Estado. A sua atitude de colocar em prática o sonho de fazer cinema, mostrando que isso era possível em uma Bahia que não tinha tradição nenhuma na produção cinematográfica, mudou a forma como as pessoas da década de 50 viam o cinema. Este ficou mais próximo das pessoas a partir de Redenção, já que Pires conseguiu provar que as produções baianas eram difíceis, mas não impossíveis, fazendo surgir outros cineastas, que no decorrer dos anos, fortaleceram o audiovisual baiano, o tornando um pólo produtivo que se reverbera pelo mundo.

Filmografia de Roberto Pires

Como diretor:

  • Sonho, o Calcanhar de Áquiles (1955)
  • Redenção (1959)
  • A Grande Feira (1961)
  • Tocaia no Asfalto (1962)
  • Crime no Sacopã (1963)
  • Máscara da Traição (1969)
  • Em busca do Su$exo (1970)
  • Abrigo Nuclear (1981)
  • Alternativa Energética (1982)
  • Brasília, Última Utopia (1989)
  • Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia (1990)
  • Biodigestor (1991)
  • Energia Solar (1991)

Como produtor:

  • Barravento (1962)
  • O Homem que Comprou o Mundo (1965)
  • Como vai, vai bem? (1969)
  • O Cego que Gritava Luz (1997)

 

 

 

nov
27

Cineclubes criam espaço para formação de plateia

Postado por soteropolis

Por Edinaldo Jr

Os cineclubes são associações sem fins lucrativos onde o público escolhe as obras para assistir e debater as temáticas. Muitos cinéfilos e diretores encontraram nesses clubes de cinema uma oportunidade para conhecer um pouco mais sobre o processo cinematográfico.

Diretores da Nouvelle Vague, movimento artístico francês do século XX, aprofundaram as concepções estéticas nos cineclubes franceses. Cineastas como Jean Luc Godard, François Truffaut e Eric Rohmer usaram estes espaços durante os anos 60 para transgredir.

No Brasil, o movimento cineclubista ganhou força somente na década de 40. Eles foram responsáveis pela formação de importantes críticos brasileiros. O  movimento cineclubista no Brasil viveu várias etapas. Na Bahia, o crítico de cinema Walter da Silveira deu a largada para o movimento cineclubista no Estado. Walter da Silveira foi um dos mais importantes críticos de cinema do Brasil. O baiano rompeu as estruturas do debate cinematográfico ainda na década de 40, ao trazer reflexões sobre o cinema brasileiro e o consumo de películas internacionais de qualidade.

A criação do Clube de Cinema da Bahia agitou a sala do Cine Guarany, onde hoje funciona o Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha, no centro da cidade.”O clube de cinema tinha uma importância muito grande, mas a sua atividade era promover um bom cinema internacional, naquela época não era tão fácil o acesso a esses filmes. E, com o desenvolvimento das produções nacionais, o cineclube passou a promover também o bom cinema brasileiro”, relata o cineasta Guido Araújo.

Na década de 70, a Federação Baiana de Cineclubes passou a se associar aos movimentos sociais e a atividade cineclubista ganhou a força política do acesso aos bens culturais produzidos pelo próprio país. As projeções em diversos lugares da capital baiana, incluindo regiões periféricas, aumentaram consideravelmente o número de clubes de cinema baianos. Numa época em que os equipamentos de projeção e rolos de filmes custavam o árduo trabalho de montagem, o número de cineclubes chegou a faixa de 80.

A Jornada Internacional de Cinema da Bahia é um dos mais antigos festivais de cinema do Brasil. Com foco para o documentário e para o cinema social e político, o projeto surgiu em 1972, idealizado por Guido Araújo. Até o final da Ditadura Militar, a Jornada tornou-se um foco de resistência do cinema independente e da cultura brasileira contra o autoritarismo.

O acesso tornou-se a principal bandeira dos cineclubes. Em tempos em que as salas de cinema foram parar nos shoppings, os ativistas do movimento cineclubista lutam pela democratização do acesso.”Não adianta você ter uma grande produção de cinema se ninguém vê. Um país só tem soberania se ele vê a sua cultura, principalmente o cinema”, relata Gleciara Ramos, diretora da Federação Nacional de Cineclubes. “A gente passa, por exemplo, o filme de Orlando Senna, Diamante Bruto (1977), para o público de Abaíra, na Chapada Diamantina. Com ele a gente mostra a exploração do minério na própria região para o público que tem uma história, para que eles se reconheçam na tela do cinema”, conta.

Aqui na Bahia, o Cineclube Roberto Pires tem conseguido atingir o público das periferias com atividades constantes. O grupo leva o nome do cineasta que lançou o primeiro longa metragem baiano, Redenção. Organizados por um grupo de produtores culturais, o cineclube incluiu outras atividades educativa, junto à exibição de filmes, em reuniões nos bairros periféricos.

Os cineclubes funcionam também como espaço para discutir e difundir ideias, como é o caso do Crisantempo. A temática é a socio ambiental, e as pessoas que frequentam o grupo trocam diversas experiências. O grupo já realizou feiras de troca de alimentos orgânicos, abordam o cuidado com os resíduos solídos, dentre outros temas que, debatidos junto com filmes temáticos, ajudam a melhorar alguns problemas da cidade. “É um projeto bem cidadão neste sentido, porque todos os filmes a cada semana tentam ter uma relação com o que tem acontecido nos aspectos ambientais de Salvador”, descreve o produtor do cineclube Flávio Bustani.

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