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Documentário “MOCAMBO AKOMABU” será lançado no Centro Cultural Plataforma


MOCAMBO AKOMABU
Documentário sobre o quilombo do Alto do Tororó tem direção de  João Paulo Diogo

A Comunidade do Alto do Tororó, localizada em São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, é a personagem principal do documentário “MOCAMBO AKOMABU”, produzido através da parceria do Coletivo de Assessoria Cirandas, Cambuí Produções e a Finisher Studio.O lançamento do documentário acontecerá no dia 21 de novembro, no Centro Cultural Plataforma, a partir das 19 horas e terá uma grande programação comintervenção cultural com capoeira, Mesa de Debate, exibição do documentário “MOCAMBO AKOMABU”, homenagem as mulheres que contribuíram na luta quilombola o Alto Tororó e apresentação musical com o Hino da África do Sul.

O Quilombo do Alto do Tororó possui, como particularidade, a característica de ser uma comunidade tradicional urbana, pesqueira, extrativista e de terreiro. O documentário mescla depoimentos de lideranças comunitárias do Alto do Tororó e de atores políticos da pauta da igualdade racial, com cenas de animação e imagens de cobertura que trazem as particularidades desta Comunidade Quilombola. Inclusive o conflito que a mesma vive com a Marinha do Brasil, que montou a Base Naval na região, na década de 1940, e que desde então não reconhece as comunidades quilombolas vizinhas como donas do território.

O lançamento do documentário “MOCAMBO AKOMABU” finaliza um ciclo de quase cinco anos, desde que o Coletivo de Assessoria Cirandas foi procurado pela Comunidade do Alto do Tororó para fazer um filme sobre a comunidade e sobre a relação territorial que eles vivem.

“O Coletivo Cirandas assumiu o compromisso de registrar as histórias da Comunidade e convidou a Cambuí Produções para desenvolver o projeto de filmagem do documentário. Encaminhamos o projeto para os Editais do Fundo de Cultura da Bahia (Culturas Populares) e do Ministério da Cultura (Curta Afirmativo). Fomos contemplados nos dois editais e iniciamos o trabalho”, explica o produtor executivo da Cambuí Produções, Tiago TAO.

“Foram quase cinco anos após a primeira conversa no Quilombo do Alto do Tororó, finalmente podemos apresentar com orgulho e felicidade o resultado deste trabalho que envolveu mais de uma dúzia de profissionais do audiovisual, a Comunidade do Alto do Tororó e que foi abrilhantada pela belíssima trilha sonora do querido Tiganá Santana”, destaca o diretor e articulador comunitário, João Paulo Diogo.

Com apoio financeiro do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CPPI), Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Governo do Estado da Bahia, o documentário de 26 minutos, que retrata o cotidiano da Comunidade do Alto do Tororó, também foi contemplado pelo Edital Curta Afirmativo: PROTAGONISMO DA JUVENTUDE NEGRA NA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL, realizado em parceria entre a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República e a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, do Governo Federal.

O projeto do documentário “MOCAMBO AKOMABU” pretende ainda distribuir 1.000 DVDs para escolas públicas, bibliotecas e ONGs baianas, incluindo as organizações quilombolas na Bahia e no Brasil.

O DIRETOR
João Paulo Diogo é um dos idealizadores do Coletivo de Assessoria Cirandas, que é um coletivo de jovens negros que presta assistência técnica ao movimento social nas áreas de desenvolvimento. Há mais de 18 anos atua no movimento social, tendo produzido diversos festivais culturais e atuado em diversas ONGs, como  produtor, educador, articulador e consultor. Em 2006, participou  da produção do documentário SILÊNCIO SENTIDO, sobre violência sexual; e produziu  em 2012, o documentário CULTURA DA INFÂNCIA. Este é o primeiro documentário que assina a direção.

QUILOMBO URBANO DO ALTO DO TORORÓ
O Quilombo Urbano do Alto do Tororó, em São Tomé de Paripe, Subúrbio Ferroviário de Salvador, existe há mais de 400 anos e foi formado originalmente por negros escravizados em processo de resistência – quilombolas, que tinham a pesca como elemento de subsistência. Após a abolição da escravatura passaram a pescar e vender o peixe para os senhores de engenho e continuaram habitando o local. Hoje, os descendentes destes quilombolas sobrevivem basicamente da pesca, do extrativismo e do artesanato.

Entre os quilombos inseridos em capitais dos estados brasileiros, o Quilombo do Alto do Tororó destaca-se enquanto uma das poucos comunidades que para além de ser quilombola é extrativista, pesqueira e de terreiro, firmando esta comunidade com uma plena comunidade tradicional.

Contudo, um fato na década de 1940 mudou a dinâmica de vida desta comunidade: o estabelecimento de uma base americana na localidade de Ponta de Areia, a 6 km do Quilombo do Alto do Tororó, e que anos depois seria passada para Marinha de Guerra do Brasil, fez com que a comunidade vivesse a triste experiência de ver a Marinha desapropriar todas as terras no entorno do quilombo e aos poucos se apossar das terras da comunidade, reduzindo o território do Alto do Tororó a quase nada.

A partir desta ocupação da Marinha as pessoas da comunidade, segundo relatos, passaram de ser senhores e senhoras de seu território à serem vistos pela Marinha como invasores, sendo as pessoas da comunidade constantemente vítimas de agressões físicas, morais e psicológicas, por parte de patrulhas de marinheiros e fuzileiros navais nos caminhos de acesso aos manguezais, sendo presos e submetidos a castigos físicos e constrangimentos morais. A opressão chegou ao ápice com a ameaça de demolição da escadaria de acesso ao Porto das Canoas, demolição da rede de iluminação pública na ladeira de acesso a comunidade e impedimento da construção do campo de futebol.

Entretanto, este quadro é amenizado, depois de muita luta das lideranças da comunidade que dão um primeiro passo importante na conquista de seu direito ao território, com a finalização da primeira etapa do processo de reconhecimento como Remanescente de Quilombo (Certificado de Autodeclaração), em novembro de 2010, pela Fundação Cultural Palmares. A luta ainda não para, pois a Certificação é um primeiro passo.

Hoje, a comunidade encontra-se lutando incessantemente para que o INCRA cumpra seu papel e realize o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID) do Quilombo do Alto do Tororó, garantindo assim um subsídio importante para a garantia do direito as suas terras.

EQUIPE DO PROJETO

Diretor e Articulador Comunitário – João Paulo Diogo
Diretor de Animação, Câmera e Montador – Léo Silva
Produtor Executivo – Tiago TAO
Animador 3D e Captação de Som – Ricardo Sousa
Assistentes de Produção – Bárbara Maré, Glauber Santos, Jenair Alves e Viviane Jacó
Design Gráfico e Webdesigner – Ravi Santiago
Finalização Audiovisual – Igor Caiê Amaral
Câmeras Adicionais – Ailton Pinheiro e Petrus Pires
Criação da Maquete do Quilombo – Luís Parras e Luna Matos
Finalização de Som – Hilário Passos
Trilha Sonora e Narração – Tiganá Santana
Músico convidado – Alex Mesquita
Assessoria de imprensa – Dayanne Pereira

SERVIÇO
O QUÊ: Lançamento do documentário MOCAMBO AKOMABU
QUANDO: 21 de novembro, a partir das 19h
ONDE: Centro Cultural Plataforma
INGRESSO: Entrada franca

 

PROGRAMAÇÃO
19h – Intervenção Cultural com Capoeira
19h20 – Formação da Mesa de Debate
20h – Exibição do documentário “MOCAMBO AKOMABU”
20h30 – Homenagem as Mulheres que contribuíram na luta quilombola o Alto Tororó
21h – Apresentação musical com o Hino da África do Sul

Visite a página do documentário mocamboakomabu.com.br

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3 Comentários para “Documentário “MOCAMBO AKOMABU” será lançado no Centro Cultural Plataforma”

  1. Getúlio David Dos Santos disse:

    E um prazer entrar nessa pagina,
    para dizer que eu faço parte dessa comunidade.
    por isso eu fiz esse pequeno poema
    para homenageá esse meu lugar.

    Quilombola

    Hoje tenho orgulho de dizer,
    O que digo Agora,
    Meu em gatear foi sobre o massapê,
    Tudo isso sem saber,
    Que aquilo era quilombola,

    Eu sou eu sou,
    Quilombola,
    Nos dê licença senhor,
    Também sou parte dessa historia

    Fazem mais de quatro centos anos,
    Que o nosso povo aqui chegou,
    E foram se instalando,
    Por isso agora aqui estou,

    Vivíamos no anonimato,
    Perigando deixar de existir,
    No entanto vamos descoberto de fato,
    Já não iremos mais sumir,

    Se hoje estamos aqui,
    Agradecemos aos nossos ancestrais,
    E tudo que nos foi possível conseguir,
    Sem eles não teria jamais,

    Faço parte do quilombo,
    Do alto do tororó,
    Eu descendo lá do congo,
    E garanto não tem coisa melhor,

    Quem trás quilombo no sangue,
    Fome nunca passará,
    Mesmo que já não exista mangue,
    Saberemos ir lutar em um outro lugar.

    Eu sou eu sou,
    Quilombola,
    Nos dê licença senhor,
    Também sou parte dessa historia

    Getúlio David dos santos

  2. Getúlio David Dos Santos disse:

    Esse é para o dia Nacional da consciência Negra!

    Será um grande dia

    Quando a raça negra
    Por fim se rebelar
    Tomando o poder do país
    Na quadra do olodum
    Os tambores irão rufar,
    Não vai haver
    Um só canto desse país
    Que não irá escutar

    Quero os negros influenciando
    Nas roupas que vamos usar,
    Quero os negros também opinando
    Nos salários que devemos ganhar,
    Quero os negros nas lideranças
    Das grandes multinacionais,
    Quero os negros escolhendo as manchetes
    Que a gente lê nos jornais,
    Quero os negros nos hospitais
    Atendendo a população,
    Quero ver eles nos tribunais
    Botando ordem nesse mundo cão
    Porque já não agüento mais.
    Ouvir dizer só tem preto ladrão,
    Quero ver os negros sendo convidados
    Pela alta roda pra participar,
    Em tudo que eles fizerem
    Os negros não podem faltar

    Se não fosse o suor dos negros
    O mundo hoje não estaria
    Desenvolvido como ele estar

    Negro tem direito de ter
    Parte de tudo que temos aqui
    Ele não pode mais se esconder,.
    Se viver se escondendo nada vai conseguir

    Getúlio David dos Santos

  3. Getúlio David Dos Santos disse:

    Estive lá nesse nesse evento que foi uma maravilha num todo!
    A trilha sonora então pra lá de boa,
    Espetacular!

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