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2ª mostra da Oficina de Performance Negra acontece amanhã

Foto: Jorge Washington

Foto: Jorge Washington

Vila Velha recebe, nesta quarta, 2ª apresentação da Oficina de Performance Negra a partir das 19 horas. Entrada é gratuita

Além de proporcionar a formação de novos atores em uma estética que comporta linguagens diferenciadas como dança e canto, a II Oficina de Performance Negra está sendo a oportunidade para que integrantes do Bando de Teatro Olodum exercitem outras habilidades com destaque para a direção. O projeto realizado pela companhia de teatro apresenta amanhã (quarta-feira), às 19 horas, sua segunda fase. A ação tem o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) por meio do Edital Setorial de Teatro.


Os 36 selecionados, numa audição que reuniu mais de 100 inscritos de várias partes do Brasil, estão divididos em grupos que serão dirigidos por quatro duplas formadas por atores do Bando: Arlete Dias e Rejane Maria; Cell Dantas e Ednaldo Muniz; Geremias Mendes e Sérgio Laurentino; e Leno Sacramento e Merry Batista.

Cada grupo vai apresentar um quadro de 25 minutos. Retomando uma experiência de direção, Ednaldo Muniz afirma que está aproveitando as lições proporcionadas ao estar no outro lado de um espetáculo de teatro. “É um desafio empolgante sentir como é a visão de quem vive o espetáculo intensamente, mas está fora do palco. Tem sido muito gratificante e a parceria com Cell é muito produtiva”, aponta. Os vários aspectos do racismo serão discutidos no quadro dirigido pela dupla por meio das poesias compostas por Ednaldo. “Um poema é usado no começo e já encadeia outro e assim por diante”, explica.

Participante do quadro, Felipe Soares, 26 anos, diz ter acertado ao deixar o curso de teatro em Belo Horizonte para batalhar uma vaga na oficina do Bando. “Esse grupo não forma só artistas, mas militantes da cultura afro e mostra de onde viemos e para onde estamos caminhando de uma forma bem direta”, analisa.

Para Natalyne Santos, 24 anos, a formação tem sido inigualável. “Na fase anterior eu participei de um quadro com base na linguagem de cordel e agora estou trabalhando com a poesia”, acrescenta.

Falar das várias violências que atingem a população negra por meio da linguagem de comunicação de massa com ênfase na TV é o desafio do grupo dirigido pela dupla Leno Sacramento e Merry Batista. A aposta foi construir uma linguagem que faz denúncia usando como instrumento o uso cênico do silêncio.

O extermínio contra a população negra não mata apenas o corpo físico, mas também se apresenta pelo massacre simbólico. A televisão, principalmente, alimenta essa desvalorização do outro. É isso que estaremos mostrando”, relata Leno. A cantora Savannah Lima, 28 anos, está satisfeita com o desafio de participar de um quadro onde não vai usar o seu maior trunfo que é cantar.

A experiência é gratificante, pois ainda não tinha pensado em fazer teatro. Passei na audição e estou tendo a oportunidade de viver uma aventura fantástica”, completa. Estudante de educação física, Nitorê Akadan, 25 anos, também está animada com o desafio. “Não me via no teatro até participar da audição. Estou aproveitando todas as etapas dessa formação que tem sido uma experiência completamente nova e gratificante”.

Resgate
Arlete Dias e Rejane Maria resolveram falar da luta e resistência das mulheres negras por meio de um quadro que reforça o quanto essa marca ancestral continua presente. “Eu tinha muita vontade de contar a história de mulheres que não estão distantes, mas fazem partes das nossas famílias e, portanto, são bem concretas, como avós e mães que por meio da venda do acarajé montam verdadeiras empresas familiares, por exemplo. Temos heroínas do passado, mas também as do presente”, diz Rejane.

Advogado, Thiago Amaral, 25 anos, participa do quadro e diz que a seleção no projeto foi a certeza de que sua vocação para a atuação é viável. “Ser escolhido para participar de um projeto do Bando de Teatro Olodum, uma das maiores companhias do país, é a certeza de que você está no caminho certo e isso em um mercado muito difícil para quem deseja essa carreira de ator como é a Bahia”.

Para a fisioterapeuta Deyse Ramos, 28 anos, participar de uma mostra como essa é ter a oportunidade de fazer o que considera uma marca pioneira do Bando de Teatro Olodum: a performance com compromisso. “Para mim é muito nítido que fazer parte de um projeto como esse não é apenas estar no palco como atriz, mas como corpo político, afinal o Bando tem conseguido levar essa temática da desigualdade racial para um plano que alcança projeção nacional”, analisa.

A linguagem de cordel é o ponto de partida para discutir os embates que o racismo provoca até do ponto de vista religioso no quadro dirigido por Geremias Mendes e Sérgio Laurentino. “Tem sido proveitoso retomar essa experiência de direção que eu já não fazia há algum tempo. É uma oportunidade de renovação”, diz Geremias.

Disposto a não deixar a passar a oportunidade que considera única, Bruno Reis, 17 anos, está empolgado com os ensinamentos que tem recebido. “Foi emocionante ter sido escolhido entre os 36 que foram selecionados em um grupo de 115 concorrentes. Para mim a experiência tem sido muito gratificante, inclusive para sair de zonas de conforto”, avalia.

Participante de um grupo de teatro com sede no Subúrbio Ferroviário, Marcos Dias, 26 anos, está ansioso para compartilhar as experiências do projeto. “É incrível o que estou aprendendo aqui e que vou ter a oportunidade de expandir e compartilhar também com o pessoal do Subúrbio”, afirma.

Integração
Além de canto, dança e interpretação, nessa segunda fase do projeto os alunos receberam aulas de iluminação ministradas por Rivaldo Rio. Para encerrar a II Oficina de Performance Negra, em setembro, o grupo vai encenar um dos espetáculos do Bando.

A coordenação dessa etapa está sob a responsabilidade de Valdinéia Soriano e Ednaldo Muniz que atua como assistente de produção. A supervisão geral é de Márcio Meirelles, do diretor musical de Jarbas Bittencourt e do coreógrafo Zebrinha.


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