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Os b-boys norte-americanos Manofgod e Spazmatic e a b-girl mineira Nathana falam sobre a arte do break

 

Foto: Bruno Santos/Labfoto

Foto: Bruno Santos/Labfoto

Do VIVADANÇA 

Convidados a integrar a comissão julgadora da 7ª Batalha de Break Evolução Hip Hop, durante a programação do VIVADANÇA Festival Internacional, os B-boys norte-americanos Spazmatic (David Saide) e Man of God (Jarius King) e a B-Girl mineira, Nathana, acompanharam as eliminatórias no Cine-Teatro Solar Boa Vista e a grande final no Teatro Vila Velha, entre os dias 19 e 20 de abril. Nossa equipe trocou uma ideia sobre o evento, Dança de Rua e Hip Hop com os três. Leia a entrevista.


Como é que você criou essa 
relação com os artistas de Break Dance na Bahia?

Quando eu estudava aqui, fazendo um intercâmbio acadêmico, eu conheci o trabalho de B-boy Ananias. Descobri que ele fazia uma roda na Praça da Sé há mais de 10 anos e conheci o trabalho social que ele faz em toda a cidade e também no interior do Estado daBahia. Como na época eu estudava Antropologia e já tinha essa grande paixão pelo Hip Hop, foi uma consequência natural que eu também fizesse uma pesquisa aqui, especificamente em Salvador. Então, entrevistei ele, entrevistei outros dançarinos, escrevi vários trabalhos e, ao final de tudo, me formei e retornei para cá. Quando eu voltei, comecei a fazer trabalho voluntário com o Grupo Independente de Rua, do B-boy Ananias. Eu colaborava elaborando projetos, propostas de projetos, editando textos, e acabei fazendo umas pesquisas sobre a Dança de Rua na Bahia. Igualmente, em um grande trabalho de três meses, traduzi e legendei do inglês para o português (gratuitamente – para uso como ferramenta educativa) um dos documentários mais completos sobre a história da Dança de Rua, que se chama The Freshest Kids (2002 – Diretor Israel), cuja legenda em português lancei em vários fóruns lusofalantes na internet para o bem e educação desse público. O documentário legendado em português encontra-se no Youtube.

Que particularidades você percebe nos dançarinos de Break da Bahia e do Brasil?

Cada região tem um estilo específico para o cenário da dança. Eu gosto muito de ver como a capoeira influencia o Break aqui. O que é chamado de “Capobreak”, uma dança híbrida ente a capoeira e o Break. Estudei sobre isso, entrevistei algumas pessoas quando eu morava aqui uns anos atrás. E vejo isso hoje evoluindo. O Capobreak não é um estilo que representa os bailarinos de um modo geral, mas, pelo que tenho visto desde o último festival, é que os dançarinos estão mais completos, que vêm conseguindo usar os fundamentos da Dança, e não somente movimentos acrobáticos.

Como você entende a importância desse espaço para o Hip Hop no VIVADANÇA Festival Internacional?

O festival está fazendo um grande trabalho, não só chamando o Hip Hop para participar, mas também representando as diversas danças do Brasil e do mundo.

B-boy ManofGod (29 anos) dança Break há 14, é natural de Chicago (EUA), integrante dos grupos Rhythm Attack (Hong Kong, China) e Motion Disorderz (Wisconsin, EUA). O artista, que também é DJ e fala fluentemente o idioma chinês mandarim, já se apresentou em países como Alemanha, África do Sul, China, França, Itália, Panamá, Nicarágua, Japão, entre outros. O B-boy tem formação em diversos estilos de dança e também faz parte do Awesome Style Konnection. Uma de suas grandes conquistas foi ser premiado, em 2013, pelo Originality Stands Alone, a maior competição de Break dos Estados Unidos.

Como é para você estar no Brasil e participar do VIVADANÇA Festival Internacional?
Para mim, é uma bênção estar aqui no Brasil. Estar aberto para viajar, compartilhar, conhecer outras regiões, diferentes dançarinos, até pelo fato de eu ser afro-descendente, nos Estados Unidos, e vir para um Estado como a Bahia e ver a cultura negra, uma experiência nova em outro lugar. E eu tenho visto muitos bons dançarinos no VIVADANÇA, de diferentes estilos, como dança contemporânea, balé, dança moderna, e poder trocar com todos esses grupos e artistas juntos é maravilhoso.

Como é que o mercado da dança para os B-boys e B-girls hoje em dia?
Há oportunidades como professor, fazer oficinas em escolas, se apresentar em espaços e festivais, é claro… Eu encontrei meu mercado nos Estados Unidos, mas há também um grande mercado para dançarino fora do país, como na França, por exemplo. Os governos de muitos países nos apóiam, há grandes competições, em grandes palcos. É importante saber o que acontece em outros lugares, ver o que há de novo, de diferente, que eles tenham interesse, que possam trabalhar, comercializar, até porque os dançarinos de Break precisam sobreviver.

B-girl Nathana (24 anos) dança Break há 8 anos, é natural de Uberlândia (MG). Começou dançando balé clássico e dança contemporânea. Já venceu campeonatos como “Quando as Ruas Chamam” (Brasília, 2012) e Batom Battle (Brasíliam, 2013) e participou de muitos outros, a exemplo do Master Crews (SP). A artista também dá aulas e costuma ser jurada de diversos concursos do gênero.

Ainda há muito preconceito com as B-girls no Brasil?

Antigamente era mais discriminado. Ainda rola um certo machismo, mas não tanto como antes, porque nós B-girls também temos conquistado nosso espaço. Eu creio que as B-girls do Brasil estão em constante evolução.

treinamento de uma B-Girl é muito diferente do treinamento de um B-boy?
Não é muito diferente, não… Eu treino praticamente quase todos os dias. Eu costumo treinar basicamente durante duas horas por dia. É sempre foco naquilo que você quer. Hoje, as técnicas que eu uso na minha dança vêm de B-boys da “Old School”, que é como a gente chama os dançarinos que vieram antes da gente.

Qual é a sua visão sobre o espaço do Hip Hop em festivais como o VIVADANÇA?
Gostei muito do projeto. É muito bom que o festival abra as portas para a cultura Hip Hop, pra mostrar também a sociedade que não se trata de uma cultura discriminada, que os B-boys e as B-girls são pessoas íntegras, de respeito, estudiosas, pais de família, batalhadoras… E esse espaço incentiva tanto quem está começando quanto quem já está nessa área há mais tempo.

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