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Beyoncé, a pista Vip e o racismo institucional

Por Jocélio Teles dos Santos*

Na madrugada do dia 10 de fevereiro um dos canais de televisão pagos projetou o filme O Homem Errado de Alfred Hitchcok (1956). Trata-se de um músico de uma casa noturna (interpretado por Henry Fonda),  religioso, casado, de vida pacata e que é confundido, acusado e preso pela polícia americana por um crime que não cometeu. Ao ver o filme eu me perguntei: e se o personagem fosse de cor na sociedade americana de antanho ou na atual sociedade brasileira? Qual seria o roteiro e o desfecho? A resposta veio em menos de vinte e quatro horas.

Provocado pela mídia me desloquei com um amigo para o show de Beyoncé no Parque de Exposições em Salvador. Havíamos comprado ingressos para a pista Vip no intuito de uma visão ideal do show da mega estrela. E esta área estava restrita a quem pagasse R$370,00 por cabeça. Enquanto assistíamos ao show de Ivete Sangalo deparei-me com um fato que exemplifica o racismo institucional.


Uma guarnição da Polícia Militar abruptamente abordou o meu amigo, circundando-o e já levando-o de modo truculento, sem nada perguntar, segurando-o pelo braço por trás, pela camisa, na costumeira fila, dita indiana, da corporação do Estado. Ao me aproximar para saber o que estava acontecendo, os soldados me afastaram e não tive outra alternativa que acompanhá-los no meio da fileira, mesmo falando que estávamos juntos e procurando saber do que se tratava. A resposta do corpo policial traduziu força e ameaça, mesmo que implícita, sem nenhum texto, a não ser o gestual, demonstrando que não há verbo capaz de estabelecer um possível diálogo entre sujeitos que detém e os que devem ser alijados de alguma relação com quem personifica o poder.

O meu amigo estupefato não reagiu. Foi levado para um canto da pista VIP, próximo aos holofotes e humilhado pela revista policial, como se estivesse cometido um delito. Sendo obrigado a mostrar a carteira de identidade, teve que dizer onde residia e, por fim, após a crueldade de todo o rito da PM, ouviu a seguinte frase do responsável pela guarnição: “houve um roubo aqui na área VIP e soube que a pessoa era do seu estilo”. Qual estilo, cara pálida? Respondo: o da cor/raça. Meu amigo é negro retinto.

A área VIP era formada majoritariamente por indivíduos de classe média e branca. Se comparada com a área de pista mais barata – preços no valor de 80,00 e R$160,00 – ali havia uma proteção policial considerável, mesmo sendo uma área cara, reservada e sem grande fluxo de pessoas. Durante o evento havia sempre duas guarnições. A lógica da distribuição policial em espaços de eventos elitizados parece obedecer a critérios. Quais? Procuremos os sentidos implícitos, já manifestos a distribuição desigual da PM na capital soteropolitana.

Diante desse fato de racismo explícito, o que dizer dos olhares das pessoas diante de tal brutalidade? Mesmo que elas estivessem freneticamente dançando ao som de Sangalo, não houve reações, o que demonstra a subjetividade e a introjeção do racismo na sociedade brasileira. Ao ver um negro sendo levando por policiais, mesmo ele estando na área VIP, algo que indica um diferencial em termos de classe, um sentimento de proteção emana das cabeças ali situadas. A naturalização do racismo – uma pessoa negra sempre é suspeita – associa-se aos que imaginam estarem sempre protegidos pela corporação militar.

Exemplos como esse abundam no país. O diferencial é que foi na ala VIP de um show. Lembro-me que no debate sobre as cotas raciais nas universidades os que eram contrários insistiam em dizer que no Brasil é difícil definir quem é negro. A resposta dos ativistas atualizou-se na área VIP para ver Beyoncé: “pergunte a polícia e ela saberá”.

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*Departamento de Antropologia e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia.

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41 Comentários para “Beyoncé, a pista Vip e o racismo institucional”

  1. Muito pertinente este texto, e absolutamente verdadeiro. As pessoas que negam o racismo no Brasil e as cotas, são os mesmos que acreditam em pena de morte e são contra o aborto.

    É um misto de hipocrisia com sadismo.

  2. Paulo disse:

    Existe o racismo eu não puder trabalhar para uma emissora por ser moreno Jambo como apresentador ou reporter.
    A nossa sociedade é muito hipocrita.
    E no Brasil o rascimo existe e ate a clã.

  3. Celso Ricardo Monteiro - Coordenador Adjunto do Programa Municipal de DST/AIDS de São Paulo disse:

    Cumprimento-o amigo, pela possibilidade de acessar texto sobre tema tão caro para a sociedade brasileira. Penso que aqui, temos mais um dos brilhantes e inúmeros estudos de casos que colecionamso por anos para contribuir com a intervenção e a articulação da sociedade civil organizada e, as instituições públicas com vistas para o enfrentamento do pré-conceito racial e o racismo institucional no universo do setor público, naquela ocasião, em cooperação com o Governo Britânico. Anos depois e, depois de resultados tão interessantes, centrais, porque não dizer, temos muito que o fazer, mas estimular a denuncia e, registrar as ocorrências, são elementos fundamentais para a revisão do modelo de gestão. É muito bom tê-lo também nesta empreitada…

  4. Vilaça disse:

    Esse grito de alerta me remeteu aos que insistem no discurso de que não somos racista. Alguma coisa está fora da ordem ou sempre foi essa? Resquícios da ditadura.

  5. Luciana disse:

    Não nego que existe racismo ou que as pessoas sofram preconceito por aí, mas sinceramente não vi nada que confirmasse o racismo no caso descrito. Como saber se a descrição do tal assaltante batia mesmo ou não com a do seu amigo? E outra, quem, em sã consciência, se mete no meio de um grupo de PMs para questionar a razão de estar levando alguém como suspeito, seja ele negro, branco, índio ou oriental? Eu sou mulata, filha de negro, família em sua maioria negra e acho que temos que nos valorizar mais como pessoas, cidadãos e cabeças pensantes que ficar procurando racismo onde quer que estamos. Acho o sistema de cotas um preconceito do negro contra o próprio negro, porque temos direito a vgas especializadas? Somos menos capazes que o resto das raças? E quem não tem sangue negro nesse país? Temos que nos afirmar como pessoas e não como cores, uma pessoa competente e interessante tem muito mais espaço que uma pessoa que concentra toda a sua energia tentando achar um racista a cada esquina…

  6. Débora disse:

    Prezada Luciana,
    Apenas o fato de vc se declarar como “mulata” mostra que o preconceito existe.
    Se nao houvesse preconceito no Brasil, seria mais facil assumir-se como negro, da mesma forma que o branco se diz, simplesmente, branco. Nao ha meio termo como branquinho, branco amarelado ou rosado!
    Esse é o problema do racismo no Brasil, nunca ha indicios suficientes!

  7. lk disse:

    claro que o rasismo existe e de forma vergonhosa pois um policial negro morador de periferia mal pago mesmo assim ainda prefere cheira a bosta do branco do que ajudar a ordem publica ou defender a classe mais humilde e sempre dessa forma o racismo e so mas um dos varios crimes cometidos pela policia pra ter uma ideia tive que corta o cabelo pra ver uma entrevista chegando noi local perguntaram de onde eu era morado de favela eles falaram apos a entrevista que nãO ACEITAVA PESSOAS DESSE TIPO DE LOCALIDADE PRECONCEITO DISCRIMINAÇÃO E CRIME AGORA ME EXPLIQUE QUEM DEVO PEDIR A AJUDA A POLICIA RSRSR

  8. Haroldo Oliveira disse:

    Não causa estranhamento que ninguém em sã consciência se meteria entre um bando de PMs, o que causa estranhamento é que a PM senpre está se metendo com os negros, nas revistas, nas “blitz”, nas humilhações públicas, etc… Raramente se vê um branco ou um asiático receber o mesmo tratamento.
    Quanto às cotas, cada um tem a sua opinião, mas acho-as necessárias sim, pois pessoas capacitadas e preparadas, muitas vêzes com nível superior, e cultura mais elevado que brancos e asiáticos, estão fora do mercado, ou se submetendo à salários que não condizem com sua capacidade, e realidade, não quero dizer com isso que com as mulheres seja diferente, e nem mesmo que isso também não deva ser combatido. O Racísmo está aí, e não adianta querer enfiar a cabeça na areia, como um avestrúz, pois com ele toda a sociedade brasileira está perdendo.

  9. genira de araújo góes disse:

    Infelizmente no Brasil o racismo é velado e as pessoas insistem em não reconhecer a força do colono sobre as nossas cabeças, mesmo sendo negro, o sequela da discriminação racial está presente.Parabéns para o artigo que contribuiu para retirar máscaras.

  10. Jorge Senna (AZUL) rs disse:

    Ola meus irmãos, a Policia as instituiçoes são racistas, veja bem… Dia destes viajando de Porto Alegre a Belem, a Delegada no Aereoporto de Guarulhos me Abordou por que eu estava cuidando as Malas dos Passageiros, eu fui vasculhado e Humilhado… Mesmo Informando que estava com uma passagem paga pelo Governo Federal SEPPIR, esta Pessoa se quer pediu desculpas…. e ainda alguns teimam em dizer que nos somos os preconceituosos, que nos somos mais racista.

    Bem este texto me faz refletir qual nossa tarefa ainda como Movimento Negro e a construção de uma unidade na AÇÃO.

    Abraços

  11. Rildo Polycarpo Oliveira disse:

    A denúncia é oportuna. Ainda que a descrição do suspeito feita aos PMs seja verdadeira (afinal a grande maioria dos que foram levados a uma vida de pequenos furtos coincide com a grande maioria dos que historicamente foram alijados de melhores chances sócio-econômicas – isso é um fato!), a abordagem deve seguir o critério do respeito à dignidade humana, ainda que a alguns seja necessário muito esforço para compreender esse conceito. A primeira pergunta feita por Luciana, mais acima, carece de necessidade, pois não se trata de discutir se a abordagem deveria ou não ser feita, mas como ela deveria ter sido feita. A segunda pergunta feita por ela apenas traduz um sentimento que temos alimentado em relação à polícia: o medo, o temor consubstanciado naquela paz sem voz contra-cantada pelo Rappa. O mutismo é uma qualidade que em nada contribui para “nos valorizar mais como pessoas”. E com isso comento a afirmação feita por Luciana, após se referir as características étnicas próprias e de sua família, certamente um elemento que poderia ter contribuído para uma posição mais aguerrida diante dessas injustiças institucionalizadas e, mais que isso, tão profundamente arraigadas em nossa percepção do mundo que até mesmo muitas vezes resistimos e nos detemos diante de um chamado a pensar as questões relacionadas desde uma perspectiva menos conformista. Infelizmente, este parece ser o caso de Luciana quando se opõe ao sistema de cotas a partir do argumento de que negros possuem as mesmas capacidades que brancos ou quaisquer outros. De que capacidades se está a falar. Certamente que em termos biológicos, cognitivos, a capacidade de aprender é comum a todos. Mas não assim se pensamos nas condições sociais de expressão e desenvolvimento dessas capacidades. É disso que se trata quando pensamos na defesa das cotas étnicas, ainda que nisso se pense – e assim penso eu – como um momento e uma trincheira numa luta mais extensa, que certamente não é ganha sem embates mais agressivos. Já sobre essa balela de que todos no país tem sangue negro não precisamos mais que a lembrança de que nem isso é verdade, nem os indivíduos e grupos sociais se reduzem ao sangue que trazem nas veias. A última afirmação de Luciana só teria sentido num mundo feito de números e não de pessoas, constituídas numa complexidade em que as mazelas da história têm um papel muitas vezes decisivo e até mesmo fatal. Quando nos referimos a cores, Luciana, estamos falando de pessoas, na sociedade, na história, no mundo em que vivemos. Pode ser que precisemos buscar um racista em cada esquina. Não teremos muito trabalho. Mais fácil ainda será encontrar os que se negam a enxergar o racismo.

  12. Kiko'Mc disse:

    Eu estava lá, não na Pista vip mas no pistão mas barato mesmo. Se ouve essa brutalidade na Pista vip imagine onde eu estava.
    A pessoa paga tão caro para ver um artista que tanto gosta e é tratado dessa forma.
    Como o Jocélio disse ai em cima, o negro é o retrato falado sempre é suspeito e é abordado sem motivos ma maiorias das vezes, e fica cada vez mais visto como só mais um “Meliante” dentro dessa tal sociedade.

    Ainda tem gente que acredita que acabou o racismo Racial e Social no Brasil ou melhor no Mundo.

    Pura ilusão Rapá….. By: Kiko’Mc

  13. Íris disse:

    Este fato descrito no show, sabemos que acontece diariamente, principalmente racismo instituicional, creio que um debate nestes espaços só terão impacto após a colheita de negros criticos e conscientes da atuação social em que para mim, as COTAS estão sim! lapidando-nos, para este embate. O Movimento Social Negro inicio este debate miados de 80, com a despersonalificação do que ameaça a ordem social e a criminalização deste que nos persegue e extermina nossa juventude negra. Sabemos lutar contra, nossos antepassados nos deixaram de sobra resistência e sabedoria para este combate. Então Companheiro (a) Você não esta sozinho!!, fizeste muito bem em acomapnhar seu amigo, pois sabemos o que eles são capazes de fazer para “estabelecer a ordem social elitizada”!
    Meu desabado aqui é também sobre os cometários totalmente fora desta Luciana em que primeiro se intitula como “mulata”( que vem de mula não procria, nome dado pelos donos de escravos que estupravam e desta violência, fato que se perpetua, pois as mulheres negras são as maiores vítimas de violência doméstica atualmente. Seguindo.. nasciam crianças com traços diferentes, ainda assim eram negros e pior sem alma então recebiam classificavam de mulatos(as).
    Segundo: não é uma questão de sentimento de perseguição e/ou baixa-estima, estamos há séculos buscando e reivindicando nossa história nesta sociedade em que tinha leis em que nos tirou o direito a terra, educação e a pior a liberdade, a politica de ação afirmativa vem para nos dar o que foi tirado brutalmente… a liberdade de dizer o que queremos e principalmente nos defender. Temos o objetivo de estarmos nos espaços de poder criando leis para nosso povo, nos curando e nos educando.
    Não preciso de um branco para dizer o que quero!!
    Não tentamos achar racismo.. existe.. e temos que nos munir e denúnciar isto, pois se tú não faz, seguirá vitimando outros irmão(as).

  14. Marco Antonio disse:

    Pô Irmão, mas também pagar 370, paus para ver este lixo americano é demais. Isso afronta a maioria das pessoas deste país que não tem grana para garantir duas refeições diárias pelo moenos. Creio que alem da truculência policial, vale também uma reflexão de como estimulamos o consumismo e por consequência a violência, principalmente entre jovens.
    Vejo assim.
    Saudações

  15. Alodous disse:

    Bem, é a velha questão que o professor Jocélio finalizou o texto: Quer saber quem é negro? Pergunte à polícia que ela saberá. E para a polícia, sendo negro já é suspeito. A questão é: Como mudar a meentalidade de policiais negros, que vêem no negro um criminoso potencial??????? Até quando vamos continuar financiando uma instituição que usa do poder legítimo para nos ameaçar, nos reprimir, e nos punir, ainda que nada tenhamos feito?

  16. span.M disse:

    bom sou negro tb ja fui abordado varias vezes onde na ultima vez com amigos na porta de casa
    policias nos abordaram brutalmente em frente de nossos familiares nos chamando de BICHOS
    assim com essas palavras ,MORAM AQUI TUDO BICHO AI NUM TEM NEM UM SANTO
    achei importante a materia realizada os comentários tanto que resolve deixa o meu tb
    mas so comentarmos aqui resolvera de que ? so mostramos essa materia afetara em que o opressor ? precisamos de mas ação de todas as formas possíveis deixando claro que so o fato desda materia ser registrada é um ação mas precisamos mas e mas pois os policias estão nas ruas o preconceito estar na rua o tempo inteiro nos bombardiando diariamente então

    REAJA OU SERA MORTO REAJA OU SERA MORTA !!

  17. Julia disse:

    bravo!quem vive em Salvador sabe que episódios como esse acontecem TODO DIA,tanto que as pessoas acham tão normal que o tomam como um procedimento regular.
    qualquer um que já pulou carnaval da bahia sabe como age a polícia de choque.qualquer um que já foi no parque de exposições,ou qualquer grande casa de show em salvador(e nao só em salvador,mas tenhoque falar do que conheço)já viu todo tipo de preconceito. e não só racial-já vi seguranças e policiais BATEREM em pessoas na porta de shows de rock, aparentemenet simplesmente pela maneira como eles se vestiam.
    e o que a gente pode fazer pra mudar isso?

  18. Bem interessate, ainda mais quando sabemos que o CEAO, é um dos celeiros do revisionismo racial brasileiro, onde se constrói a idéia de que não existe racismo no Brasil e de que políticas de ações afirmativas são” racismo ao contrário”. Interessante também perceber, como os brancos, sejam pesquisadores negrófilos, estudiosos, fotógrafos, ou o diabo, tem pleno acesso aos espaços negros, e como nós somos impedidos de acessar os espaços tradicionalmente brancos. Mas agente chega, por bem ou por mal. Com polícia ou sem polícia, Quilombo é prática de todo dia.

  19. Sebastião Firmiano disse:

    Sê fica quieto ai neguinho ” Se não te levo pro tronco”

  20. rodrigo barato disse:

    só gostaria de parabenizar o autor do texto pela denúncia e o não conformismo , sempre que estamos chegando a conclusão de que o Brasil é um país democraticamente multiétnico nos deparamos com a questão do racismo velado , que é um fator muito significativo nesta discussão.
    Que pena que coisas assim ainda aconteçam num país como o Brasil que tem uma grande parcela de sua população negra.

  21. SIMONE SALES disse:

    GERALMENTE QUEM DIZ NÃO EXISTIR RACISMO, SÃO O MAIS RACISTAS E SE BENEFICIAM COM ISSO E POR ISSO USA A ESTRATÉGIA DE DECLARAR QUE NÃO EXISTE O RACISMO NO BRASIL!! É MUITO RIDÍCULO AINDA NOS DIAS DE HOJE PRESENCIARMOS OU TOMARMOS CONHECIMENTO DESSE TIPO DE ATO. E PIOR AINDA É SOFRER COM ESSE TIPO DE AÇÃO!! O PIOR DE TUDO É QUE AINDA EXISTEM MUITAS PESSOAS EMBEVECIDAS NAS SUAS FANTASIAS DE “BRASIL LONGE DO RACISMO” E NÃO TOMA NENHUMA ATITUDE PARA MUDAR ISSO!!!

  22. Bantu disse:

    A violência policial é um dos pilares do racismo neste país. Mesmo que os policiais não tenham levado o irmão preso, só o sentimento de vergonha e humilhação acaba com o prazer de ver o restante do show. E parece piada, o discurso é sempre o mesmo: “houve um roubo/assalto/denúncia e a pessoa era parecida/do seu estilo/tinha as mesmas características que você”. Homens negros já ouviram essa frase pelo menos uma vez na vida. Como é que gente faz pra constituição ser respeitada?

  23. Soila Ribeiro disse:

    O texto do companheiro Jocélio é bastante pertinente e revela o que nós negros e negras sofremos nas ruas dos grandes centros urbanos com a truculenta ação polícial. Eu enquanto mulher negra, Assistente Social e Militante me sinto envergonhada e ao mesmo tempo busco compreender a companheira Luciana mulata. Ao se identificar “Mulata” o trânsito nessa sociedade desigual se torna mais fácil. Se perceber negro ou negra no Brasil significa sofrimento sem reparações e os ditos “mulatos” levantam outra bandeira que não a nossa de luta. Luciana, meu sobrinho negro gaúcho foi brutalmente assassinado em Canoas no Rio Grande do Sul há alguns anos atrás por pilotar uma bicicleta importada “A POLICIA BATEU ATÉ A MORTE” isso é racismo!Após o óbito foram até a casa de meu irmão num condomínio que difere nossos lares habituais e, quando minha cunhada “negra” abre a porta pedem para falar com a dona da casa ” Isso é RACISMO!!!!Cheguei ontem da maravilha do Carnaval de Salvador, em especial Campo Grande porque os outros (Barra e Ondina), são para os que negam a beleza negra e suas expressões afros religiosas e pude observar com as lentes da indignação como a juventude negra era abordada pela policia. É ALGO ESTARRECEDOR… E eu Luciana estava na minha sã consciência e fotografei aquelas ações e questionei o porque. Me identifiquei e com meus argumentos bastantes prudentes, consegui fazer com que eles desistissem da idéia de levarem minha camera digital.E outra, entre os supeitos não havia nenhum branco, índio ou oriental e sim MENINOS NEGROS.
    Estou preparando a materia com as fotos e gostaria de socializar com todos e todas dessa rede.
    Forte abraços a tod@s, lembrando que ser negro e negra hoje, representa luta e respeitos aos nossos ancetrais e aos negros que foram sequestrados da África para regar esse solo de sangue, suor e dor.

    Soila Ribeiro

  24. Yahabibi disse:

    Muito inteligente o intervento de Deborah.
    Prezada Luciana, acho que na escola voce nao entendeu bem como se interpretar um testo.
    E como Deborah falou… “Nao ha meio termo como branquinho, branco amarelado ou rosado!”
    Eu sou negra, estava fazendo compras numa boutique. Uma senhora bem vestida (branca) pagou com cartao de credito e nao foi pedido nenhum documento. Na minha vez, me pediram o CPF e RG. A minha pergunta, mais que natural: Porq a mim sim, e a senhora de antes nao?? A moça do caixa me disse que aquele cartao American tem que ser mais controlado… Comecei a rir e disse: entendo, muito estranho uma negra com uma cartao de credito AMEX e sem limite nao?! Simplesmente deixei tudo là, nao comprei!

  25. hamandakey disse:

    e vai piorar muito mais …

  26. CiMarques disse:

    Isso foi racismo sim! Todo mundo sabe, poucos admitem.

    Ponto.

  27. Sol Mattos disse:

    Triste Bahia. Lamentável que no Estado que se diz negro ainda ocorra tal brutalidade e que uma instituição que deveria a priori proteger, se mostre tão despreparada e preconceituosa. Imagine “se não fosse o Ilê AiYê, Muzenza, Olodum etc… o que seria de mim, o que seria de vc, de nós negros e negras deste Brasil!!!!!!!

    Quanto ao CEAO, vem na resistência há meio século.

  28. MARIA JOSE SENA ALVES disse:

    O que posso dizer é que,infelizmenteno o nosso povo brasileiro negros ou nao, ainda nao estao
    civilizados, ainda vivem na ignorancia, pensando em um poder que nao tem. porque o nosso
    pais continua sendo explorado pelos colonizadores, e quem manda nao é o povp brasileiro mas
    sim a moeda estrangeira.

  29. Bruno disse:

    A despeito de sua coordenadoria em programa de pós-graduação, o que denotaria alguma espécie de inteligência ou possibilidade de resistência contra apelos midiáticos, afirmo que foram completamente mal investidos R$740,00 para assistir a um “lixo americano” protagonizado por uma falsa beleza negra de cabelo liso, com “adoráveis” canções.
    Pagaram para integrar as very important white people da Bahia, mas lhe restou a truculência dos policiais supostamente racistas.

    Se, primeiramente, assumirem que o investimento e a atitude foram um erro, podem extrair o que nele há de mais nobre: o aprendizado.

    Ou seja, parte desse dinheiro vai para policiais suspeitarem de “gente com seu estilo” e para produtos que alisam cabelo e maqueiam à moda européia.

    (Só adivinharão minha cor e título acadêmico quando: estiverem prontos à própria ignorância e ao erro de responsabilizar provocações da mídia para justificar suas ações.)

  30. Eremita Paixão disse:

    surpresa? Surpreso?
    Se você se surpreendeu com esse fato, então desconhece a triste desigualdade desse país. Realidade de desigualdade nos camarotes dos carnavais da baianos… Que vergonha para esses policiais “mulatinhos” servidores de uma minoria, parasitas mentais.

  31. TOM FRANÇA disse:

    Muito Embora nós saibamos de que existe toda uma discursao em torno da questao racial no BRASIL, essa protagonizada pelo Movimento Negro, Isso nao se reflete para a sociedade como um todo, pois o Ideal do “Mito do Democracia Racial” se faz presente …
    E lamentavelmente Episodios como esse se repetem dioturnamente com os nossos sem q estes se quer tomem consiencia disso …
    Pois “foramse os grilhoes e ficou a escravidao mental” Makota Valdina

    A tarefa permanece em nossas mãos, nao desistiremos nunca pois um dia essa Babilonia tambem Caira …

    Lambrando sempre: Ser jovem e nao ser um Rovolucionario, é uma contradição Genetica …

    Sadaçõessss e Paz

  32. Jocélio,

    é sempre bom ser atualizado por um texto seu. É racismo institucional sim. Vamos combater sempre até a vitória final. A nossa sociedade foi feita disso, desse desequilíbrio, dessa hierarquização entre seres humanos.
    Agora dizem que somos nós que racializamos o Brasil.

    Ailton Ferreira, secretário da Reparação, Salvador

  33. Iza disse:

    Eu concordo totalmente com o que a Luciana disse.

    E, quanto ao que a Débora disse, honestamente, se mulato é o descendente de negro e branco, ela é sim mulata, pelo amor de Deus, isso é só fenótipo; assim como os cafusos (indios e negros), são cafusos.

    Devíamos procurar respeito humano acima de cor, sexo ou idade, e não ficar vendo racismo em tudo que acontece, como disse a Luciana, NÃO NEGO A EXISTÊNCIA DO RACISMO, mas não fico como uma lunática tentando achar que qualquer ‘ai’ que me digam e eu não goste seja por causa da minha cor. Eu sou de cor branca, mas tenho cabelo negro, boca negra, nariz negro e já ouvi muito de negros: ‘você diz isso porque é branca’, e eu, com minha educação, sempre respondo: ”como dizia o filosofo, ‘mas o cu era de quem?”’. Quer dizer que isso não é preconceito? Falar que eu disse tal coisa por ser branca, mas vá…

    Quanto ao texto: pergunto-me qual é a resposta da pergunta que o grande autor fez sobre o filme do Hitchcock? Afinal, o cara era branco e foi confundido, levado e preso pela polícia, por um crime que não cometeu; se o criminoso verdadeiro fosse negro, É ÓBVIO que nao iam confundir ele com um branco, só com negro (oh, céus, por que será?), da mesma forma, se fosse negro, o negro inocente seria levado e preso pela policia por um crime que não cometou. Dos dois um, ou Hitchcock era militante negro ou o que aconteceu com seu amigo NEGRO foi a mesma coisa que aconteceu com a personagem BRANCA do Hitchcock, sendo que, nessa o branco se deu mal, porque ele não só passou pela revista como também foi preso. Vitória dos negros.

  34. MARCÍLIO ROSA disse:

    É fundamental que finalmente demos um basta destas atitudes covardes e absurdas em um país que se julga democrático e republicano. A República nasceu baseado no discurso da Abolição da Escravatura. Passaram-se 122 anos da dita Abolição e 121 anos do golpe da República e verificamos o verdadeiro ‘Apartheid’ em nosso país, mas de forma velada e sínica, que demonstra a total hipocrisia de nossa elite branca. Vamos libertar o nosso povo negro, especialmente em nossa querida Salvador, conhecida como a “Roma Negra”.

  35. Doutor Sinistro disse:

    Diante deste fato, eu cada vez mais me convenço de que jamais deverei me calar diante desta atrocidades as quais somos submetitos diariamente, nesta sociedade, injusta, imperialista e racista…
    Quando levei o meu primeiro enquadro, aos 16 anos de idade, indo para o trabalho, tudo que eu ouvi do truculento policial, mesmo diante do apelo da população, de que eu nada tinha à ver com o fato ocorrido, foi: não importa, disse o policial, o fato de ele (eu) ser negro, para mim já basta.
    Algum tempo depois, me tornei um Rapper, militante e ativita, além de fazer pate da Secretaria de combate ao Racismo…
    Não devemos nos calar… temos que reagir, para mudar esta situação…
    Apartheid, mo more…

  36. eric disse:

    cotas….so digo aos desavisados q as cotas sao uma reparação que a sociedade deve aos negros, sempre separados na historia, sem oportunidades. PERCEBEAM UMA FAMILIA Q VEM DO PASSADO DE ORIGEM CLASSE ALTA(GERALMENTE BRANCOS PERMANECEM RICOS) E OS NEGROS ALGUNS SE DESTACAM DENTRE FAMLIAS Q SOFRERAAM COM A SEGREGACAO. so isso define o pq das cotas…eh dificil entender???????????? kbeça duraaaaaaaaaaaaaaaa

  37. Fábio disse:

    ME ENQUADRO NAS DUAS SITUAÇÕES!!
    Sou negro e Policial Militar! Fico triste e ao mesmo tempo esperançoso em ler notícias deste teor polêmico, sou negro, nascido e criado na periferia, não tive todas as oportunidades que queria ter na vida, mas as que surgiram, foram agarradas com unhas e dentes por mim. Sofri e ainda sofro DISCRIMINAÇÃO, PRECONCEITO, RACISMO, todos os nomes que tiver qualquer tipo de exclusão, mas não perco a esperança por uma sociedade mais justa e igualitária, onde possamos caminhar juntos em prol do bem, da paz, “Fazer o bem sem olhar a quem”, não porquê Fulano é branco ou negro, se é rico ou pobre, se é mais inteligente ou menos inteligente, falo de oportunidades iguais, aí me refiro as quotas etnicas, pois é nada mais que uma reparação dos danos históricos a raça negra, porém queria que esta medida fosse por tempo determinado, e concomitante a esta, um conjunto de políticas públicas para diminuir essas diferenças sociais, para que no futuro não sejam mais necessárias as quotas. No que se refere aos policiais, nem todos trabalham da mesma forma, tenho que relatar o fato da mudança cultural na PM, a qual se renova a cada concurso, entrando pessoas jovens, com uma nova visão de mundo e um nível educacional e até social mais alto, pois hoje é muito comum alguém de qualquer classe social ter amigo ou parente policial, e sempre digo para os colegas, principalmente os mais novos que, a palavra chave do serviço policial é : DISCERNIMENTO, não faça nada com ninguém o que você não gostaria que fizesse com você, pois somos policiais e membros desta mesma sociedade a qual prestamos serviço de segurança pública, e temos parente e amigos inclusos nesta.
    Findo dizendo que esta luta é árdua, mas nós negros e a sociedade em geral não pode desistir de conquistar um mundo melhor, não critico nem elogio nenhum dos comentários acima, pois é direito de todos a livre manifestação do pensamento, peço que cada um respeite o outro sempre, pois o seu direito termina, quando o do outro começa.

    Saúde e Sucesso para todos nós!!!!

    NEGRO E POLICIAL MILITAR ATÉ MORRER!!!!

  38. Marcos Cor Di Ébano disse:

    Parabéns pelos comentários!!! Ainda bem que nos restou o espaço virtual para reinvindicarmos nosssos direitos, nossas lutas e externar nossas indignações. Gostaria que isso acontecesse nas praças públicas como antigamente, sem a truculência da polícia, é claro!
    Estive no carnaval de Salvador como todos os anos. Este ano via um policial batendo violentamente numa jovem negra, moradora da cidade, na favela que seguia o boco do Psirico. Fiquei embasbacado. Nunca havia visto aquilo, embora saiba que ela não foi a primeira e não será a última.
    Pegando a fala do Fábio que diz que a polícia está se renovando, entrando pessoas com um nível cultural mais elevado, infelizmente, neste caso que relato, o policial agressor, covarde foi o TEN BEN HUR, branco, com nível superior e cheio de cólera. Relatei o fato ao Major Ramalho que foi bastante solícito, mas tenho plena certeza de nada acontecerá, pois são corporativistas e não admitem erros. São donos e detentores de uma verdade que não condiz com a realidade.
    “Favela e favela, respeite o povo que vem dela”. Muitos policiais são favela, muitos policiais são negros, pardos, mulatos. “Bota a mão na cabeça que vai começar o baculation, o baculation”.
    Infelizmente, Fábio, a polícia de Salvador precisa passar por sérias transformações. O secretário de segurança comemora os números do carnaval: nenhum homicídio. Estes virão depois, pois a forma como a PM age, acaba com a dignidade de qualquer um, causando raiva, revolta e mortes futuras. Quantos não gostaríam de matar um plocial? Quantos destes não querem ser um policial para fazer o mesmo com outros?
    O slogan da secretaria de segurança deste ano foi: A Bahia na luta pela paz. Que paz? ” Paz sem voz, não é paz é medo”. Contradições e contragostos. Eu prefiro ainda aquele refrão daquela música, daqueles antigos carnavais: ” Eu queria que esta fantasia fosse esterna, quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver será só festejar”.
    Abraços.

  39. Vanessa disse:

    O preconceito está enraizado em nosso subterrâneo individual, ao passo que a discriminação e o ódio estão enraizados no subterrâneo social, coletivo. A senzala foi tranferida para as favelas! A discriminação seja ela qual for só vai deixar de existir, quando as pessoas procurarem saber e cumprir os direitos como cidadão! Ainda tem q mudar muita coisa para haver igualdade!! Por exemplo: os critérios do salário de garçom…se for mulher ganha menos, se for negro ganha menos,…MUITO DIFÍCIL!!

  40. Henrique disse:

    Que vergonha esses PMs.

  41. beyonce is a remarkable artist, i absolutely adore her tremendously!!

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