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Xico Sá e Márcia Tiburi arrancam risos na primeira mesa da Flica

O amor foi tema central do bate-papo entre a filósofa por formação, Márcia Tiburi, e o filósofo de botequim, como se denomina Xico Sá. Jorge Portugal, professor baiano, mediou debate. (Foto: Lilian Marques/G1)

O amor foi tema central do bate-papo entre a filósofa por formação, Márcia Tiburi, e o filósofo de botequim, como se denomina Xico Sá. Jorge Portugal, professor baiano, mediou debate. (Foto: Lilian Marques/G1)

Do G1 Ba
Por Lilian Marques

Convidados abriram debate na Festa Literária Internacional de Cachoeira.
Evento literário acontece até domingo (21) na região do recôncavo baiano.

O educador baiano Jorge Portugal deu início à mesa que abriu a Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), na noite desta quarta-feira (17), com citação de Castro Alves que fala sobre a importância do livro. Ele foi o mediador da mesa “Literatura: introspecção ou exibicionismo?”, que teve como convidados Xico Sá, jornalista, escritor e autointitulado “filósofo de botequim”, e a filósofa, escritora e professora universitária, Márcia Tiburi.

Em um debate bem humorado, os três arrancaram risos da plateia por diversas ocasiões com o bate-papo que girou mais em torno do amor, suas formas e consequências, do que sobre o tema estabelecido pelo evento. Xico e Márcia falaram bastante também sobre o processo produtivo de cada um, entre temáticas como traição e feminismo.

Uma das primeiras perguntas foi sobre como os dois lidam com o público. De imediato, Márcia Tiburi falou que “adora gente, que gosta muito de estar em eventos literários”, por exemplo, mas que, para produzir, precisa estar sozinha. “Para a gente que escreve, sempre é assim. Escrevo para ficar só ou fico só para escrever, não sei. A gente fica em casa sozinha, não enche o saco de ninguém, nem da família, acho ótimo, recomendo. Gosto muito de gente, de dez pessoas para cima já estou confortável. Acho mais difícil conversar com uma pessoa só”, afirmou.

Xico Sá comentou que mudou bastante a forma de lidar com o público por causa da literatura. “Quando era pequeno, menino do interior, se chegava uma visita lá em casa, eu me escondia. Hoje, como disse Guimarães Rosa, ‘sapo pula por necessidade, não por boniteza’. Me sinto amostrado, enxerido. Acho que o livro virou um bicho de mosteiro. É tão antigo e, ao mesmo tempo, de uma resistência tão bonita. Eu faço hoje com muita facilidade, mas já fui muito tímido. Hoje festejo junto, não tenho dificuldade de lidar com os leitores em eventos, mas a escrita é absolutamente solitária”, disse.

Gosto de escrever sobre o que me comove” Xico Sá

Para Márcia Tiburi, o livro é “uma arma de combate na sociedade do espetáculo”. Ela comentou sobre a experiência que teve com a televisão, quando foi uma das apresentadores do “Saia Justa”, no GNT. “Temos que consertar defeitos que ninguém enxerga, a pessoa é transformada em espectro, mas, atrás daquela pessoa, tem um humano. Comecei a me envolver com o universo, nunca gostei de TV, não tenho TV em casa, achei muito legal a experiência. Escrevi um livro que me fez pensar nas políticas de exposição da TV. É puro espetáculo, que quer causar efeito. É informação atrás da outra para as pessoas não terem tempo de pensar. Gosto de dar aula, não gosto de burocracias. Acho que nunca trabalhei na vida, só quando fiz televisão, porque era um esforço”, disse.

Atualmente, Xico Sá participa do mesmo programa e concordou que trabalhar na televisão é difícil para quem não é do meio. Tiburi disse ainda que não gosta de planejar o que vai escrever. “Gosto de descobrir os personagens. Já joguei centenas de páginas fora porque não gostei do personagem. Gosto de escrever sobre o que me comove”, relatou.

Xico citou que, para ele, toda produção literária é um pouco autobiográfica. “É um sofrimento por dia. Às vezes você rir da experiência, se pega chorando em um fim de noite. Minha mãe me deu uma lição: ‘meu filho, escreva para chorarem, para rir não'”. Autor de crônicas, o jornalista propõe mesclar tragédia e comédia em suas narrativas. “Mas quando escrevo uma coisa que bate na ferida amorosa explode a leitura. Eu penso: ‘minha mãe, que só tem o quarto ano primário, sabia disso. Como?’ A estética da lágrima do sofrimento foi uma grande lição da minha mãe. Acho preguiçoso os jovens discutirem relação pelas carinhas [emotions das redes sociais], por SMS, é mais [a discussão] para despertar ou até para entender seu amor”, completou.

Xico Sá lançou seu novo livro, “Big Jato”, editado pela Companhia das Letras, nesta quarta-feira durante a Flica. Após o debate no evento, ele e Márcia Tiburi receberam o público para autografar seus livros. A atual obra da filósofa é “Era meu esse rosto” (Record, 2012).

Xico Sá, com mão no queixo, assiste orquestra (Foto: Lilian Marques/G1)

Xico Sá, com mão no queixo, assiste orquestra (Foto: Lilian Marques/G1)

Abertura
A Flica, que acontece na cidade de Cachoeira, foi aberta com apresentação do Núcleo de Prática Orquestral, um projeto de parceria entre a FIEB e a Neojibá (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), na noite desta quarta-feira (17). Músicas como “Aquarela do Brasil” foram apreciadas pelo público cachoeirense.

O jornalista e escrito Xico Sá conferiu de perto a apresentação da orquestra. No público também havia muitas crianças, idosos, moradores da cidade e turistas que estão no local para conferir o evento, que acontece até o domingo (21), no Conjunto do Carmo, na Praça da Aclamação.

O professor Rosival Lima, que nasceu e mora em Cachoeira, junto com a esposa, a terapeuta Lais Vaccarezza, levou a filha Calli, 8 anos, para conferir a abertura da Flica. “Acho que mostra uma cultura muito bonita”, disse a garota sobre a orquestra. Para o pai dela, a música clássica combinou perfeitamente com o ambiente cachoeirano. “Acho muito importante para a cidade [o evento], tem que ter mais. Combina muito [a música clássica] com a arquitetura, paisagem e história de Cachoeira”, disse.

O aposentado José Nestor, 74 anos, saiu de Cações, no interior da Bahia, só para ver a neta de 15 anos tocar na abertura da festa. “Achei bom, vim só para ver minha neta. Não conhecia Cachoeira, achei ótimo”, relatou ele, que estava com a família.

 

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