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Grupo baiano Simples Rap’ortagem recebe Afrika Bambaataa para celebrar o movimento Hip Hop nesta sexta (16)

Afrika Bambaataa*Do Pelourinho Cultural

O Pelourinho Cultural, programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural, em parceira com a Favela Music Productions, prestará em abril mais uma homenagem ao Hip Hop. O programa, que já vem desde 2006 buscando trazer o ritmo dos guetos para os palcos do Centro Histórico, realizará no dia 16 deste mês uma homenagem aos 35 anos do movimento musical. Um mega show com abertura do grupo baiano Simples Rap’ortagem e participação do MC e DJ nova-iorquino Afrika Bambaataa terá lugar no Largo Pedro Arcanjo, a partir das 21h. O evento será transmitido ao vivo pela Rádio Educadora, em um especial durante o programa 16 toneladas.

A comemoração como um todo terá abertura às 19h com uma palestra realizada por Bambaataa e pelo MC Jorge Hilton do Simples Rap’ortagem, grupo parceiro do norte-americano na Bahia. O debate terá como tema os 35 anos do Hip Hop e promoverá um diálogo entre o público e os artistas. A palestra é um costume de Bambaataa. Durante sua turnê no Brasil, por onde passou o MC e DJ fez questão de abrir um espaço para o contato com o público.

O grupo de Hip Hop Simples Rap’ortagem, um dos pioneiros do ritmo na Bahia, possui 16 anos de carreira. O surgimento da banda ocorreu antes mesmo da existência do movimento Hip Hop em Salvador, que completa 14 anos de forma organizada em 2010. A atual formação do Simples Rap’ortagem conta com Jorge Hilton e Preto Du nos vocais, DJ Bandido nas pick-ups, b.boys e dançarinos do grupo Filó.


A música do Simples Rap’ortagem traz influências rítmicas nordestinas, como o coco e a embolada, propondo um fortalecimento dos referenciais de negritude e a valorização do Hip Hop brasileiro. “A banda agrega elementos da cultura nordestina, com uma proposta de valorização da emancipação feminina”, conta Gérson Ferreira, produtor executivo do grupo. A banda tem dois álbuns, um demo e, em 2005, um single, lançado em 2005, com a música Quadro Negro, que contou com o apoio do Unicef, da Universidade Federal da Bahia e da Fundação Palmares. Além disso, o grupo é o único representante baiano na organização mundial Zulu Nation, uma ONG criada por Bambaataa que busca a transformação social de comunidades carentes através dos cinco pilares do Hip Hop: MCs, DJs, b-boys, grafite e conhecimento.

Para Jorge Hilton, a batalha pela manutenção do movimento Hip Hop em atividade exige bastante jogo de cintura por parte dos artistas que buscam aliar o lado profissional ao lado ativista. “É uma luta para manter a relação entre a questão artística e mercadológica e a questão militante e ativista do Hip Hop”, conclui. Para o segundo semestre de 2010, Jorge prevê o lançamento de um livro. “Pretendo abordar a minha trajetória dentro do movimento e a relação entre o Hip Hop e temáticas diversas como drogas, política, meio-ambiente, diferenças raciais e de gênero”, informa Hilton.

A Rádio Educadora, por exemplo, vem sendo um modelo de apoio ao Hip Hop desde 2007, quando levou para a sua grade o programa Evolução Hip Hop, sob o comando do DJ Branco. Para o DJ, essa iniciativa foi um marco para o movimento pois possibilitou um diálogo não só com as comunidades da periferia, mas com toda a cidade de Salvador. “O programa fortalece o desenvolvimento do Hip Hop, pois estende o diálogo a toda o Estado. O movimento, que chegou à Bahia nos anos 80 através do break dance e do funk, atinge hoje em dia, de forma organizada, mais ou menos 60 municípios baianos”, afirma Branco.

Segundo ele, o Hip Hop no Nordeste criou uma identidade própria, ao invés de simplesmente tomar para si aquele estilo que surgiu nos guetos norte-americanos. “Analisando a conjuntura desde o surgimento do movimento nos Estado Unidos, é possível notar a regionalização que ocorre com o Hip Hop, que quando chega ao Nordeste cria uma identidade própria, que trabalha com a ideologia original do movimento através dos elementos como break dance e grafite para chamar a atenção da comunidade para a desigualdade existente na região”, conclui Branco.

O Pelourinho Cultural vem desde 2006 buscando conectar essa ideologia do movimento Hip Hop com a identidade do Centro Histórico através de incentivos a grupos locais. É o caso do coletivo infanto-juvenil Nova Saga que deu início a sua trajetória através de incentivos do programa e hoje já tem CD próprio gravado. O Pelourinho Cultural promove também periodicamente apresentações e festivais de Hip Hop, recebendo agitadores culturais do movimento como o Coletivo Blackitude e a etapa baiana do Festival Rap Popular Brasileiro.

Para Ivanna Soutto, coordenadora do Programa Pelourinho Cultural, esse incentivo faz parte de uma visão macro sobre a diversidade de linguagens exposta através das ações do programa. “A vinda de Afrika Bambaataa para o Pelourinho serve para comprovar definitivamente que este espaço deve ser sempre pensado num espectro máximo das vertentes musicais e de outras linguagens”, afirma Ivanna. “O Pelô torna-se a via de mão e contramão das melhores atividades culturais que acontecem no nosso Estado”, conclui.

Serviço:
Palestra 35 anos do Hip Hop
Quando: 16 de abril, 19h
Onde: Largo Pedro Arcanjo, Pelourinho
Quanto: Gratuito
Afrika Bambaataa e Simples Rap’ortagem
Quando: 16 de abril, 21h
Onde: Largo Pedro Arcanjo, Pelourinho
Quanto: Gratuito

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3 Comentários para “Grupo baiano Simples Rap’ortagem recebe Afrika Bambaataa para celebrar o movimento Hip Hop nesta sexta (16)”

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  2. Nilldinha disse:

    Curto RAP a quase 11 anos e etou no movimento hip hop há quase 6.
    Este momento é muito especial para o movimento por girar em torno de discussões sobre os negros da diáspora que criaram tatntos movimentos de luta, resistência e reafirmação identitária e cultural.
    Também conheço a simples raportagem e gosto muito como o grupo traz suas discussões dentro do movimento hip hop. Inclusive, minha monografia foi uma pesquisa-ação que fala sobre o RAP como possibilidade pedagógica na reafirmação da cultura da criança negra e a música “quadro negro” seria trabalhada, mas por falta de tempo na jornada pedagógica não foi possível. Mas independente disso, o grupo mostra sua importância na caminhada do rap baiano, acredito que não só pra mim, mas par várias pessoas.

    Com certeza estarei lá!

    Parabéns ao movimento hip hop e em especial ao hip hop baiano

  3. Alex Ferry disse:

    Descobri o site desse grupo baiano, muito bom o som e postura deles!
    http://www.simplesrap.com

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