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Festival celebra dramaturgia produzida por autores negros

Melanina AcentuadaFestival Dramaturgias da Melanina Acentuada ocupa Goethe-Institut e Sala do Coro do TCA com programação diversificada onde a autoria negra está no palco e em debate

Até não muito tempo atrás se dizia que não tínhamos muito autores negros, seja no teatro, seja no audiovisual. Com a inquietação de mostrar que esta não é uma realidade é que nasceu o Festival Dramaturgias da Melanina Acentuada, que está em sua quinta edição e oferecerá de 14 a 23 de setembro uma programação voltada para visibilizar e fortalecer a dramaturgia negra produzida no Brasil. Idealizado pelo ator, apresentador, dramaturgo e pesquisador Aldri Anunciação, o evento contará com leituras dramáticas, ateliês para produção escrita e reflexão sobre práticas e poéticas, espetáculos teatrais, compartilhamento e o lançamento da plataforma Melanina Digital, um catálogo virtual inédito que reúne a produção de dramaturgos negros contemporâneos.


O Festival Dramaturgias da Melanina Acentuada é uma realização da Melanina Acentuada Produções, com a produção da Henckes Produções e Giro Planejamento Cultural e foi contemplado pelo Edital Setorial de Teatro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. Toda programação do Festival se divide entre o Goethe-Institut Salvador e a Sala do Coro do Teatro Castro Alves, parceiros institucionais do evento. Toda programação está disponível no site: http://www.melaninadigital.com.

De acordo com Aldri Anunciação, curador do Melanina Acentuada, ao longo desses cinco anos de existência no formato de itinerância (com três edições em Salvador, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro), o evento se consolidou como um espaço de compartilhamento e visibilidade da produção negra no campo da dramaturgia, sendo referência para pesquisadores de todo país. “O Melanina Acentuada é um misto de festival e festival pesquisa. Ele expressa a intenção de mapear e catalogar autores negros, que estejam inseridos no mercado e também fora dele. Conhecer sua poética, os temas e elaborações que estes autores estão realizando” acrescenta o dramaturgo, que teve a ideia de criar uma mostra centrada nas questões sobre autoria negra a partir da constante escuta, em espaços diversos, que não havia dramaturgos negos negros no Brasil. O Melanina prova justamente o contrário: mais de 60 criadores já tiveram seus espetáculos encenados, textos lidos e encontros de compartilhamento realizados.

O Festival contará com uma homenagem aos 90 anos do ator Mário Gusmão, um nome fundamental nas artes cênicas na Bahia e no Teatro Negro brasileiro, apresentando uma leitura dramática de texto inédito de Aldri Anunciação, Inventário Gusmão, celebrando a trajetória do artista, no dia 17 de setembro, às 20h30, com direção de Paulo Cunha. A homenagem acontecerá dentro da série Noite Dramática, uma série de leituras dramáticas, nas quais diretores convidados irão desenvolver experimentações e apontamentos de cena a partir de textos inéditos de autores brasileiros contemporâneos. Compõe a programação das Noites Dramáticas a leitura do texto Antimemórias de uma travessia interrompida, também de Aldri Anunciação, com a atriz Tatiana Tibúrcio e direção de Fernanda Onisajé.

A culminância desses eventos será no dia 22 de setembro, com uma espécie de virada noturna com leituras dramáticas de obras selecionadas através de convocatória na internet, sob a assinatura do Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas – NATA, que fará a direção das apresentações de toda noite, que adentrará a madrugada também envolvendo as performances do Afrobapho.
Melanina Digital – O panorama apresentado ao longo das cinco edições do Festival Dramaturgias da Melanina Acentuada agora estará disponível on line ao alcance de todos que tem interesse em textos pensados para cena: seja no teatro, na performance, no audiovisual. Trata-se da plataforma Melanina Digital (http://www.melaninadigital.com), um catálogo de dramaturgos negros brasileiros, fruto dos anos de realização da mostra e da compilação de atividades desenvolvidas ali.

Para Aldri Anunciação, o Melanina Digital torna o festival permanente, para além dos períodos de sua realização presencial e acessível a um amplo espectro de público de todo país e de fora dele. Neste ambiente virtual, os próprios dramaturgos poderão cadastrar suas obras e se fazer conhecer e reconhecer.  Como o evento se tornou referência para criadores e pesquisadores negros, havendo sempre interesse em ter acesso aos dramaturgos, obras, entrevistas, surgiu a urgência de tornar todo esse manancial acumulado numa plataforma acessível a todos. “O Melanina Digital cataloga as discussões e produções que perpassaram no festival ao longo dos anos. Em nossa plataforma digital o festival seguirá permanente, disponibilizando as produções, mini-biografias dos dramaturgos e seus pensamentos, as mesas de discussão”.

No site, o usuário encontrará todo conteúdo reunido ao longo das edições anteriores e atuais do Melanina Acentuada, a exemplo de entrevistas públicas, palestras, rodas de discussão, mini-biografia dos dramaturgos, textos dramáticos disponibilizados, vídeos, artigos entre outros. A plataforma se configura numa inovação tanto por apresentar um raro espaço de mapeamento e catalogação tanto no campo das artes cênicas quanto das literaturas, bem como oferece um material privilegiado, atualizado e que será permanentemente atualizado pelos próprios usuários que poderão enviar seus textos, contribuições e conteúdos.

Espetáculos – A linha que aproxima as obras selecionadas para a mostra de espetáculos do Festival Dramaturgias da Melanina Acentuada é a autoria negra, mesmo que entre os atores ou a direção haja não-negros. Neste ano, o conceito curatorial bebeu na filosofia do pensador camaronês Achille Mbembe, que cunha o termo Necropolítica, no qual aborda a criação de estratégias políticas planetárias que implicam em desumanização e uma administração da morte entre grandes grupos. Assim, os espetáculos selecionados abordam questões sobre a subjetividade de pessoas negras, a sensibilidade por vezes negada e como a política afeta as vidas.

Abrindo a programação do Festival, o elogiado espetáculo paulistano Isto É Um Negro?, das dramaturgas Mirella Façanha e Tarina Quelho, redesenhando mapas e as práticas que formatam o corpo negro, com apresentações nos dias 14 e 15 de setembro, às 20h, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. Com dramaturgia de Alexandre de Sena e Preto Amaro, Violento (MG) discorre sobre os vários sentidos da violência e suas repercussões, com duas apresentações nos dias 17 e 18 de setembro, às 19h. De Cristiane Sobral, o espetáculo Esperando Zumbi (DF) é um manifesto sensível a partir de um ponto de vista afrocentrado e feminino, com sessões nos dias 19 e 20 de setembro, às 20h. Na sexta-feira, dia 21 de setembro, às 19h, Viviane Clara apresenta a performance multisensorial Solilóquio (SP), na qual perpassam afirmações sobre identidade, explorando diferentes representações de si mesma. Com texto do consagrado dramaturgo Jô Bilac, Reforma Política (RJ) é uma sátira sobre o Sistema Político Brasileiro, no dia 22 de setembro, às 20h.

Entre as obras baianas, estão o espetáculo Sobretudo Amor, de Mônica Santana, construído a partir de conversas com mulheres negras sobre afetividade, com apresentação única no dia 16 de setembro, às 19h. O consagrado Namíbia, Não!, premiado texto de Aldri Anunciação com Direção de Lázaro Ramos, volta a cartaz no dia 16 de setembro, às 20h, na Sala do Coro do TCA. Iyá Ilu, de Sanara Rocha, bebe no afro-futurismo e realiza um show ritual celebração, no dia 17 de setembro, segunda-feira, às 19h.  Com texto e atuação de Fernando Santana, Mesmo Sem Te Tocar conta a história de um homem que atravessa a fenda do tempo a procura de um amor, com sessão no dia 20 de setembro, às 19h. Leno Sacramento transita entre vida e ficção em En(cruz)ilhada, no dia 21 de setembro, às 20h.

Encontros – Uma das características do Melanina Acentuada é realizar entrevistas públicas com os dramaturgos, criando um especial momento para conhecer o processo criativo dos autores, seus procedimentos de trabalho, poética. É um momento único de conhecer mais de perto a elaboração de um texto dramático e como os criadores dos textos que compõem a programação, desenvolveram estas obras. Serão quatro entrevistas públicas: no dia 15 de setembro, às 17h, com as atrizes e dramaturgas Mirella Façanha e Tarina Querino (SP), no dia 20 de setembro, às 18h; dia 21 de setembro, às 18h com Johnny Salaberg; e 22 de setembro, às 18h, com Jô Bilac.
O evento também contará com dois momentos de compartilhamento de processos criativos com autores, recebendo o baiano Diego Pinheiro, autor do espetáculo Quaseilhas e Mirella Façanha e Tarina Querino (SP), da obra Isto É Um Negro?. A programação ainda contará com duas rodas de conversa com estudiosas da dramaturgia e da cena negra brasileira, a Prof. Dra. Leda Maria Martins (18 de setembro, às 14h) e a cineasta Glenda Nicácio (17 de setembro, às 14h).

Serviço
Festival Dramaturgias da Melanina Acentuada
De 14 a 23 de setembro
Em Salvador
Realização: Melanina Acentuada Produções, Henckes Produções
Produção: Giro Planejamento Cultural
Programação completa no site: http://www.melaninadigital.com.br

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