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DJ Branco: ‘As pessoas precisam reconhecer o rap como música’

Dj BrancoO produtor musical e comunicador conversou com o bahia.ba sobre a escassa presença de um dos pilares da cultura hip hop no Carnaval de Salvador

Do Bahia.Ba

Por Juliana Dias

Dá pra contar nos dedos o número de grupos e cantores de rap que participam do Carnaval de Salvador 2016. Para o produtor musical e comunicador, DJ Branco, chega a ser uma ironia que o gênero – que é um dos cinco pilares da cultura hip hop e se originou nas festas de rua dos jamaicanos -, não seja um dos grandes destaques da ‘maior festa de rua do planeta’. Em entrevista ao bahia.ba, o conselheiro do setorial de Música do Conselho Nacional de Cultura lamentou a falta de atenção dos gestores públicos com os bairros no pós-carnaval, embora admire a proposta do Carnaval de Bairros. Ele comentou também como o preconceito e discriminação com a música rap são as principais barreiras para a presença real dos grupos e MCs no carnaval soteropolitano, inclusive para a criação de um circuito alternativo do gênero.

O que você achou da programação do Carnaval de Salvador 2016?


DJ Branco
: Sem dúvida, o Carnaval de Salvador tem uma programação diversa, você escuta todo tipo de música, agora a forma de tratamento aos gêneros musicais é diferenciada. O axé e o pagode são quem ganha a maior fatia do bolo da tal festa democrática e popular, e não dá pra dizer se a banda é notória ou não. Por que, por exemplo, uma banda de pagode ou axé que surgiu em 2015 ganha mais que um bloco afro ou banda de samba que há anos está fazendo Carnaval. Sem falar que estão privatizando cada vez mais o Carnaval de Salvador, os camarotes é outro mundo, o qual deveria se chamar de CarnaRote de Salvador, o que eles fazem pode acontecer em qualquer época do ano.

O que acho bem legal é o Carnaval de Bairros, mas também é uma estratégia para separar o povão da gringalhada/turistas que vem pra Salvador nessa época. Não dá pra fazer um discurso que o Carnaval de Bairros é importante, que a família participa, que está proporcionando lazer e entretenimento nos bairros populares se o ano inteiro esses bairros não têm o mínimo de assistência, os serviços públicos no dia a dia são precários. Tratam as pessoas com pão e circo.

Qual a sua opinião sobre a presença do rap dentro desta programação? E com relação aos anos anteriores, houve mudanças?

DJ Branco: Primeiro as pessoas precisam reconhecer o rap como música, e essa música tem que estar em todos os lugares, principalmente no carnaval. A presença do rap nesse espaço ainda é muita tímida. Na maioria das vezes, os artistas do rap são convidados para fazer participação com artistas de outros gêneros musicais, às vezes em trios ou em palco de bairros, poucos conseguem um espaço para fazer um show completo. Se você me perguntar quantas bandas de rap vai tocar no Carnaval de Salvador, eu lhe respondo que até agora só sei de sete. Não vi nenhum avanço referente aos anos anteriores, o pouco espaço que o rap tem hoje foi conquistado com muito luta.  

Para você, o que impede a consolidação de um circuito ou palco alternativo  para o rap no carnaval?

DJ Branco: O que impede a consolidação de um circuito alternativo para o rap no Carnaval é o preconceito e criminalização da música rap, infelizmente ainda somos discriminados. Por outro lado, os artistas precisam se organizar para cobrar esse espaço, sempre que colocam o rap é com outro gênero musical dividindo o palco. É importante que se tenha um palco específico como tem o Palco do Rock.

Quais caminhos futuros você acredita que devem ser tomados para que o rap tenha maior participação na folia momesca?

DJ Branco: O primeiro passo é a categoria se organizar e cobrar do Conselho Municipal do Carnaval, Bahiatursa e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), um espaço específico para o rap.

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