IRDEB - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia
TV Rádio Notícias Interatividade

O não de Muricy

Essa história começa no Maracanã. Na saída do estádio, depois da vitória sobre o Cruzeiro, Muricy Ramalho recebeu uma ligação do diretor de comunicação da CBF. Um convite para um café na manhã com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

A conversa durou uma hora e meia.

O convite para treinar a Seleção Brasileira foi feito. Muricy aceitou, mas o Fluminense não liberou. O poder supremo da CBF sobre os clubes brasileiros levava a crer que nenhum dirigente impediria que um técnico realizasse o sonho de dirigir a seleção.

Ledo engano.

O Fluminense mostrou – mais uma vez – mostrou porque é um dos clubes que mais merece respeito no futebol brasileiro. Muitos dizem que havia uma cláusula no contrato de Muricy que o dispensava de multa rescisória em caso de transferência para a Seleção. Mas o vice-presidente do Flu, Alcides Antunes, disse o contrário. O contrato foi feito para ser cumprido e não possui cláusula rescisória para convites de quaisquer seleções.

Esse convite mais que tardio feito pela CBF só evidencia a desorganização e a falta de planejamento do nosso futebol. Quando Dunga foi oficializado como treinador do Brasil em 24 de julho de 2006, era sabido que o capitão do tetra teria um contrato de quatro anos.

Mais precisamente, até o fim da Copa de 2010.

Sendo assim, por que a CBF não formalizou o convite a Muricy antes? Medo de ironias da imprensa ou da população brasileira? Se o contrato de Dunga tinha data para terminar, seria prudente já ter algum nome engatilhado para substituí-lo.

Mas isso não aconteceu.

Talvez a CBF acredite que, pelo fato de conhecer todo o processo, não seja necessário planejar. O “não” de Muricy (ou, do Fluminense) deve ficar como lição. Os clubes não são marionetes. E, em uma época em que a palavra “projeto” está tão na moda no futebol, o planejamento faz-se mais do que necessário para obter êxito na investida.

Foto: Agência Corinthians

Mano Menezes aceitou o desafio


Quem acredita que não precisa planejar porque sabe ”tudo”, deixa para trás uma grande oportunidade de crescer e impressionar positivamente.

Tem que ter os pés no presente e os olhos no futuro.

Bem-vindo, Mano Menezes.

4 Comentários para “O não de Muricy”

  1. Marc] disse:

    Só uma observação. Embora com prazo determinado, não se pode dizer que o contrato de Dunga tivesse data para terminar, pois havia a possibilidade de a seleção ser campeã e o contrato ser renovado. Assim, não cairia bem convidar nenhum técnico antes do encerramento do contrato, concorda? As coisas não devem ser vistas de forma tão simplista. Abraços.

  2. cartaoverde disse:

    Caro Marc,
    quando falamos que o contrato de Dunga tinha data para terminar, nos referimos ao fim da Copa de 2010, de fato. Independente de onde o Brasil chegasse (poderia ser na fase de grupos ou na grande final). Não encaramos essa situação de forma simplista, mas sim de forma profissional. Apesar das situações serem diferentes, as outras seleções que disputaram a Copa 2010 e trocaram de técnico, o fizeram rapidamente. Era preciso ao menos fazer um primeiro contato com os possíveis treinadores antes do Mundial.

  3. Juan disse:

    A opção por mano foi sofrível. Mais um da escola gaúcha na seleção, muita marcação com alguns momentos de inspiração – quando o brasil deveria ser ao contrario. Aí você pode dizer,o Brasil foi campeão com felipão -pra mim foi a pior copa de todos tempos, literalmente dava sono. Na Copa do Brasil precisamos jogar pra frente, como Dorival, no Santos. Eles tem que ter medo da seleção.

  4. Rodrigo disse:

    Juan, a Copa de 2002 te dava sono pq os jogos eram pela madrugada! hehe

    Mano não é retranqueiro, ele é um dos poucos tecnicos do Brasil que jogam sempre com 3 atacantes ou com dois meias ofensivos e dois atacantes.

Deixe um comentário

Governo da Bahia  ©2019 | IRDEB - Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. SECOM - Secretaria de Comunicação Social